sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Criação da Carta de Princípios

Bravos homens idealizaram um movimento de extrema grandeza cultural, mas não imaginavam que suas ideias fossem tão bem aceitas e difundidas rapidamente, que o fizesse grandioso também em número. Isto nada mais fez do que confirmar quão glorioso foi esta idealização. Todo crescimento rápido pode ter consequências desastrosas. Além disso, o governo e o exército tinham naquele grupo de jovens certa desconfiança, pois exaltavam a Revolução Farroupilha, seus mentores e consequentemente o “20 de setembro”, levando os poderes constituídos a conclusões que pendiam para o lado revolucionário e separatista.

Foi então que Glaucus Saraiva, considerado extremamente inteligente e com a mente de certa forma avançada para a época, se sensibilizou e, por ser muito reservado, fez de forma solitária um documento que, depois de concluído, foi apresentado como sugestão a ser seguido pelos tradicionalistas.

Tal documento foi de extrema importância, fazendo com que o exército o enxergasse com outros olhos, percebendo que o movimento queria andar lado a lado com os governantes. O Conselho Coordenador reconhecendo sua importância para o bom prosseguimento do movimento, decidiu oficializar a Carta de Princípios, que foi aprovada no 8º Congresso Tradicionalista, realizado na cidade de Taquara, de 20 à 23 de outubro de 1961, no CTG Fogão de Chão. A partir deste momento ela começou a ser vista como uma lei a ser cumprida, causando uma certa revolta nos gaúchos, que não aceitavam ser mandados, defendendo a idéia de que gaúcho é macho, não recebe ordens de ninguém e é dono de suas próprias razões.

Dentro do movimento, seus efeitos foram para nortear um rumo a ser seguido, pois na época o que prevalecia eram as contradições, onde cada CTG procurava inclinar-se para seu lado, fazendo com que não existisse unanimidade.

Para o bom funcionamento era necessário e de fundamental importância, um perfeito conhecimento e interpretação da mesma.

Aos poucos os gaúchos foram aceitando-a e começaram a perceber que ela só ajudaria o movimento a crescer e que seu objetivo não era obrigar e sim orientar. Hoje essa carta integra o Regulamento do Estatuto do MTG e é a primeira diretriz aprovada no tradicionalismo. Até os dias de hoje a Carta de Princípios continua, de um certo modo, de conhecimento restrito dentro do movimento, tendo este prospecto sofrido sensíveis alterações nos últimos anos, devido a importância dada pelo MTG, fazendo dela assunto de trabalhos realizados, como este de hoje.

Seguindo as palavras do Senhor Ciro Dutra Ferreira e Vilson de Souza, na época de sua criação um dos objetivos mais importantes foi o art. XI, que trata do respeito as leis e os poderes públicos legalmente constituídos, que fez com que o exército e o governo vissem com outros olhos aquele grupo de jovens. E o mais importante nos dias de hoje é o art. XXIX que valoriza e exalta o homem do campo. E dentro deste item salientou a importância do surgimento dos laçadores urbanos, como exemplo, que trazem para a cidade uma parte da realidade da vida rural.

Em poucas palavras podemos destacar como conclusão final que, através da difusão e preservação da nossa cultura e de nossos valores morais, temos a possibilidade de dar base a uma sociedade harmônica, colaborando assim com o bem coletivo, o progresso e a evolução de um povo que tem como ideal os princípios de LIBERDADE, IGUALDADE e HUMANIDADE.

Carta de Princípios do Movimento Tradicionalista Gaúcho

I. Auxiliar o Estado na solução dos seus problemas fundamentais e na conquista do bem coletivo;

II. Cultivar e difundir nossa História, nossa formação social, nosso folclore, enfim, nossa Tradição, como substância basilar da nacionalidade;

III. Promover, no meio de nosso povo, uma retomada de consciência dos valores morais do Gaúcho;

IV. Facilitar e cooperar com a evolução e o progresso, buscando a harmonia social, criando a consciência do valor coletivo, combatendo o enfraquecimento da cultura comum e a desagregação que daí resulta;

V. Criar barreiras aos fatores e idéias que nos vêm pelos veículos normais de propaganda e que sejam diametralmente opostos ou antagônicos aos costumes e pendores naturais do nosso povo;

VI. Preservar nosso patrimônio sociológico representado, principalmente, pelo linguajar, vestimenta, arte culinária, formas de lides e artes populares;

VII. Fazer de cada CTG um núcleo transmissor da herança social e através da prática e divulgação de hábitos locais, noção dos valores, princípios locais, reações emocionais, etc.; criar em nossos grupos sociais uma unidade psicológica, com modos de agir e de pensar coletivamente, valorizando e ajustando o homem ao meio, para a reação em conjunto frente aos problemas comuns;

VIII. Estimular e incentivar o processo aculturativo do elemento imigrante e seus dependentes;

IX. Lutar pelos direitos humanos de Liberdade, Igualdade, e Humanidade;

X. Respeita e fazer respeitar seus postulados iniciais, que tem como característica essencial a absoluta independência de sectarismo político, religioso e racial;

XI. Acatar e respeitar as leis e os poderes públicos legalmente constituídos, enquanto se mantiverem dentro dos princípios e do regime democrático vigente;

XII. Evitar todas as formas de vaidade e personalismo que buscam no Movimento Tradicionalista veículo para projeção em proveito próprio;

XIII. Evitar toda e qualquer manifestação individual ou coletiva, movida por interesses subterrâneos de natureza política, religiosa ou financeira;

XIV. Evitar que os núcleos tradicionalistas adotem nomes de pessoas vivas;

XV. Repudiar todas as manifestações e formas de exploração direta e indireta do Movimento Tradicionalista;

XVI. Prestigiar e estimular quaisquer iniciativas que, sincera e honestamente, queiram perseguir objetivos correlatos com os do Tradicionalismo;

XVII. Incentivar em todas as formas de divulgação e propaganda, o uso sadio dos autênticos motivos regionais;

XVIII. Influir na literatura, artes clássicas e populares e outras formas de expressão espiritual de nossa gente, no sentido de que se voltem para os temas nativistas;

XIX. Zelar pela pureza e fidelidade dos nossos costumes autênticos, combatendo todas as manifestações individuais ou coletivas, que artificializem ou descaracterizem as nossas coisas tradicionais;

XX. Estimular e amparar as células que fazem parte de seu organismo social;

XXI. Procurar penetrar e atuar nas instituições públicas e privadas, principalmente nos colégios e no seio do povo, buscando conquistar para o Movimento Tradicionalista Gaúcho a boa vontade e participação dos representantes de todas as classes e profissões dignas;

XXII. Comemorar e respeitar as datas efemérides e vultos nacionais e particularmente o 20 de setembro, como data máxima do Rio Grande do Sul;

XXIII. Lutar para que seja instituído, oficialmente, o Dia do Gaúcho, em paridade de condições com o Dia do Colono e outros "Dias" respeitados publicamente;

XXIV. Pugnar pela independência psicológica e ideológica de nosso povo;

XXV. Revalidar e reafirmar os valores fundamentais da nossa formação, apontando às novas gerações rumos definidos de cultura, civismo e nacionalidade;

XXVI. Procurar o despertar da consciência para o espírito cívico de unidade e amor à Pátria;

XXVII. Pugnar pela fraternidade e maior aproximação dos povos americanos;

XXVIII. Buscar, finalmente, a conquista de um estágio de força social que lhe dê ressonância nos Poderes Públicos e nas Classes Riograndenses, para atuar real, poderosa e eficientemente, no levantamento dos padrões morais e de vida de nosso Estado, rumando, fortalecido, para o campo e o homem rural, suas raízes primordiais, cumprindo, assim, sua destinação histórica em nossa Pátria.

Danças Gaúchas

Os ritmos executados no baile devem ser originais que preservem a autenticidade do folclore gaúcho de forte influência histórica européia e latino-americana. Quanto ao fandango antigo no Rio Grande do Sul as mais populares são: anu, balaio, queromana, tatu e tirana. No fandango atual são executados preferencialmente os seguintes ritmos do folclore vigente: marchas, vaneras, vanerões, xotes, milongas, rancheiras, polcas, valsas, chamamés e bugios.

Os ritmos de fandango são musicalmente ricos e variados permitindo evoluções belas e harmoniosas na dança, cada ritmo dança-se de um jeito e cada ritmo tem a sua característica própria de ser dançado. Sendo assim recomenda-se que o conjunto musical de fandango execute todos dos ritmos de forma variada e criteriosa sem distorcer um determinado ritmo acelerando-o para um efeito mais ágil e nem repetindo excessivamente o mesmo ritmo musical caindo na mesmice ou ainda descaracterizando-o quanto a sua forma original. Esses ritmos apresentam as seguintes características históricas:

Marcha Polonaise

“A Polonesa ou Polonesie é dança originária da Polônia que foi mencionada após o ano de 1675. Essa dança de conjunto teria se originado de uma marcha triunfal de antigos guerreiros poloneses. Nas áreas de colonização italiana e alemã, no Rio Grande do Sul, a Polonesie continua sendo a dança solene de abertura de bailes ou ponto culminante de festividades como: Festa do Rei do Tiro e Kerbs”.

Marcha

“No Brasil, teve origem nos blocos carnavalescos de rua, pois além de peças musical e coreográfica relacionada com o carnaval, o nome indica um dos passos do antigo 'Quicumbis' (Dança de Igreja)”.

Valsa

“Sua origem mais próxima vem das danças rústicas alpinas (Austria), destacando-se o Lãndler. Do campo a Valsa foi para as cidades, notabilizando-se, inicialmente em Viena. Expandiu-se por toda a Europa, porém, na França a Valsa assumiu feições próprias (lenta, lânguida, sentimental). No Brasil a Valsa foi cultivadíssima no século passado, desde o nível popular até o erudito”.

Rancheira

“É uma versão nacionalizada da Mazurca (Dança de origem polonesa) na Argentina, Brasil e Uruguai. ... No estilo da fronteira dança-se a Rancheira bem marcada com batida de todo o pé no chão, assemelhando-se assim os movimentos dos pares a um valseado. O gaiteiro quando toca segura mais a nota musical, dando mais extensão à nota. Liga (Legatto = ritmo constante). ... Na serra difere do estilo fronteiriço apenas na forma de executar, pois dança-se bem rápido e puladinho com acentuada marcação de todo o pé no tempo forte da música (1º tempo). O gaiteiro serrano faz uma sequência com interrupção da nota musical. (Stacatto = ritmo alternado)”.

Vanera

A Vanera, Vaneira ou ainda Havaneira tem origem na Habanera, ritmo cubano com o nome em referência a capital Havana (La Habana). É uma aculturação dos ritmos afros pelos cubanos, entretanto exportadas aos salões europeus especialmente os de Paris e Madri, foi dança de sucesso muito apreciada, difundida e preferida por compositores franceses e espanhóis. A Vaneira chegou no Brasil por volta de 1866 influenciando ritmos como o samba-canção brasileiro, e outros do fandango gaúcho tais como o vanerão, o limpa-banco e o bugio.

No Rio Grande do Sul a Vanera é um ritmo musical de andamento moderado, a coreografia é de dois passos para um lado (pé esquerdo) e um passo para o outro lado (pé direito), observando-se dois tempos musicais para ambos os lados.

A Vanera conquistou um espaço privilegiado entre os conjuntos musicais de fandango, sendo hoje, presença marcante e obrigatória em qualquer baile tradicional, praticamente sendo o ritmo básico do baile ou o mais executado no evento.

Vanerão

“... é uma música de andamento rápido, mas com acompanhamento e características típicas da Habanera”.

Bugio

O nome desse ritmo e os movimentos executados na dança são inspirados em um tipo de macaco muito astuto e popular que habita as regiões de matas no sul do país, o bugio.

É um autêntico ritmo gaúcho, criado e desenvolvido no Rio Grande do Sul, diferente dos demais que mesmo com suas adaptações são das mais diversas origens (geralmente européias). Não sabe-se ao certo mas, alguns dizem que o bugio surgiu de um erro do gaiteiro, outros dizem que foi da tentativa de imitar o ronco do bugio usando o jogo de fole da gaita.

Era dança da ralé (camada inferior da sociedade) comum nos bailes ´Bragados´ da região rural missioneira e nos meretrícios, mas tornou-se bastante popular passando a ser aceita até mesmo nas festas da alta sociedade. Atualmente o Bugio tem grande aceitação no meio tradicionalista e na maioria das festas populares do Rio Grande do Sul especialmente nas regiões das missões, no planalto médio e nos campos de cima da serra, mas parece perder espaço entre grupos musicais, mesmo sendo a dança de salão mais autêntica e gaúcha entre todas as coreografias e ritmos executados no baile tradicional.

A coreografia lembra os movimentos do macaco, dois passos para cada lado, cada compasso é binário e equivale a dois movimentos para cada lado, sendo que na passagem do segundo para o terceiro movimento no momento em que é dado o jogo de foles da gaita, os pares dão um pulinho lateral.

Xote

Segundo Baptista Siqueira, a Schottisch entrou no Brasil no início da década de 1850, difundindo-se pelo país. O nome da dança (é palavra alemã que significa escocesa) é enganoso, pois conforme o Grove´s Dictionary of Music and Musicians (5ª ed. 1955), do ponto de vista moderno é que essa dança nada tem a ver com a Escócia. É uma dança de procedência francesa com nome escocês. O compasso do Schottisch é binário ou quartenário e o andamento é rápido”.

Milonga

“Dança urbana de Buenos Aires, da mesma geração do Tango, mas com melodia e ritmo brejeiro. O sentido do termo provém da língua ”Bunda” da República dos Camarões, (Melunga = palavra, o plural é Milonga)”.

Chamamé

“Para o folclorista argentino Joaquim Lopez Flores, essa dança correntina (Província de Corrientes) teria nascido justamente da velha “Chimarrita” do Rio Grande do Sul (introduzida pelos açorianos)”.

Polca

“Dança de compasso binário em andamento vivo, originou-se no início do século passado, na Boêmia, fez sucesso na França e difundiu-se daí para outros países, inclusive o Brasil. Há vários tipos de modas coreográficas que deram a denominação à Polca, One Step, Polquinha, Limpa-banco, Arrasta-pé, Gasta-sola, Serrote, Polca das Damas (a moça tira o rapaz para dançar), Polca de Relação ou Meia Canha (os pares dizem versos um para o outro)”.

Danças Gaúchas, suas histórias e origens

Búgio

Tem sua origem reclamada por dois municípios, que tratam de divulgá-lo através de seus festivais: São Francisco de Assis (fronteira oeste) e São Francisco de Paula (região serrana) se consideram pais do Bugio. O processo de criação do Bugio foi inspirado no "ronco" do bugio, macaco que habita nossas matas, correndo sério risco de ser extinto. Da imitação desse ronco reproduzido pelo acordeon foi criado um novo ritmo que teria em São Chico de Assis, São Chico de Paula e de toda a região serrana um solo fértil para seu desenvolvimento. A maneira de dançar o Bugio também é inspirada nos movimentos desse macaco.

Chamamé

Chegou no Brasil pelo Rio Uruguai e sendo difundida pelas rádios argentinas no interior do Rio Grande do Sul, dando a conhecer valores como Ernesto Montiel e Tarragó Ros (pai) e muitas outras "legendas do Chamamé". Na realidade "el Chamamé" foi um feliz "contrabando" que chegou para fazer parte de nossa cultura. A interpretação do chamamé pode ser a solo ou em duo, sendo essa modalidade vocal mais apreciada. Podendo ser dançado aos pares ou sapateado em sua origem, o chamamé no Rio Grande do Sul se diferenciou na maneira que os bailadores daqui deram a este ritmo. Importante ressaltar é a versatilidade deste gênero, que vai desde um calmo chamamé- canção em tom maior ou menor, a um chamamé bem bagual em andamento bastante rápido quase uma polca. Vinculado ao chamamé está essa manifestação denominada "Sapukay" que nada mais é que o grito dado espontaneamente pelos chamameceros no momento em que lhes dá gana ou no final de cada tema.

Chamarrita

É um ritmo de origem açoriana e madeirense (arquipélagos portugueses no Atlântico). É executado em tom maior, com raras exceções em tom menor. A Chamarrita está entre o ritmos comuns às três pátria gaúchas: Argentina, Uruguay e Brasil. No Rio Grande do Sul, a Chamarrita está bastante identificada com costumes e temáticas campeiros. Além da Chamarrita mais galponeira, temos as versões mais executadas pelos conjuntos de baile, adaptadas a um ritmo mais bailável. A Chamarrita também é conhecida como Chamarra ou Chimarrita.

Milonga Arrabalera

Como o próprio nome diz: Milonga del "Arrabal" (urbana). Esta é a Milonga que mudou-se do campo para cidade, transformando-se em baile, muito apreciada nos bailes riograndenses. Por ser uma milonga de origem urbana, a temática estende-se desde o campo até a cidade, falando de temas de amor e cotidiano. A execução ao violão, já não é arpejada como a Milonga mas rasgueada como no Tango dando assim um ar mais bailável. Milonga "Milonga ritmo que pulsa no coração do Pampa. A palavra Milonga é de origem Bantú (povo que se localiza entre o Congo, parte da Angola e Zaire). Na África designa-se "Milongo" como um feitiço de amor, que as moças utilizam para atrair seus pretendentes. Costuma-se dizer: - Essa menina me fez um Milongo! A apresentação da Milonga em versos é feita de várias maneiras, sendo elas em quartetos, sextilhas, oitavas e décimas. Voltando à origem do ritmo da milonga nos deparamos com a célula rítmica encontrada em Cuba na "Contradanza Francesa", na "Danza Cubana" e na "Habanera". A mesma célula rítmica também chamada "Ritmo de Tango" ou "Tango Congo".

Rancheira

Este ritmo bem crioulo (autêntico) em compasso 3/4 encontra paralelo em vários outros gêneros Latino Americanos deste estilo, tais como o "Pericón" uruguaio ou o "Joropo" venezuelano. Outra característica que o aproxima da América Hispânica é o "Sapateado" que é uma das maneiras de se dançar a Rancheira. A maneira mais comum de se dançar a Rancheira é a marcação dos pares do ritmo como pequenos pulinhos ou "puladinho". Outra modalidade bastante apreciada pelos bailadores á a Rancheira de Carrerinha em que os pares alinhados executam várias coreografias em momento de grande descontração. Como em outros gêneros bailáveis do RGS a gaita (acordeon, cordeona) tem papel de destaque, sendo a solista principal e contando coma participação do violão ou gaita a meio do tema.

Rasguido Doble

Juntamente com o Chamamé, o Rasguido Doble é outro gênero que nos vem "contrabandeado" do litoral argentino, toda essa região compreendida entre os rios Uruguai e Paraná abrangendo províncias como Corrientes, Missiones e Santa Fé. O Rasguido Doble é um gênero bem diversificado. Pode ser executado de maneira bem cadenciada deixando a melodia fluir lentamente ou mais ligeiro. O nome Rasguido refere-se ao "rasgueado" violão que vai dar o acompanhamento necessário para sua parceria, a cordeona (acordeon), soltar-se em inspiradas melodias e acordes, sendo o Rasguido Doble cantado ou instrumental. Os principais responsáveis por trazerem este ritmo musical para as terras Riograndenses foram o missioneiros, cantores e guitarreirros como Noel Guarany, Cenair Maicá e Luís Carlos Borges, que sempre incluíram em seus repertórios vários Rasguidos como "El Rancho y la Cabicha", "Puente Pexoa" e "El Cosechero", este último do criativo compositor Rámon Ayala, da província de Missiones.

Vanera

A origem da Vanera é no ritmo cubano Habanera, que é como era grafado o ritmo. Da Habanera para atual Vanera, várias modificações foram feitas, na grafia e no andamento bem mais rápido, para se tornar bailável. Ao longo de mais de três décadas, os conjuntos de baile gaúchos (fandangos) vêm desenvolvendo com sua experiência e criatividade vários padrões rítmicos em seus instrumentos típicos: acordeon, guitarra, baixo, bateria e pandeiro. Quer em suas apresentações ao vivo ou em suas gravações. A Vanera conquistou um espaço privilegiado nos bailes gaúchos, sendo hoje, presença marcante e obrigatória em qualquer Fandango que se preze.

Vanerão

Também conhecido como limpa banco, tem o andamento mais rápido do que a Vanera. O Vanerão presta-se para o virtuosísmo do gaiteiro de gaita piano ou botonera (voz trocada), sendo assim muitas vezes um tema instrumental. Quanto a forma musical, o vanerão pode ser construído em três partes (rondó), utilizado em ritmos tradicionais brasileiros como o choro e a valsa. Quando cantado, dependendo do andamento e da divisão rítmica da melodia, exige boa e rápida dicção por parte dos intérpretes. O Vanerão com sua vivacidade exige bastante energia, tantos dos músicos, como dos bailadores de fandango.

Xote

O Xote gaúcho tem origem no 'schotis' europeu e sofreu aqui algumas mudanças que são naturais a qualquer manifestação cultural que tenha migrado de um continente a outro com características distintas, porém sem perder a essência de seu precursor europeu dotado de inspiradas melodias. É um dos poucos ritmos de andamento quaternário que se tem aqui no RGS, sendo que a melodia está em divisão de colcheias pode em certas partes dobrar para semi colcheias, o que serve para os executantes demonstrarem todo seu virtuosismo, principalmente o acordeon, o violão ou guitarra. Por seu andamento médio, o xote dá condições a que os pares dancem de maneira figurada realizando as mais variadas coreografias. O Xote com sua vivacidade e alegria é um gênero, cantado ou instrumental indispensável nos bailes gaúchos.

Dança dos Facões

Danças de esgrima, em que, ao invés de porretes ou bastões, se usam espadas ou facas de verdade, são registradas na Ásia, na Europa Oriental, na África muçulmana, em regiões onde se encontram aglomerados predominantemente masculinos. Cada dançarino mune-se de dois facões, afiados, e as evoluções exigem destreza, acuidade, reflexos rápidos.

Chula

A Chula Dança muito difundida em Portugal e também dançada pelos Açorianos. A Chula caracteriza-se pela agilidade do sapateio do peão ou diversos peões, em disputas, sapateando sobre uma lança estendida no salão. A chula era dançada apenas por homens e sempre em desafio. Citada como espécie de jogo típico dos gaúchos por Nicolau Dreys em seu livro "A notícia descritiva da Província do Rio Grande de São Pedro do Sul" é, provavelmente, originária do Minho e do Douro, do folclore português, embora alguns estudiosos relacionem-na com o Lundú ou o Baião, com relação à música.

A chula tradicional era dançada da seguinte forma: Dois dançarinos ficavam frente a frente tendo entre si uma lança de quatro metros de comprimento. Um dos oponentes executava uma seqüência de difíceis passos coreográficos indo até a extremidade oposta da lança e retornando ao seu lugar de origem. Ao segundo oponente cabia, então, repetir o passo do primeiro e fazer um mais difícil, ao que o seu oponente deveria proceder da mesma forma. Perdia a disputa aquele que saísse do ritmo, errasse o passo, perdesse o ritmo ou chutasse a lança. Ultimamente suas regras foram modificadas, adaptando a chula aos campeonatos regionais, os rodeios, mas a idéia de criatividade e difícil execução dos passos como objetivo da disputa foi mantida, o que a tem tornado o concurso individual mais procurado do meio tradicionalista.

Malambo

O malambo é, assim como a chula, uma dança de desafio, proveniente de nossos irmãos gaúchos platinos. Existem diversos tipos de malambo, de acordo com a região platina em questão. Os mais conhecidos entre nós são o Norteño, com passos curtos e música dividida em seções de quatro compassos musicais e o Sudeño, com passos alternados um pouco mais longos e outros tão breves quanto os do Norteño. Para quem dança, o famoso papito-pá-pá" define muito bem esse estilo de malambo quanto ao ritmo.

Existem variantes dos mais diversos tipos para o malambo, sendo que uma das mais engraçadas aos olhos do público e ao mesmo tempo uma das de mais difícil execução é a simulação da doma pelo peão, onde este finge estar montando "em pêlo" um cavalo bravio, ou caballo cimarrone, e tem que se manter em cima do lombo do animal durante seu corcovo. Quanto mais agitar os braços durante a execução dos passos, maior a habilidade do "domador" em vencer o animal. Mas é claro que essa é apenas uma das variantes existentes para a dança do malambo. O malambo está presente em nosso meio tradicionalista sob a forma de apresentações de alguns grupos de dança, uma vez que não existem concursos dessa modalidade nos rodeios e festivais dos gaúchos Rio-grandenses, pelo menos por enquanto, pois a cada dia, têm sido mais incorporado ao nosso folclore, por sermos de uma cultura irmã proveniente.

Manual das Danças de Fandango Gaúchas

Cada época e cada povo só dança, as danças que refletem seu espírito. O espírito das danças gaúchas é o espírito do lar, da fidalguia e de respeito à mulher. Através das danças o gaúcho extravasa toda a sua teatralidade e desenvolve sua identidade espiritual.

As danças a seguir apresentadas são gaúchas não porque tivessem se originado inteiramente no ambiente campeiro, mas porque o gaúcho recebendo-as de onde quer que fosse, lhes deu música, detalhes, colorido e alma nativa.

: : Giro ou Giro-Saudação : :

Após o rapaz convidar a moça para dançar, oferecendo-lhe um lenço ou sua mão, ele a conduz até o lugar onde iniciarão a dança.

Chama-se giro-saudação ou, simplesmente, giro, o ato pelo qual a moça, tomada pela mão direita de seu companheiro, realiza uma volta inteira em torno do próprio corpo ( girando sobre a ponta do pé esquerdo ou executando passos ), sob o braço esquerdo.

No preciso momento em que a moça completa a volta, o par solta-se das mãos e efetua um respeitoso cumprimento: a mulher realiza uma pequena flexão de joelhos e o homem inclina levemente a cabeça ao mesmo tempo que torna a guardar, entre o cinto e a camisa, o pequeno lenço utilizado para convidar sua companheira para a dança.

: : Marcha : :

A marcha assim como o samba foram produtos do carnaval.

Segundo Paixão Côrtes e Barbosa Lessa em sua obra "Danças e Andanças da Tradição Gaúcha " diz o seguinte: "Marcha além de peça musical e coreográfica relacionada com o carnaval (marchinha carnavalesca) o nome indica um dos passos do antigo Quicumbis".

Os Passos de Marcha são basicamente 1 e 1 e são dados alternadamente, com um pé e outro, um passo para cada tempo da música, como se o dançarino marchasse ou caminhasse. Podem ser dados para a frente, para trás ou em curva. Quando pequenos passos de marcha são dados em curva quase no mesmo lugar, fecham um giro.

: : Polca : :

Esta dança européia, proveniente da Boêmia, tornou-se famosa e dominou os salões na segunda metade do século XIX. No Rio Grande do Sul era tipicamente tocada com o acordeom e serviu para dançar vários tipos de modas coreográficas, entre elas:

Polquinha, Limpa-banco, Arrasta-pé, Polca das damas, Polca das cadeiras, Polca do bastão, Polca de relação ou meia canha.

O passos da polca podem ser dirigidos para frente e para trás, para os lados, em curva ou em diagonal.

A única característica de sua execução é a pausa entre um passo-de-polca e outro passo-de-polca.

: : Rancheira : :

Derivada da Mazurca, é uma dança Polaca que chegou à França no século XIX, lá ganhou algumas características e assim chegou ao Brasil, Argentina e Uruguai. No Rio Grande do Sul, em certas regiões a Rancheira é denominada "Terol", mas não há diferença musical entre as duas.

Os Passos de Rancheira são compostos de dois passos-de-juntar, um para a esquerda e outro para a direita.

Passo-de-juntar

- para a esquerda: pé esquerdo dá um passo para a diagonal esquerda e o pé direito vem se juntar a ele.

- para a direita: pé direito dá um passo para a diagonal direita e o pé esquerdo vem se juntar a ele.

No final do passo-de-juntar à esquerda faz-se uma marcação no lugar, de toda planta do pé que primeiro se afastou e a seguir faz-se o novo passo-de-juntar `a direita com nova marcação.

E assim sucessivamente.

Um passo de Rancheira corresponde a seis movimentos.

::Rancheira da fronteira::

Dança-se a rancheira com passos bem marcados, isto é, a marcação é feita com forte batida de toda planta do pé e isso faz com que o corpo gingue de um lado para o outro.

::Rancheira do litoral::

Dança-se o Terol, com passos rápidos e largos: uma série de passos para a frente e uma série de passos para trás. É dançado puladinho, bem rápido e faz-se a marcação com forte batida de toda planta do pé.

Tem-se a impressão de que o peão está empurrando violentamente a prenda e de que esta, em seguida, passa a empurrá-lo.

Obs.: Durante a execução da dança, os peões podem vir a sapatear.

: : Chote : :

Trazido pelos imigrantes alemães (1824), o "schottisch" , enraizou-se no Brasil, por volta de 1850, juntamente com a Polca e a Valsa. Em Paris abriu caminho para a renovação da danças de pares enlaçados. Nota-se em seu ritmo um certo parentesco com o da Polca, mas um pouco mais lento. O Chote coincidiu com a difusão da gaita como instrumento musical e se tornou a dança de pares enlaçados preferida do gaúcho, podendo também ser dançado "se largando" em chotes afigurado.

:: Chote tradicional::

Faz-se através de três movimentos iniciados com o pé esquerdo (primeiro movimento), que é dado em dois tempos da música (um compasso), portanto um pouco lento e largo, os segundos e terceiros movimentos são efetuados um para cada tempo da música, sendo assim mais rápidos e curtos, dentro do ritmo do Chote.

::Chote afigurado::

O peão alcança sua mão direita à mão esquerda da prenda, sendo que os dois estão postos face a face.

Peão realiza 3 passos de marcha para a esquerda, movimento de ida e o quarto passo fica elevado no ar. (peão e prenda podem realizar uma batida de pé no chão, mas este logo deverá se elevar, não terão o peso do corpo, pausa musical). O movimento de retorno é iniciado pelo pé que está elevado (quarto movimento), repetindo a mesma marcação da ida.

A figura do chote afigurado é feita ao se iniciar a nova marcação para a esquerda do peão. O número de figuras que podem ser executadas é praticamente infinito, dependendo da criatividade dos dançarinos.

: : Vaneira : :

Tem sua origem na habanera, ritmo dançado pelos negros de Cuba e Haiti. Foi exportada para a Espanha e de lá veio para o Brasil, fazendo muito sucesso depois da Polca, Chote e da Mazurca.

No Rio Grande do Sul, chamou-se Vaneira e com alterações de andamento na execução, surgem diversas variantes: vaneirão, vaneirinha, vaneira grossa...

É dançada uma pouco mais rápido que o chotes e mais lenta do que a vaneirinha e o vaneirão.

Os movimentos dos passos de vaneira são idênticos ao do chote tradicional, cujos pares dançam enlaçados e não fazendo as figuras.

: : Vaneirinha : :

É uma variante da vaneira criada pelos gaiteros rio-grandenses.

Seu ritmo é executado um pouco mais rápido que a vaneira e mais lento que o vaneirão.

Os passos da vaneirinha são idênticos aos da vaneira, dançados um pouco mais rápidos.

: : Vaneirão : :

É uma variante da vaneira. Sua música é executada num rítmo rápido que é o que o distingue da vaneira e da vaneirinha.

Os passos de vaneirão sãoiguais aos passos da vaneira, apenas com andamento mais rápido.

: : Bugio : :

O Bugio é essencialmente brasileiro. Nasceu no Rio Grande do Sul, nos braços do gaiteiro Wenceslau da Silva Gomes, conhecido como Neneca Gomes, nas serras do Mato Grande, distrito de São Francisco de Assis em 1928. Neneca com uma gaita de botão começou a imitar o som emitido por um macaco, conhecido como bugio. Nasceu o ronco do bugio.

O tema desenvolveu-se mais em função da dança, tendo por inspiração o caminhar do Bugio. Foi considerada como dança de pessoas de baixo nível.

Hoje, seccionadas os aspectos sensuais, é muito executada nos bailes tradicionalistas.

O Bugio foi incorporado ao repertório musical do Rio Grande do Sul e teve inúmeras gravações, sendo que em 1955 os Irmãos Bertussi levaram o primeiro Bugio ao disco, gravando "o casamento da Doralícia".

Quanto aos passos do Bugio, sua movimentação é idêntica a da vaneira. A diferença está na passagem do segundo para o terceiro movimento do passo, onde os dançarinos dão um pulinho e tiram os dois pés do chão.

Este movimento se dá justamente quando ocorre a puxada característica do Bugio que é o jogo que o gaiteiro faz na baixaria e com o fole da gaita, tirando um som que lembra o ronco do bugio. O bugio é dançado meio de lado, imitando o caminhar típico desta espécie de macaco.

: : Milonga : :

Ritmo de origem provavelmente africana, com passagem pela Espanha. Há registros de seu aparecimento, na Argentina, por volta de 1870, sendo que popularizou-se também no Uruguai e Rio Grande do Sul, desrespeitando fronteiras. Caracteriza-se pela marcação no terceiro tempo da música.

Seu ritmo assemelha-se ao tango argentino.

Passos de milonga: conhecido normalmente como o 2 e 1.

O pé esquerdo avança para o lado esquerdo, tocando o solo (um passo).

O pé direito avança para se juntar ao pé esquerdo, tocando o solo (um passo).

O pé esquerdo avança para o lado esquerdo, tocando o solo (um passo).

Pausa, durante a qual o pé direito faz a marcação, avançando para o lado direito e dando um passo. E assim sucessivamente.

: : Chamamé : :

A polca européia sofreu modificações nos países do Prata (em especial na Argentina), passando a Ter compasso ternário e andamento mais lento. Com o passar do tempo, chamou-se "polca correntina" e após recebeu o nome guarani - chamamé - que significa "improvisação".

O chamamé faz parte do grupo das danças de pares enlaçados, no Rio Grande do Sul foi ganhando forma, moldando-se através dos tempos.

Os Passos do chamamé se assemelham ao passo de polca e de rancheira, apenas num ritmo um pouco mais lento.

: : Valsa : :

Originada das danças rústicas Alpinas da Áustria; foi soberana na Europa. A valsa veio abrir caminho para uma última geração coreográfica, que chegou até nossos dias: as danças de pares enlaçados.

Há uma hipótese de que a valsa brasileira sofreu influência da valsa francesa, ganhando aqui feições próprias.

Tradicional: é formado por dois passos-de-juntar, dados num sentido e noutro, alternadamente. Um passo de valsa é composto de quatro movimentos, dados para um e outro lado, mas na sua forma tradicional faz-se em giro ou em curva.

Clássico: é executado mediante três movimentos, sempre em giro, para um lado e outro. São feitos três passos em três tempos musicais, um para cada tempo.

Campeiro: na sua execução são utilizados os dois passos acima descritos. Seu andamento é mais rápido e a sua movimentação pode ser para a frente, para trás, no lugar e em giros para um lado e outro.

Fonte: Apostila da Academia de Danças Gaúchas Calhandra de Ouro

Adágios Gauchescos

 

Ø Abichornado...

- como urubu em tronqueira.

- viúvo que se deu bem em casamento.

Ø Mais afiada...

- que língua de sogra.

- que navalha de barbeiro caprichoso.

Ø Alegre...

- como lambari de sanga.

- que nem paisano a meia-guampa.

Ø Amarga...

- como erva caúna.

Ø Mais amontoado...

- que uva em cacho.

Ø Mais ansioso...

- que anão em comício.

Ø Mais apertado...

- que queijo em cincha.

- que bombacha de fresco.

- que rato em guampa.

Ø Mais apressado...

- que cavalo de carteiro.

Ø Mais arisco...

- do que china que não quer dar.

Ø Assanhado...

- como solteirona em festa de casamento.

- como lambari de sanga.

- como ganso novo em taipa de açude.

Ø Mais assustado...

- que cachorro em canoa

- que cavalo passarinheiro.

- guri em cemitério

Ø Mais atirado...

- que alpargata em cancha de bocha.

- capataz de estância grande

Ø Mais atoa...

- que guri no mato.

Ø Atrapalhado...

- que nem cego em tiroteio.

- que nem sapo em cancha de bocha.

- feito discurso de turco

Ø Mais atrasado...

- que risada de surdo.

Ø Babava...

- como boi com aftosa.

Ø Tão baixinho...

- que quando peida levanta poeira do chão.

Ø Baixo como...

- vôo de marreca choca.

- tamborete de china.

- umbigo de cobra.

- barriga de sapo.

Ø De boca aberta...

- que nem burro que comeu urtiga.

Ø Bom...

- como namoro no começo.

- como faca achada.

Ø Bonita...

- que nem laranja de amostra.

Ø Buliçoso...

- como mico de viúva.

- como gato de moça velha. Cara amarrada...

- como pacote de despacho.

Ø Chato...

- como chinelo de gordo.

- como colchão de gordo

- que nem gilete caída em chão de banheiro.

Ø Cheio...

- como corvo em carniça de vaca atolada.

- como penico em dia de baile.

- como barril de chopp em festa de crente.

- como bolsa de china.

- como mala de contrabandista.

Ø Cheirando bem...

- como cogote de noiva.

Ø Cobiçada...

- como anca de viúva nova e bonita.

Ø Mais Colorida...

- do que bombacha de turco.

Ø Mais comprido...

- que putiada de gago.

- que trova de gago.

- que esperança de pobre.

- que suspiro em velório.

- que cuspe de bêbado.

Ø Mais conhecido...

- do que parteira de campanha.

- que feijão em cardápio de quartel

Ø Mais constrangido...

- que padre em puteiro.

Ø Contrariado...

- como gato a cabresto.

Ø Coxuda...

- como leitoa no engorde.

Ø Mais curto...

- que coice de porco.

- que estribo de anão.

Ø Desconfiado...

- como cego que tem amante.

Ø Devagarzito...

- como enterro de viúva rica.

Ø Mais difícil...

- que nadar de poncho e dormir de espora sem rasgar lençol.

Ø Dinheiro na mão de pobre é...

- como cuspe em ferro quente.

Ø Dorme...

- atirado que nem lagarto.

Ø Mais duro...

- que salame da colônia.

Ø Engraxado

- que nem telefone de açougueiro.

Ø Empacado...

- como burro de mascate.

Ø Mais encolhido...

- que tripa grossa na brasa.

Ø Enfeitado...

- como bidê de china.

- como bombacha de turco.

- como mula de mascate.

- como carroça de cigano.

- como quarto de china.

- como santo milagroso.

- como guaiaca de gringo.

Ø Mais enrolada...

- que lingüiça de venda .

- que namoro de cobra.

Ø Mais entravado...

- que carteira de sovina.

Ø Esburacado...

- como poncho de calavêra.

Ø Escasso...

- como pêlo em recavém de touro .

- como passarinho em zona de gringo.

Ø Esfarrapado...

- que nem poncho de gaudério.

Ø Esparramados...

- como dedos de pés que nunca entraram em botas.

- que pé de gringo.

Ø Extraviado...

- que nem chinelo de bêbado.

Ø Faceiro...

- que nem ganso novo em taipa de açude.

- como pica-pau em tronqueira.

- como mosca em tampa de xarope.

- como guri de tirador novo.

- como passarinho velho em gaiola nova.

- como lambari em poça d’água.

Ø Mais fechado...

- que baú de solteirona.

Ø Mais fedorento...

- que arroto de corvo.

Ø Feia...

- como mulher de cego.

Ø Mais feio...

- que indigestão de torresmo.

- que rodada de cusco em lançante.

- que briga de foice no escuro.

- que paraguaio baleado.

- briga de touro.

- facada na bunda

- tombo de mão no bolso.

- que sapato de padre.

Ø Feliz...

- como pinto no lixo.

- como puta em dia de pagamento de quartel

- como milico em dia de soldo

Ø Mais Fino

- do que assobio de papudo.

Ø Firme...

- que nem palanque em banhado.

- que nem prego em taquara.

- como beliscão de ganso.

Ø Folgada...

- como luva de maquinista, que qualquer um mete a mão.

- como peido em bombacha.

- como cama de viúva.

Ø Mais por fora...

- que surdo em bingo.

- que cabelo de côco.

- que cotovelo de caminhoneiro.

Ø Mais forte...

- do que peido de burro atolado.

- que porteiro de cabaré.

Ø Frio...

- de empedrar água do poço.

Ø Ganiçando...

- como cusco que levou água fervendo pelo lombo .

Ø Mais gasto...

- que fundilho de tropeiro.

Ø Gordo e lustroso...

- como gato de bolicheiro.

- como cusco de cozinheira.

Ø Mais Gordo..

- que noivo de cozinheira.

Ø Mais gostoso...

- que beijo de prima.

Ø Mais grosso...

- que nem toco de açougue.

- que dedo destroncado.

- que parafuso de patrola.

- que papel de enrolar prego.

- que mandioca de dois anos.

- que rolha de poço.

Ø Mais grudado...

- que bosta em tamanco de leiteiro.

Ø Mais informado...

- que gerente de funerária.

- Alma inquieta ...

- como galho de sarandi tocado pelo vento.

Ø Mais intrometido...

- que piolho na costura.

Ø Judiado...

- como filhote de passarinho em mão de piá.

Ø De alma leve...

- como um passarinho.

Ø Mais ligeiro...

- que enterro de bexiguento.

Ø Liso

- como sovaco de santo.

Ø Louco...

- como galinha agarrada pelo rabo.

Ø Mais magro...

- que guri com solitária.

Ø Maldoso...

- como petiço de guri.

- que rato de igreja.

- que sorro de grota.

Ø Mais Medroso...

- que velha em canoa.

- que cascudo atravessando galinheiro.

Ø Mais metido...

- que merda em chinelo de dedo.

- que dedo em nariz de piá.

Ø Nervoso...

- como potro com mosca no ouvido.

- como gato em dia de faxina.

Ø Mais nojento...

- que mocotó de ontem.

Ø Pacensioso

- como gato de bolicheiro.

Ø Parado

- que nem água de poço .

Ø Mais perdido...

- que peido em bombacha.

- que cusco em procissão.

- que cego em tiroteio.

Ø Perfumado...

- como mão de barbeiro.

Ø Pior...

- que jacaré sem lagoa.

- que cusco que caiu do caminhão da mudança.

Ø Quente...

- como frigideira sem cabo.

Ø Rebola mais...

- que minhoca nas cinzas.

Ø Sabido...

- como sorro velho.

Ø Seca...

- como tiro de 12 cano-serrado.

Ø Sério...

- que nem defunto.

- feito delegado em porta de baile.

- que nem guri cagado.

- como guri que examina galinha para ver se tem ovo.

Ø Sincero...

- como vaca pro touro.

Ø Sofrendo...

- como joelho de freira na Semana Santa.

Ø Sólita...

- como galinha em gaiola de engorde.

Ø Mais sujo que...

- pau de galinheiro.

Ø Sutil...

- como gato que vai pegar passarinho.

Ø Tradicional...

- como embalagem de Maisena.

- como fórmula de Minâncora.

Ø Tranqüilo...

- que nem cozinheiro de hospício.

- como água de poço.

- como capincho em taipa de açude.

Ø Mais vagaroso...

- que tropeiro de lesma.

Ø Mais virado...

- que bolacha em boca de velha.

Ø Mais à vontade...

- que bugio em mato de boa fruta.

Ø Vivo...

- como cavalo de contrabandista.

Ø Mais velho...

- que andar de pé.

Ø Mais apagado...

- que fogão de tapera

Ø branco...

- como aipim descascado

Ø mais caro que...

- argentina nova na zona

Ø cara amarrada...

- como pacote de despacho

Ø chorão como..

- terneiro novo

Ø doído...

- como guasqueaço em testa de negro, em comércio de carreira

Ø se espalhou...

- como pó de mangueira em pé de vento

Ø falso feito..

- cobra engambelando sapo

Ø firme...

- que nem palanque em banhado

- que nem prego em taquara

- feito prego em polenta

- como beliscão de ganso

Ø leve feito...

- pisada de gato

Ø Mais medroso ...

- que velha em canoa

- que cascudo atravessando galinheiro

Ø vermelho...

- feito pitanga madura

ORAÇÃO DO GAÚCHO

Pai Nosso

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo; e com licença Patrão Celestial.

Vou chegando, enquanto cevo o amargo de minhas confidências, porque ao romper da madrugada e ao descambar do sol, preciso camperear por outras invernadas e repontar do Céu, a força e a coragem para o entrevero do dia que passa.

Eu bem sei que qualquer guasca, bem pilchado, de faca, rebenque e esporas, não se afirma nos arreios da vida,

se não se estriba na proteção do Céu.

Ouve, Patrão Celeste, a oração que te faço ao romper da madrugada e ao descambar do sol:

"Tomara que todo mundo seja como irmão! Ajuda-me a perdoar as afrontas e não fazer aos outros o que não quero para mim".

Perdoa-me, Senhor, porque rengueando pelas canhadas da fraqueza humana, de quando em vez, quase sem querer, eu me solto portera afora... êta potrilho chucro, renegado e caborteiro...mas eu te garanto, meu Senhor,

quero ser bom e direito! Ajuda-me, Virgem Maria, primeira prenda do Céu.

Socorre-me, São Pedro, Capataz da Estância Gaúcha.

Prá fim de conversa, vou te dizer meu Deus, mas somente pra ti, que tua vontade leve a minha de cabresto pra todo o sempre e até a querência do Céu.

Amém!!!

 

Ave-Maria do Peão

Ao reponte do sol que descamba, o dia se aprochega do arremate

pelos campos e nos matos da querência, no revoar da bicharada voltando aos ninhos é hora de recolhimento.

No rancho que há no interior de mim mesmo, eu, gaúcho de fé, me arrincono e medito.

Despindo o poncho da vaidade e do orgulho, tiro o chapéu, apago o pito

e me achego pra uma prosa com o patrão maior.

Na sua presença meu sangue quente de farrapo se faz manso caudal.

Entrego-lhe minha alma, afoita de alcançar lonjuras e abrir cancha em busca do destino.

Renuncio a minha xucra rebeldia e me faço doce de volta e macio de tranco para dizer-lhe:

Gracias patrão por tudo que me deste, por esta querência Senhor,

que meus ancestrais regaram com seu sangue, e que aprendi a amar desde já.

Pelos meus parceiros desta ronda da vida sempre de prontidão para me amadrinharem

na campereada mais custosa ou para matearem comigo na hora do sossego.

Reparte com eles, patrão, esta fé que me deste e este orgulho pela minha querência,

ajuda patrão a manter acesa esta chama, concede sempre ao gaúcho a força no braço

e o tino prá saber o que é correto.

Dá-nos consciência para preservar a nossa cultura livre da invasão dos modismos,

conserve a essência e a beleza da nossa tradição.

E agora, com licença patrão, que vou aproveitar a olada para um dedo de prosa com Nossa Senhora.

Ave Maria, primeira prenda do céu, contigo está o Senhor,

na estância maior tu és bendita entre todas as prendas

e bendito é o piá que trouxeste ao mundo... Jesus.

Maria, mãe de Deus e mãe de todos nós,

roga pela querência e pelos gaudérios que aqui moram,

nesta hora e no instante da última cavalgada.

Amém!!!

INFORMES DO TRADICIONALISMO

No início, quando toda a atividade se resumia à extração do couro do gado selvagem, os habitantes do pampa eram designados como guascas, palavra que significa tira de couro cru.

Só mais tarde, por volta de 1770, de acordo com o historiador argentino Emilio Coni, vai aparecer o termo gaudério, aplicado aos "aventureiros paulistas que desertavam das tropas regulares para se tornarem coureadores e ladrões de gado".

Considerado pioneiro nas pesquisas sobre o tema, Coni afirma que a expressão "gaúcho" torna-se corrente nos documentos a partir de 1790 como sinônimo de gaudério e também para designar os ladrões de gado que atuavam nos dois lados da fronteira.

O pesquisador uruguaio Fernando Assunção informa ter encontrado em 1771 uma correspondência ao governador Vertiz, de Buenos Aires, pedindo providências contra "alguns gahuchos" que andavam assaltando estâncias e roubando na região.

Uma coisa é certa: até a metade do século dezenove, o termo gaúcho era ainda depreciativo, "aplicado aos mestiços de espanhol e português com as índias guaranis e tapes missioneiras". Saint Hilaire, nos seus minuciosos apontamentos de 1820, ainda menciona "esses homens sem religião nem moral, na maioria índios ou mestiços que os portugueses designavam pelo nome de Garruchos ou Gahuchos".

Quanto à origem da palavra, há muitas divergências. Alguns autores afirmam que o termo gaúcho vem do Guarani. Significaria "homem que canta triste", aludindo provavelmente à "cantilena arrastada dos minuanos".

A maioria dos autores rio-grandenses, no entanto, aceita outra explicação: seria uma corruptela da palavra Huagchu, de origem quêchua, traduzida por guacho, que significa órfão e designaria os filhos de índia com branco português ou espanhol, "registrados nos livros de batismo dos curas missioneiros simplesmente como filho de fulano com uma china das Missões", de acordo com Augusto Meyer.

A Cozinha Gaudéria

A cozinha gauchesca é rica, variada e desconhecida. O gaúcho campeiro é essencialmente um devorador de carne, com pratos preparados com carne de boi, ovelha, porco e galinha, com exceção do morador da região litorânea, e evidentemente na Semana Santa, quando são feitos os pratos à base de peixes, e o gaúcho se tornapescador em rios e lagoas, visto que de quarta-feira em diante, nesta semana, substitui a carne pelo pescado, retornando às suas origens alimentares com o tradicional cordeiro assado no Domingo de Páscoa.

A cozinha gaúcha conta com mais de uma centena de pratos típicos, sofrendo a influência da colônia alemã e da italiana. Curiosamente,não existe relação com a culinária de origem portuguesa, indígena ou castelhana.

Apesar de rica e variada, não podemos nos esquecer que este era oalimento do gaúcho de bota, bombacha e cavalo na dura lida campeira. Hoje, grande parte dos gaúchos trocou o "pingo" pelo automóvel, o laço do dia a dia pelo esporte no piquete de laçadores, a atividade de carnear pelo balcão do açougue, e fizemos a terrível descoberta do colesterol...

Não é o caso de um gaudério como eu, que alço a perna na cadeira estofada, preparo o meu teclado e rodo o mundo na internet... então o velho ditado: "Todo excesso é perigoso"... reserve esses quitutes para os finais de semana, sempre regado ao bom mate.

Para aqueles que já sentem o peso da idade, ou que se emocionam quando ouvem a música "Veteranos", cuidado, é bom ler também o texto bem retratado na poesia "Penúltima China" do grande Antônio Augusto Fagundes, onde em certa estrofe diz: "... e adeus canha do bom tempo... de cigarro, nem te falo... não mais pular a cavalo, agüentar uma briga... agora é dor de barriga, pressão alta, desconforto, míope, vesgo ou torto. Não come churrasco gordo, nem chega perto do sal, la pucha que no final, o homem, velho animal, é o mesmo que um burro morto...

O que é um CTG

Os Centros de Tradições Gaúchas (CTG) são sociedades sem fins lucrativos, que buscam divulgar as tradições e o folclore gaúcho. É um local de integração social dos tradicionalistas.

Nestas entidades, a maioria dos trabalhos é voluntária. Nos fandangos, almoços e jantares toda a preparação fica a cargo das famílias dos associados, desde o churrasco até o arroz carreteiro. Nos CTG's acontece o encontro de gerações, pois convivem netos, pais e avós. Ali se ensina, se aprende, se trabalha e se diverte. É o local de fandangos (bailes), de churrascadas, sarau de prendas, etc.

Esse convívio de gerações ajuda a melhorar o relacionamento entre pais e filhos, a desenvolver o respeito e também a responsabilidade, aprender o que é a hospitalidade e a solidariedade e despertar o civismo e o amor à Pátria.

Fogo de Chão

As longas noites de inverno, nas primitivas tribos indígenas levaram os nativos a descobrir o "Fogo de Chão". Próximo de suas ocas construíam locais onde as famílias reuniam-se ao redor do fogo.

As brasas incandescentes eram um verdadeiro convite para o doce aconchego, quando o frio parecia congelar o ideal, a vida e o próprio tempo.

As lidas campeiras passaram a ser o tema central, enquanto o chimarrão corria de mão-em-mão. O "Fogo de Chão" aquecia o sentimento nativo do mestiço, projetando-se o ideal campeiro do gaúcho e isso foi passado de geração para geração. Ao redor do "Fogo de Chão", nas rodas de chimarrão, foram tomadas grandes decisões históricas do Rio Grande do Sul.

A convivência galponeira é tão tradicional no Rio Grande do Sul, que numa fazenda chamada Boqueirão em São Sepé, um "Fogo de Chão" é mantido aceso há mais de duzentos anos. A fazenda Boqueirão fica no distrito de Vila Block, município de São Sepé a 260 km de Porto Alegre. O fogo é alimentado por toras de madeira de lei chamadas guarda-fogo ou lenha de combustão, o que permite que a chama se mantenha acesa enquanto todos dormem. A história conta que este fogo foi aceso por um índio charrua ou por um negro escravo e mantido ao longo do tempo devido inicialmente às dificuldades de se fazer fogueiras, e, posteriormente como forma de ver-se mantidos os caprichos do Patrão. A chama acesa arde constantemente num galpão com estrutura de 1818, tornando-se hoje centro de romarias nativistas e tradicionalistas.

O Laçador

O Monumento "Laçador" foi criado por Antonio Caringi, inaugurado em 20/09/1958, no Largo do Bombeiro, em Porto Alegre - RS, tendo por modelo Paixão Côrtes. Este monumento possui 4,45 metros e está assentado num pedestal de granito, totalizando 6,55 m e pesando 3,8 toneladas.

João Carlos D'Avila Paixão Côrtes, nasceu em 12/07/1927 em Sant'Ana do Livramento - RS, é engenheiro agrônomo, mas tornou-se mundialmente conhecido como estudioso da Tradição Rio-Grandense, com um sem número de trabalhos aprovados em Congressos Tradicionalistas, sendo o maior divulgador da tradição gaúcha na América do Sul.

Paixão Côrtes iniciou cedo pesquisas do folclore rio-grandense, registrando com gravadores, filmadoras e máquinas fotográficas todo o rico material da cultura do homem campesino gaúcho. Pesquisa essa que estendeu-se até peças originais de museus como o Louvre, de Paris, do Museu do Trajo Português, de Lisboa, Museu do Prado, de Madri, Museu Militar, da Escócia, Victória and Albert, de Londres, e tantos outros da América do Sul.

Paixão Côrtes é o se que pode chamar de tradicionalista de primeira Hora, visto ter sido integrante do "Grupo dos Oito", que fundou o "35 - CTG" em 1948, que foi o primeiro CTG fundado, originando daí todo o Movimento Tradicionalista do qual fazemos parte com tanto orgulho.

É criador dos símbolos da "Chama Crioula", do "Candeeiro Crioulo" e da "Semana Farroupilha".

Em 1953, fez nascer o famoso conjunto folclórico "Tropeiros da Tradição", iniciando assim uma nova era profissional na projeção folclórica das danças e temas nativos. Na área discográfica atuou em 7 (sete) long-plays cantando, com os quais recebeu prêmios como, melhor Realização Folclórica Nacional (1962) e melhor Cantor Masculino do Folclore do Brasil (1964).

Como comunicador, Paixão Côrtes tem mais de 40 anos de dinâmica atividade, atuando em conceituados programas de rádio Rio-Grandenses, sendo o criador, com Darcy Fagundes do famoso "Grande Rodeio Coringa" em 1955, programa esse que reformulou a programação gauchesca de auditório do Rio Grande. Paixão Côrtes é responsável também pelo surgimento de "Festa de Galpão"(1953), "Festança da Querência"(1.958), "Domingo com Paixão Côrtes" e "Querência", estes dois últimos em plena vigência na rádio Guaíba.

Atuou como consultor de costumes e revisor de texto para a televisão e cinema. E como ator encarnou o expressivo Pedro Terra no filme "Um Certo Capitão Rodrigo", dirigido por Anselmo Duarte, baseado no romance "O Tempo e o Vento" de Érico Veríssimo.

Como bailarino e cantor, Paixão Côrtes viajou oito vezes para a Europa, atuando na mais famosa casa de espetáculos européia, no Olimpia de Paris, permanecendo cinco meses na França apresentando nossas danças folclóricas também nos palcos da Universidade de Sorbonne, Teatro Mogador, Prefeitura Parisiense e outras casas noturnas. Atuou também na Alemanha, na "Feira Mundial de Transportes e Comunicações", em Munique, no "Cassino de Estoril", em Lisboa, e na "Feira Rural de Santarém", em Portugal.

Em 1986 Paixão Côrtes retornou à Europa, distribuindo na Inglaterra e Escócia sua obra "The Gaúcho, Dances Costumes, Craftsmanship" impresso em inglês. Na BBC de Londres apresentou-se cantando e dançando temas gauchescos, acompanhado pelo conjunto musical "Os Farrapos" (Disco de Ouro / 1988). Foi conferencista no Arquipélago Açoriano Português em intercâmbio cultural entre "Ilhéus" e "Gaúchos".

Cabe ressaltar que Paixão Côrtes não está vinculado a nenhuma instituição governamental, quer Municipal, Estadual ou Federal, nem recebe qualquer subvenção de qualquer órgão internacional.

Quis a história que se fizesse justiça a esse gigante do tradicionalismo, eternizando sua figura no bronze do "Laçador" do qual foi modelo para o escultor Antonio Caringi, em 1954, imagem esta escolhida como símbolo de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul.

A Mulher Gaúcha

As épocas são caracterizadas pelas idéias, as quais geram inúmeros acontecimentos. Não podemos sequer pensar, que, em cada período da história interfere uma única corrente ideológica, pois a evolução social não é linear.

A história da humanidade constata a sujeição da mulher em relação ao homem, o que não anula a existência de mulheres, que se destacaram naquelas épocas remotas, nos mais diferentes setores das atividades sociais, muito embora, pouquíssimo se tenha registrado. Essa é a grande razão da sociedade falar em machismo & feminismo.

O feminismo, como movimento organizado, surgiu de fato, na Revolução Francesa e a história da emancipação da mulher tomou vários rumos.

Atualmente, a mulher abandona, cada vez mais, o galope dos cavaleiros andantes de um ideal meio lírico de libertação, vendedor de ilusões, para posicionar-se lado a lado dos homens na estrada da grande aventura empregnada de desventuras.

A sociedade rio-grandense tem tradição machista, pois é originária de uma oligarquia militarizada, que demarcou fronteiras, através de lutas e de guerras.

A formação da mulher, desde a mais tenra idade, é direcionada para cuidar dos afazeres domésticos, rezar, enquanto aguarda o casamento com o noivo, que era escolhido pelo pai.

A liderança singular da mulher, como mola-mestra do lar, não pode ser anulada e tão pouco esquecida pela sociedade gaúcha, pois sua participação ativa sempre deteve a estrutura da família e da sociedade.

Não podemos esquecer, que a mulher sempre trabalhou nas estâncias, assegurando a economia do Rio Grande do Sul, enquanto seu pai, esposo e filho saiu para defender as fronteiras e os ideais rio-grandenses.

Dentre tantas grandes mulheres, que se destacaram no cenário Rio-grandense, em defesa das nossas fronteiras, destacamos a Marquesa de Alegrete: heroína anônima, nobre pampeana, que em 14 de janeiro de 1717, na Batalha de Catalan, ao lado do esposo Marques de Alegrete – Luiz Telles de Caminha e Menezes e do filho, ajudou a escrever, com sangue suor e lágrimas, a história das batalhas entre Portugal e Espanha, servindo como enfermeira, mãe e até soldado, na demarcação de fronteiras do nosso pago gaúcho.

A participação da mulher foi de fundamental importância no contexto da formação histórica, social e cultural do Rio Grande.

A Revolução Farroupilha colocou a mulher num encontro ingrato e arriscado com a vida, porém, por mais ameaçadoras, que se tenham apresentadas as circunstâncias, ela sempre soube manter-se firme: quanto mais a situação era adversa, mais a mulher soube se transformar na forja sagrada das convicções do herói farroupilha. A mulher guerreira ficou conhecida por "vivandeira", a "china de soldado", foi a mulher, que acompanhou as tropas em seus deslocamentos e permaneceu nos campos de combate cuidando do soldado.

A mulher estancieira foi a mulher, que permaneceu na estância, administrando as lides campeiras e domésticas, tomando conta do lar, dos filhos, da estância e cuidando dos negócios do homem ausente, que rezava pelos vivos e chorava os mortos. Era, aos olhos de Deus e da sociedade patriarcal – a mãe, a esposa, a filha – permanecendo em casa, aguardando ansiosa o desfecho da guerra e o retorno do guerreiro.

A história também registra a mulher farroupilha do decênio heroico, que foi a mulher que, de uma forma ou de outra, figurou na história oficial do decênio heroico. Dentre elas, citamos Anita Garibaldi (Ana Maria de Jesus). Mulher intensamente feminina, ativa, forte de ânimo, de decisões rápidas, uma exímia cavaleira, que despertou em Giuseppe Garibaldi um fortíssimo sentimento, mesmo nos poucos contatos, que tiveram em Santa Catarina, quando da invasão de Laguna pelas tropas farroupilhas, além de Maria Josefa da Fontoura Palmiro, que promovia reuniões políticas em sua casa, em Porto Alegre, em apoio a Bento Gonçalves e aos Farrapos, também defendia a libertação dos escravos e tantas outras.

Muitas foram as heroínas desconhecidas, que lograram entrar na história, mas nem sequer seu nome é conhecido, como Caetana, esposa de Bento Gonçalves da Silva e Elautéria, mulher de Manuel Antunes da Porciúncula.

Foi neste dificílimo momento, que o valor da mulher farroupilha foi testado, fazendo com que seu coração vivenciasse as inúmeras novas circunstâncias, levando a sujeitar-se às necessidades, aos infortúnios, mas ela foi competente em sua função, incansável no desempenho do seu papel. Encantadora e generosa, companheira, não se deixou arrastar por convicções derrotistas, deixando na história um admirável perfil, abrindo perspectivas esplêndidas de esperança para seu companheiro, com admiráveis e imprescindíveis fatores decisivos e determinantes da inacreditável persistência dos farrapos.

A mulher farroupilha, com seu sentimento de compreensão e solidariedade, muito auxiliou o desenvolvimento da semente da República Rio-grandense, fazendo frutificar, em heroísmo, a alma da gente farroupilha. Ela soube avaliar e enfrentar o perigo, não para receá-lo e sim para combatê-lo. Esta foi a mais sublime e valorosa lição feminina, raramente descrita com a merecida justiça e homenagem dos pósteros.

A mulher sempre promoveu a mais iluminada unidade de fé, auxiliou a compor as mais importantes páginas da história gaúcha, em meio a grande destruição, acreditou e fez acreditar, que sempre se salva algo dignificante da vida.

Inúmeras foram às heroínas anônimas, que, cuidando dos filhos, dos interesses familiares e da economia do Rio Grande, deram ânimo, apoio e acreditaram nos anseios farroupilhas.

Voltando o olhar sobre nosso heroico passado, constatamos que, mesmo durante o dramático e sangrento decênio farroupilha, o homem nunca esteve só: a providência divina colocou ao seu lado uma grande auxiliadora e fiel companheira, que lhe foi idônea.

Como vive atualmente a mulher gaúcha? Nós mulheres já paramos para pensar quantas profissões exercemos ao mesmo tempo? Será que nosso companheiro e esposo, filhos já imaginaram o que é ser, ao mesmo tempo, mulher companheira, mulher mãe, mulher profissional a buscar o seu espaço, mulher economista, mulher enfermeira a cuidar de seus filhos e familiares adoentados, mulher psicóloga a entender, a auxiliar, a dar ânimo ao esposo, ao filho, frente a situações do cotidiano, mulher doméstica nos afazeres do lar, mulher cozinheira a preparar o alimento para a família, mulher intelectual, mulher social, mulher telefonista, mulher política, tudo por conta dos inúmeros afazeres diários? Pois é isso mesmo, na volta das vinte e quatro horas do dia, uma única mulher exerce todas as profissões possíveis e imagináveis.

O tradicionalismo prima por preservar, divulgar e cultuar a tradição gaúcha, ou seja, o patrimônio sócio-cultural desta sociedade com tradição machista.

Mas a mulher gaúcha, com sua intuição feminina de simplicidade, sentimento materno e inteligência, soube conquistar seu espaço ao lado daquele que é considerado o "mais machista dentre os homens".

A mulher tradicionalista está ao lado do homem tradicionalista a orientar, a administrar e a planificar o tradicionalismo gaúcho. A mulher tem contribuído e muito para o engrandecimento e fortalecimento dos princípios, da filosofia do tradicionalismo, do cumprir e fazer cumprir seus Estatuto e Regulamento, suas normas, ao desempenhar funções como Patrão, Coordenadora Regional, Conselheira e detentora de outros cargos tão importantes e decisivos na estrutura organizacional e administrativa do tradicionalismo gaúcho, no propagar, divulgar e cultuar a tradição do Rio Grande.

É bem verdade, que somos uma minoria, mas por opção da própria mulher e não por imposição do homem tradicionalista.

Em 1947, surgia a Ronda Gaúcha e a Chama Crioula, cujos idealizadores foram homens. Em 1948, eles idealizaram a primeira entidade tradicionalista do Rio Grande do Sul, que foi o "35 CTG", em Porto Alegre. Embora tenha rompido com grande sucesso, a presença feminina foi mais acanhada. A mulher custou muito a integrar-se.

O grande e incansável companheiro Cyro Dutra Ferreira, em sua obra "35 CTG" – O Pioneiro do Movimento Tradicionalista, faz o seguinte registro: Somente em junho de 1949, aconteceu a primeira reunião com moças da sociedade, especialmente convidadas. Dela participaram: Maria Zulema Paixão Côrtes, Derce Paixão Côrtes, Suli Dutra Soares, Sarita Dutra Soares, Lory Meireles Kerpen, Íris Piva, Norma Dutra Ferreira, Nora Dutra Ferreira, Damásia Medeiros Steinmetz e Linda Brasil Degrazzia. Na reunião, foi apresentada e aprovada a proposta da criação da Invernada das Prendas, tendo sido nomeada como Posteira Lory Meireles Kerpen. Também foram convidadas Lia Eilert dos Santos e Cyra Eilert dos Santos, as quais não obtiveram permissão do "velho", que queria primeiro ver no que dava a coisa... De fato e de direito, as irmãs Marilia e Ludemilla Zarrans são consideradas as primeiras prendas do movimento, pois, em algumas oportunidades, foram as duas primeiras colaboradoras do "35". Também é registrada a presença da menina Verinha Simch Vieira, que por ser criança, tinha a permissão de descer para o porão, visto que seu tio Cincha participava das reuniões.

A transformação política, social, econômica e tecnológica chegou ao Rio Grande do Sul, obrigando a mulher gaúcha, a prenda tradicionalista sair às ruas, em busca de melhores condições de sobrevivência, porém conservando intacto o seu sentimento pela tradição gaúcha.

Como mulher partícipe da sociedade gaúcha, como mulher tradicionalista, como mulher profissional, mãe, dona de casa, tenho a convicção de que a mulher conquista tudo que desejar, sem colocar-se contra o homem, até porque seria um desperdício, mas colocar-se ao lado dele, conquistando, com galhardia e absoluto zelo, seu espaço, sua valorização pessoal e profissional, um lugar em que não precise falar em machismo & feminismo, baseado na autenticidade, na participação conjunta num mundo estruturado no amor e na paz social.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

EXPRESSÕES GAUDÉRIAS

gauchos

Abichornado como viúvo que se deu bem em casado

Abichornado que nem urubú em tronqueira

Afiado como navalha de barbeiro caprichoso

Alegre como lambari de sanga

Alegre que nem paisano à meia guampa (paisano é expressão correntina e quer dizer patrício, amigo, camarada. Meia-guampa é expressão gauchesca, que significa ébrio)

Amarga como erva caúna (a palavra caúna é tupi e significa amarga; expressão de quem está desabafando suas dores)

Apertado como queijo em cincha

Apertado como rato em guampa

Assanhada como solteirona em festa de casamento

Atirado como interesse de viúva

Atirado como rebenque velho

Aumentar mais que casa de ladrão

Babava como boi com aftosa

Baixo como barriga de sapo

Baixo como tamborete de china

Baixo como umbigo de cobra

Baixo como vôo de marreca choca

Bater mais que brigadiano na mulher

Bom como namoro no começo

Bonita que nem laranja de amostra

Brilhar como ouro de libra

Bueno como dinheiro achado

Bueno como faca achada

Bueno como namoro no começo

Buliçoso que nem mico de viúva

Cair bem como chuva em roça de milho

Cara amarrada como pacote de despacho

Causar alvoroço que nem mata-mosquito em convento

Charlar que nem china da fronteira

Chato como chinelo de gordo

Chato que nem gilete caída em chão de banheiro

Cheio como barril de chopp em festa de crente

Cheio como bolsa de china

Cheio como corvo em carniça de vaca atolada

Cheio como penico em dia de baile

Cheirando bem como cogote de noiva

Chiar como uma locomotiva no cio

Com cara de quem tomou chá de losna sem açúcar

Comer mais que remorso

Como tosa de porco: muito grito e pouca lã

Contente como cusco de cozinheira

Contrariado como gato a cabresto

Coxuda como leitoa no engorde

Dar mais volta que bolacha em boca de velha

De boca aberta que nem burro que comeu urtiga

Desconfiado como cego que tem amante

Devagar como enterro de a pé

Dinheiro na mão de pobre, é como cuspe em ferro quente

Doído como guasqueaço em testa de negro em comércio de carreira

Dorme atirado que nem lagarto (desta expressão surgiu o termo lagartear; deitar-se ao sol; Diz-se do sujeito que não tem cerimônia, se atira em qualquer lugar, de qualquer jeito)

Dormir que nem sapo morto estirado nos arreios

Empacado como burro de mascate (diz-se da pessoa que não se decide ou que sempre trava decisões)

Encardido como peleia de caudilho

Enfeitado como bidê de china

Enfeitado como bombacha de turco

Enfeitado como mula de mascate

Enfeitado como carroça de cigano

Enfeitado como quarto de china

Enfeitado como santo milagroso

Engraçado como gorda botando as calça

Era tão baixinho que quando peidava levantava poeira do chão

Esburacado como poncho de calavera

Escassa como pelo em recavém de touro

Escassa como passarinho em zona de gringo

Esfarrapado que nem poncho de gaudério

Espalhar-se como pó de mangueira em pé de vento

Esparramado como dedo de pé que nunca entrou em bota

Esperto que nem gringo de venda

Está como o banhado quando o graxaim passa a trote

Extraviado que nem chinelo de bêbado

Faceiro como guri de tirador novo

Faceiro como mosca em rolha de xarope

Faceiro como pica-pau em tronqueira

Faceiro que nem ganso novo em taipa de açude

Feia como mulher de cego

Feliz que nem pinto no lixo

Fino e comprido como pio de pinto

Firme que nem palanque em banhado

Firme que nem prego em taquara

Folgada como peido em bombacha

Frio de empedrar água do poço

Furioso como gato embretado em cano de bota

Ganiçar como cusco que levou água fervendo pelo lombo

Gordo e lustroso como gato de bolicheiro

Gosmento como cuspida de bêbado

Gritar mais que cabrito embarcado

Grosso como palanque de banhado

Grosso como rolha pra poço

Grudado como bosta em tamanco

Inquieto como um galho de sarandi tocado pelo vento

Judiado como filhote de passarinho em mão de piá

Louco como galinha agarrada pelo rabo

Louco de sestiar nos trilho

Mais à vontade que bugio em mato de boa fruta

Mais afiada que língua de sogra

Mais afiada que navalha de barbeiro caprichoso

Mais alto que cavalo de oficial

Mais amontoado que uva em cacho

Mais ansioso que anão em comício

Mais angustiado que barata de ponta-cabeça

Mais apertado que alpargata de gordo

Mais apertado que bombacha de fresco

Mais apertado que chapéu novo

Mais apertado que coleira de guaipeca

Mais apertado que nó de soga em dia de chuva

Mais apertado que queijo em cincha

Mais apertado que rato em guampa

Mais apressado que cavalo de carteiro

Mais assanhado que lambari de sanga

Mais assustado que cachorro em canoa

Mais assustado que cavalo passarinheiro (pessoa que se assusta de tudo, até de seus atos)

Mais atirado pra trás que pica-pau em tronqueira

Mais atirado que alpargata em cancha de bocha

Mais atirado que bosta de cuiudo em várzea

Mais atrapalhado que cego em tiroteio

Mais atrasado que bola de porco

Mais branco que perna de freira

Mais chato que chinelo de gordo

Mais ciumenta que mulher de tenente

Mais complicado que receita de creme Assis Brasil

Mais comprido que bombacha de gringo

Mais comprido que cuspe de bêbado

Mais comprido que esperança de pobre

Mais comprido que suspiro em velório

Mais comprido que trova de gago

Mais comprido que xingada de gago

Mais conhecido que a reza do padre-nosso

Mais conhecido que andar pra frente

Mais conhecido que marca de estância grande

Mais conhecido que parteira de campanha

Mais corrido que lebrão de cusco

Mais curto que coice de porco

Mais curto que estribo de anão

Mais delgado que cachaço emprestado

Mais demorado que enterro de rico

Mais demorado que o mate do João Cardoso

Mais difícil que nadar de poncho e dormir de espora sem rasgar lençol

Mais duro que salame de colônia

Mais eficiente que japonês na roça

Mais eficiente que purgante de maná

Mais encolhido que tripa grossa na brasa

Mais enfeitado que bombacha de biriva

Mais enfeitado que burro de cigano em festa

Mais engraxado que telefone de açougueiro

Mais enrolado que cristal para viagem

Mais enrolado que lingüiça de venda

Mais entravado que carteira em bolso de sovina

Mais escandaloso que relincho de burro chorro

Mais esticado que cola de perdigueiro amarrando perdiz

Mais faceiro que égua com dois potrilhos

Mais faceiro que filhote de ganso em taipa

Mais faceiro que gordo de camiseta

Mais faceiro que guri de calça nova

Mais faceiro que pinto em cisco

Mais faceiro que sapo em banhado

Mais faceiro que tico-tico na chuva

Mais fácil que fazer falar um rádio

Mais fácil que tirar doce de guri

Mais fedorento que arroto de corvo

Mais feio que briga de foice no escuro

Mais feio que indigestão de torresmo

Mais feio que paraguaio baleado

Mais feio que rodada de cusco em lançante

Mais feio que sapato de padre

Mais fino que assobio de papudo

Mais firme que catarro em parede

Mais floreado que guaiaca de correntino

Mais folgado que colarinho de palhaço

Mais forte que peido de burro atolado

Mais forte que sapato de padre

Mais frouxo que calça de palhaço

Mais gasto que fundilho de tropeiro

Mais gostoso que beijo de prima

Mais grosso que cintura de sapo

Mais grosso que dedo de gringo

Mais grosso que dedo destroncado

Mais grosso que mamona de tapera

Mais grosso que mandioca de dois anos

Mais grosso que papel de enrolar prego

Mais grosso que parafuso de patrola

Mais grosso que rolha de poço

Mais informado que gerente de funerária

Mais importante que o irmão da rapariga do cabo

Mais inchado que sapo bulido

Mais inquieta que galho de sarandi tocado pelo vento

Mais intrometida que piolho na costura

Mais inútil que buzina em avião

Mais inútil que mijar em incêndio

Mais ligado que rádio de preso

Mais ligeiro que correntino roubando

Mais ligeiro que enterro de bexiguento

Mais ligeiro que enterro de pobre

Mais ligeiro que tainha de açude

Mais linda que laranja de amostra

Mais magro que guri com solitária

Mais medroso que cascudo atravessando galinheiro

Mais medroso que velha em canoa

Mais metido que dedo em nariz de piá

Mais metido que piolho em costura

Mais nervoso que anão em comício

Mais nervoso que gato em dia de faxina

Mais nojento que mocotó de ontem

Mais pelado que sovaco de santo

Mais perdido que cebola em salada de fruta

Mais perdido que cego em tiroteio

Mais perdido que cusco em procissão

Mais perdido que cusco em tiroteio

Mais perdido que cusco que caiu do caminhão da mudança

Mais perdido que peido em bombacha

Mais perdido que surdo em bingo

Mais perfumado que mão de barbeiro

Mais perigoso que briga de foice apartada por gadanha

Mais pesado que pastel de batata

Mais por fora que arco de barrica

Mais por fora que arco de barril

Mais por fora que cabelo de côco

Mais por fora que cotovelo de caminhoneiro

Mais por fora que quarto de empregada

Mais por fora que surdo em bingo

Mais por fora que umbigo de vedete

Mais prestimosa que mãe de noiva

Mais sério que cusco em chalana

Mais sério que defunto

Mais sério que guri mijado

Mais sujo que pau de galinheiro

Mais tranqüilo que água de poço esperando o lacaço do balde

Mais triste que cachorro em caique

Mais triste que último dia de rodeio

Mais usado que pronome oblíquo em conversa de professor

Mais vagaroso que tropeiro de lesma (expressão usada para pessoas lerdas, que demoram para tomar uma atitude)

Mais vaidoso que guri em chineiro

Mais velho que andar de pé

Mais velho que mijar em arco

Mais velho que mijar pra frente

Mais velho que rascunho de Bíblia

Mais vermelho que pescoço de galo coió

Maldoso como petiço de guri

Mansinho como gato de solteirona

Nervoso como gato em dia de faxina

Nervoso como potro com mosca no ouvido

Parado como água de poço

Pelear como quem dança em surungo de china

Perfumado como mão de barbeiro

Pior que cair do cavalo

Pior que cusco que caiu do caminhão da mudança (pra casa antiga não adianta voltar, a nova ele não sabe onde é!)

Pior que jacaré sem lagoa

Pisar mais firme que delegado novo em chineiro

Pular de pau em pau como coruja em corredor

Que nem carro de funebreiro: só leva

Que nem casa de esquina, dá pros dois lado

Que nem corvo em carniça de vaca atolada

Que nem tartaruga de poço, só esperando o golpe do balde

Que nem trigo: lindo de se vê mas só dá uma vez por ano

Quem gosta de aglomeramento é mosca em bicheira

Quente como frigideira sem cabo

Rebola mais que minhoca nas cinzas

Rebolear as ancas como avestruz repontada

Reto que nem goela de João-grande

Sabido como sorro velho (O sorro ou guaraxaim perde o pêlo mas não perde as manhas; diz-se do líder que sempre acha um jeitinho para acomodar as coisas, ou cair fora dos compromissos assumidos)

Se espalhou como pó de mangueira em pé de vento

Seca como tiro de 12 cano-serrado

Sério como guri que examina galinha para ver se tem ovo

Sério que em defunto

Sincero como vaca pro touro

Sofrer mais que mãe de ouriço

Solito como galinha em gaiola de engorde

Sutil como gato que vai pegar passarinho

Tradicional como embalagem de maizena

Tradicional como fórmula de minâncora

Tranqüilo como água de poço

Tranqüilo como cozinheiro de hospício

Tranqüilo e sereno que nem baile de moreno

Tranqüilo que nem tartaruga de poço

Triste como burro atolado

Virar-se mais que minhoca na cinza

Vivo como cavalo de contrabandista

Mais traquilo do que tropeiro de lesma.

DICIONÁRIO GAUCHESCO

Dicionário Gaúcho

a

ABERTA, s. Clareira.
ABICHORNADO, adj. Aborrecido, triste, desanimado, vexado, envergonhado, acovardado, aniquilado, magoado, acabrunhado, macambúzio, abatido.
ABOLETAR-SE, v. Instalar-se. Ocupar, indevidamente, determinado lugar.
ABOMBADO, adj. Cansado e ofegante por efeito de trabalho em dia de calor.
ABRIR OS PANOS, expr. Fugir, ir embora, abrir-se.
ACALCANHADO, adj. Gasto pelo uso, acabado, envelhecido.
ACOLHERADO, adj. Unido o animal a outro pela colhera. || Andar uma pessoa acolherada com outra, significa andar uma pessoa sempre junto de outra.
ACOLHERAR, v. Unir dois animais por meio de uma pequena guasca ammarada ao pescoço.
AÇOUTA-CAVALO, s. Árvore da família das Tiliáceas.
ACROCAR, v. Acocorar-se, pôr-se de cócoras.
ACUAR, v. Acoar, latir, ladrar.
AFAMILHADO, adj. O mesmo que afamiliado.
AFAMILIADO, adj. Que tem família.
AFERVENTAR, v. Apressar, importunar.
AFICIONADO, s. O que tem propensão e gosto para uma arte, jogo ou esporte.
AFIVELAR, v. Contratar, ajustar, firmar, acertar.
ÁFRICA, s. Façanha, proeza.
AFROXAR, v. Afrouxar. Fraquejar, entregar-se, dar-se por vencido.
AGACHADA, s. Arremetida, investida, repente, ataque brusco, alardeio, prosa, jactância, vanglória, astúcia, ardil, esperteza, remoque, façanha, proeza.
AGACHAR-SE, v. Começar, subitamente, a fazer alguma coisa. Dar início, principiar. Dispor-se. Lançar-se. Atirar-se. "A mula agachou-se a velhaquear".
AGALHAS, s. Velhacaria, trampolinice, parlapatice, fanfarrice.
AGREGADO, s. Pessoa pobre que se estabelece em terras alheias, com autorização do respectivo dono, sem pagar arrendamento, mas com determinadas obrigações.
AGUACHADO, adj. Diz-se do cavalo que, por ter permanecido solto no campo durante longo período de tempo, está muito gordo, pesado, barrigudo, impróprio para trabalho forçado imediato.
AGUADA, s. Lugar utilizado pelos animais para beberem água. Bebedouro.
AGUAPÉ, s. Planta aquática encontrada principalmente em água parada.
AGUAXADO, adj. O mesmo que aguachado.
AGÜENTAR O REPUXO, expr. Mostrar-se corajoso, enfrentar situação difícil, revidar um insulto.
AGÜENTE, s. Resistência física.
AJOUJO, s. Tira de couro cru com a qual se unem, dois a dois, pelos chifres, que são furados, nas extremidades, para esse fim, os bois da carreta ou do arado.
AJUTÓRIO, s. Prestação de ajuda a alguém para a realização de qualquer trabalho.
A LA CRIA, expr. Ao Deus dará, à aventura. Foi-se a la cria, significa foi-se embora, foi-se ao deus-dará, caiu no mundo, foi-se de escapada, fugiu.
A LA FRESCA, interj. Exprime admiração, espanto, surpresa, descrença.
ALARIFAÇO, s. e adj. Aumentativo de alarife.
ALARIFAGEM, s. Ação de alarife. Qualidade do alarife. Proeza do alarife. Esperteza, velhacagem, trapaça.
ALARIFE, s. e adj. Vivo, esperto, finório, velhaco, perspicaz, atilado, desordeiro, venta-furada, ventana, trapaceiro.
ALBARDÃO, s. Faixa de terra entre lagunas, banhados ou charcos. (Do esp.).
ALÇADO, adj. Diz-se do gado que vive no bravio, no campo ou no mato, esquivando-se ao custeio.
ALÇAR, v. Fazer com que o cavalo levante a cabeça, por ação das rédeas.
ALCATRA, s. Anca do boi ou da vaca; parte da rês constituída dos ossos da bacia acompanhados da respectiva carne.
ALCE, s. Folga, trégua, descanso.
ALDRAGANTE, adj. Vagabundo, tratante.
ALIMAL, s. Deturpação de animal, de largo emprego entre os habitantes da campanha, e usado, principalmente, para significar o cavalo.
ALMA PENADA, s. Assombração.
ALVOROTAR-SE, v. Assustar-se, agitar-se.
AMADRINHAR, v. Exercer a função de amadrinhador. Acompanhar o domador, montado em cavalo manso, para evitar que o potro enverede por lugares perigosos. || Acostumar os cavalos ou os muares a se manterem juntos, acompanhando um cavalar, em geral uma égua mansa, denominada égua-madrinha, à qual se amarra um sincerro ao pescoço.
AMAGAR, v. Levar o cavaleiro o corpo para a frente a fim de acompanhar o impulso do cavalo.
AMANONCIAR, v. Amansar um cavalo sem o montar. Domesticar um animal, tirar-lhe as manhas, por meios brandos, sem o molestar. Fazer carinhos com as mãos nos potros que estão sendo domados a fim de tirar-lhes as cócegas.
AMANUNCIAR, v. O mesmo que amanonciar.
AMARGO, s. Mate chimarrão, mate amargo, mate sem açucar. É bebida usada em todo o Estado do Rio Grande do Sul.
AMARTILHAR, v. Emartilhar, engatilhar, martilhar.
AMBICIONEIRO, adj. Ambicioso.
AMILHADO, adj. Diz-se do animal tratado com milho.
ANCA, s. Quarto traseiro dos quadrúpedes. Garupa do cavalo. O traseiro do vacum.
ANDANTE, s. Viajante, transeunte.
ANGU, s. Pirão de farinha de milho. || Fig.: mexerico, intriga, confusão, barulho, arranca-rabo.
ANIMALADA, s. Tropa de animais cavalares.
ANSIM, adv. Corrupção de assim.
ANTA, s. adj. Pessoa interesseira, experta, , fingida, falsa, mendaz, sabida, que de tudo procura tirar vantagens.
ANU, s. Nome de uma dança dos bailes campestres do Rio Grande do Sul. Nesta dança de pois de feita a roda.
APADRINHAR, v. Acostumar um animal com outros. || Interceder por alguém.
APARTAR, v. Escolher, separar, animais que se encontram juntos e que terão destinos diferentes.
APEIAR, v. Apear, descer do cavalo, desmontar.
APERADO, adj. Ricamente ajaezado, encilhado com esmero (o cavalo). || Bem vestida, a pessoa.
APEROS, s. Arreios. Preparos necessários para encilhar o animal. As partes dos arreios que servem para o governo, segurança e ornamento do cavalo: rédeas, cabeçada, cabresto, buçal, peitoral, rabicho, maneia, etc. Preparos, jaez.
APERREADO, adj. Emagrecido, enfraquecido, enfezado, tristonho, acovardado, abatido, aborrecido, fatigado, triste, pensativo, enclenque.
APINHADO, s. Aglomeração, aglomerado, porção de coisas muito juntas.
APLASTADO, adj. Cansado, abatido, esmorecido, fatigado, desanimado. Diz-se do animal e, p. ext., das pessoas.
APLASTAR, v. Tornar aplastado. Tirar as forças. Cansar, abombar, abater, desanimar.
APLASTRADO, adj. Abombado, aplastado.
APOJO, s. O leite mais gordo extraído da vaca após a segunda apojadura.
APORREADO, s. e adj. Cavalo mal domado, indomável, que não se deixa amansar. Aplica-se também, p. ext., ao homem rebelde.
APORREAR, v. Domar o cavalo de modo incorreto, de forma a deixá-lo velhaco, cheio de manhas, ou rebelde ao ponto de não se deixar mais amansar.
APOTRAR-SE, v. Adquirir jeito de potro. Tornar-se o cavalo semelhante ao potro, por falta de custeio. || Por extensão, aplica-se às pessoas, com o significado de portar-se mal, tornar-se xucro, zangado, grosseiro.
APRUMAR-SE, v. Melhorar a sorte, de negócios, de saúde, de fortuna. Endireitar-se, arranjar-se. Pôr-se de pé.
APURADO, adl. Apressado, impaciente.
APURAR, v. Apressar, acelerar a marcha.
APURO, s. Pressa, azáfama.
AQUERENCIADO, adj. Diz-se do animal acostumado a viver em determinado lugar, ou em companhia de outros animais. || Também aplica-se às pessoas.
ARISCO, adj. Diz-se do gado esquivo, xucro, assustado, que não se deixa apanhar facilmente.
ARMADA, s. Laçada corrediça que se faz com o laço quando se pretende atirá-lo para proteger a rês.
ARPISTA, adj. Ariso, desconfiado, prevenido, assustadiço. O mesmo que alpista.
ARRANCADA, s. Ato de arrancar. Saída violenta. Primeiro ímpeto. Movimento inesperado.
ARRANCHAMENTO, s. Rancho, choça, casebre, moradia de campo, com todas as suas dependências, como sejam, galpões, currais, mangueiras, lavouras, etc.
ARRANCO, s. Ato do cavalo iniciar a carreira.
ARRASTO, s. Transporte de toras de madeiras, em carreta, em zorra, ou de arrasto.
ARREGANHADO, adj. Diz-do cavalo ou muar que, em tempo de calor intenso, depois de marcha muito forçada, tendo bebido pouca água, é atacado por uma espécie de espasmo, caracterizado pela contração dos maxilares e das narinas, o qual o impossibilita de continuar a viagem ou o trabalho em que estiver sendo utilizado.
ARREGANHAR, v. Ficar o cavalo, por excesso de serviço, por passar sem beber por longo tempo, em dias de calor intenso.
ARREGLADO, adj. Combinado, estabelecido, composto, ajustado, concertado, posto em ordem.
ARREGLAR, v. Combinar, estabelecer, ajustar.
ARREGLO, s. Ato de arreglar. Arranjo, combinação, ajuste de negócio (em geral não muito lícito). Trato, convênio, concessão num negócio.
ARREIOS, s. Conjunto de peças com que se arreia um cavalo para montar.
ARREMATAR, v.Dar o último toque, concluir, terminar. || Cansar, estafar.
ARRENDAR, v. Fazer o redomão odecer ao governo das rédeas, ainda com bocal, antes de usar o freio.
ARRIAR, v. Ceder por medo. Afrouxar.
ARRIBA, v. Favor. Viver de arriba é o mesmo que viver à custa de outrem, viver sem pagar, ter tudo de graça, de favor.
ARRINCONAR, v. Arrincoar, acampar, acantonar. O mesmo que enrinconar e rinconar.
ARROLHAR, v. Confundir, intimar o adversário, derrotá-lo antes de chegar às vias de fato. || Reunir animais em um grupo que ocupe uma espécie de circo pequeno ou roda.
ARROUCADO, adj. Enrouquecido.
ARUÁ, adj. Apuava, puava, fuá. Diz-se do cavalo espantadiço, quebra, indócil, desconfiado, que não se deixa apanhar facilmente. || Usa-se como substantivo para significar indivíduo brigão, valentão, puava.
ASPA, s. Chifre, corno, ponta, guampa.
ASPA-TORTA, s. Indivíduo turbulento, desordeiro, ventana, quebra, puava.
ASSINALAR, v. Praticar, na orelha ou nas orelhas de um animal, recortes determinados que permitem identificar seu proprietário.
ASSOLEADO, adj. Diz-se do animal cansado por ter andado muito no sol. Acovardado pela canícula.Meio abombado. Assonsado.
ASSUNTAR, v. Pensar, matutar, pesquisar, descobrir, escogitar, conversar, tentar negócio.
ATADO, adj. Indeciso, amarrado, sem iniciativa.
ATALHAR O CAMINHO, expr. Ir pelo caminho mais curto.
ATAR, v. O mesmo que amarrar. Ajustar, contratar, unir, vincular, conchavar, expor, redigir com nexo.
ATARANTAR-SE, v. Estontear-se, confundir-se.
ATILHAR, v. Prender com atilho.
ATIRAR O FREIO, expr. Estar o cavalo, quando montado e andando, alegre, escarceando, querendo ir para frente.
ATORAR, v. Cortar, torar. || Utilizar atalho para encurtar caminho.
ATROPELAR, v. Aligeirar, andar depressa, apressar, investir, enxotar.
AVEXAR-SE, v. Molestar, perseguir, envergonhar.
AVIOS, s. Conjunto de objetos indispensáveis para determinado fim.
AVIOS DE MATE, s. Objetos necessários para fazer ou tomar mate: cuia, bomba e erva.
AZONZADO, adj. Meio zonzo, meio tonto, apalermado, abobalhado.
AZULEGO, adj. Diz-se do animal cavalar de pêlo oveiro, de pintas miudinhas brancas e pretas, que de longe parece azul. É um pêlo muito raro.

B

BAGUAL, s. adj. Eqüino selvagem, isto é, ainda não domado.
BAGUALADA, s. Manada de baguais. || Estupidez, grosseria.
BAIANO, s. e adj. Maturrango. Indivíduo que não sabe andar a cavalo, ou que não sabe executar trabalhos de campos.
BAIO, adj. Diz-se do animal cujo pêlo tem cor de ouro desmaiado. Chama-se baio, também, ao cigarro crioulo, feito com fumo em rama e palha de milho.
BALANCEADO, adj. Que não é bem certo do juízo. Meio doido. || Diz-se do negociante prestes a falir. || Diz-se também, do parelheiro preparado para correr certo tiro: "O tostado está balanceado nas quatro quadras".
BALANDRAU, s. Nome dado ao poncho de pala, ou simplesmente pala, o qual tem como opa uma abertura, no meio, por onde se enfia o pescoço.
BALASTRACA, s. Antiga moeda de 400 réis. Patacão argentino ou uruguaio.
BALDA, s. Manha, mania, defeito, vício.
BAMBURRAL, s. Vegetação arbustífera que viceja em locais úmidos, em roças e em cercados abandonados. Taquaral, bambuzal.
BANCAR-SE, Assentar-se. Montar. Sentar-se.
BANDA, s. Lugar, região, paragem.
BANDEAR, v. Atravessar, varar, passar para outro lado.
BANHADO, s. Charco, pântano, brejo, terreno baixo e alagadiço coberto de vegetação. Tremadal.
BANZÉ, s. Arrelia, disputa, rezinga, briga, barulho, desordem.
BAQUE, s. Solavanco, bacada.
BARBARIDADE, Barbarismo. || interj. Exprime espanto, admiração, estupefação, surpresa: Cuê-pucha, barbaridade! || Muito, em grande quantidade, intensamente: "Aquela moça é bonita barbaridade".
BARBICACHO, s. Cordão, cadarço, ou trança de couro, com as extremidades presas à carneira do chapéu, uma de cada lado, que passa por baixo do queixo da pessoa que o usa, para nos dias de vento ou nos serviços de campo, manter o chapéu firme na cabeça.
BARRA-DO-DIA, s. Aurora, alvorada.
BARROSO, adj. Diz-se, em relação aos animais bovinos, do pêlo branco amarelado ou branco acizentado. Ocorrem várias tonalidades, como sejam, barroso-claro, o barroso-amarelo, o barroso-vermelho, o barroso-fumaça.
BARULHAR, v. Fazer barulho ou bulha.
BASTEIRA, s. Parte acolchoada do serigote ou lombilho, que assenta sobre o lombo do animal por defeito dos arreios. Quando localizadas na região dos rins essas feridas, mesmo cicatrizadas, reabrem com facilidade, o que desvaloriza bastante o animal.
BATATA, s. Divisa, galão.
BATE-BARBAS, s. Discussão, briga. Bate-barbas.
BAUTIZAR, v. Deturpaçãp de batizar.
BEJU, s. Bolo de massa de mandioca.
BERRAÇADA, s. Berreiro, berração.
BERRAR, v. Chorar aos berros. Gritar.
BERZABUM, s. Balbúrdia, tumulto, conflito, briga, bafafá, gangolina.
BICHARÁ, s. Lã grossa para ponchos. || Poncho ou cobertor feito dessa lã, com listras brancas e pretas ao comprido.
BICHAREDO, s. e adj. Pessoa disposta para tudo, principalmente para peleias.
BICHEIRA, s. Ferida nos animais, contendo vermes depositados pelas moscas varejeiras.
BICOTA, s. Beijoca, beijo, boquinha.
BIGUÁ, s. Ave aquática de cor preta que vive nos rios e lagoas.
BOBAJADA, s. Tolice, bobagem.
BOCHE, s. Usado na locução adverbial à boche: muito, em grande quantidade.
BOCHINCHE, s. Baile de plebe, arrasta-pé, espécie de batuque, divertimento chinfrim próprio de gentalha. Desordem, briga.
BOCÓ, s. e adj. Bobo, tolo, pateta, boboca, acriançado, lorpa. || Pequena bolsa de couro cru ou de fazenda, usada a tiracolo. Bornal.
BOIADA, s. Porção de bois mansos, especialmente utilizados nas carretas. Tropa de bois.
BOICININGA, s. Nome tupi da cobra cascavel.
BOIGUAÇU, s. Cobra grande. (Do Tupi).
BOI-LADRÃO, s. Usado na expressão apanhar como boi-ladrão, que significa apanhar uma grande surra.
BOLAÇO, s. Tiro de bolas, golpe ou pancada dado com as bolas ou com a boleadeira.
BOLANDINA, s. Agitação, azáfama, atrapalhação. || Trapalhada, trampolinada.
BOLAPÉ, s. Vau de um rio cheio que o cavalo, só pode atravessar quando nadando.
BOLEADEIRA, s. Instrumento de que se servem os campeiros para apreender os animais e também para, nas guerras, abater os inimigos. Consta de três pedras redondas retovadas com couro e ligadas entre si por cordas trançadas ou torcidas que têm o nome de sogas.
BOLEADO, s. Arredondado, torneado. || adj. Amalucado, adoidado, que não é muito certo da bola. || Derrubado pelas boleadeiras.
BOLEADOR, s. Homem adestrado no manejo das boleadeiras. || Cavalo que se joga no chão para livrar-se do cavaleiro.
BOLEAR A PERNA, expr. Apeiar-se, descer do animal de montaria.
BOLEAR-SE, v. Jogar-se ao solo o cavalo com o cavaleiro, com os arreios, ou mesmo desencilhado.
BOLICHE, s. O mesmo que bolicho.
BOLICHEIRO, s. Dono de boliche. Taberneiro. || Freqüentador de boliches. || O mesmo que bolichero.
BOLICHO, s. Casa de negócio de pequeno sortimento e de pouca importância. Bodega. Taberninha. || Casa de jogo. || Certo jogo de origem espanhola. || O mesmo que boliche.
BOLIVIANO, adj. Diz-se do cavalo que não tem dono conhecido, teatino. || Moeda de prata, da Bolívia, que circulou no Rio Grande do Sul e que valia de 600 a 900 réis.
BOMBACHAS, s. Calças muito largas, presas por botões logo acima do tornozelo. É a vestimenta predileta dos homens do campo do Rio Grande do Sul que a usam tanto para o trabalho como para o passeio.
BOMBEAR, v. Espionar, espreitar, explorar, vigiar, espiar, perscrutar, olhar, ver, observar.
BOMBEIRO, s. espião, esculca, observador, explorador do campo inimigo.
BONZÃO, adj. Muito bom.
BOQUEIRÃO, s. Saída larga para um campo, depois de um desfiladeiro, de uma estrada estreita, de um lugar apertado. || Distância muito grande que, numa carreira, um cavalo leva sobre o outro.
BOQUEJAR, v. Conversar.
BOQUEJO, s. Conversa.
BOQUINHA, s. Beijo, bicota.
BOQUINHA-DA-NOITE, s. O anoitecer.
BORRACHO, s. Bêbado, ébrio, embriagado.
BOTA, s. Calçado próprio para andar a cavalo, feito de couro, que envolve o pé e a perna.
BOTADA, s. Investida, agachada, feita, vez, ato de botar. || Cotejo entre parelheiros ou galos de rinha.
BOTEIRO, s. Aquele que governa um bote. || Fabricante de botes. || Fabricante de botas.
BOTEJA, s. Botelha, garrafa.
BRABO, adj. Feroz, raivoso, irado, selvagem, zangado, colérico.
BRAÇA, s. Medida antiga, ainda muito usada no Rio Grande do Sul. A braça linear equivale a 2,20 m e a braça quadrada a 4,84m2
BRAÇADA, s. Movimento do braço.
BRAGADO, adj. Pêlo do cavalo ou do bovino que tem a verilha ou a barriga branca e o resto do corpo de outra cor.
BRANQUEAR, v. Caiar de branco. Parede branqueada é o mesmo que parede caiada.
BRASINO, adj. Da cor da brasa. Pêlo de vacum, de cachorro ou de gato, vermelho, com listras pretas ou muito escuras.
BROCHA, s. Corda ou tira de couro com que se prende o boi à canga.
BUÇAL, s. Espécie de cabresto com focinheira. É uma peça de couro que faz parte dos arreios e é colocada na cabeça e pescoço do cavalo. Compõem-se das seguintes partes: focinheira, cabeçada, fiador e cedeira.
BUÇALETE, s. Pequeno buçal. Cabresto aperfeiçoado.
BUCHADA, s. Conjunto de estômago e intestino da rês, quando carneada.
BUENACHO, adj. Muito bom, excelente, generoso, afável, bondoso, cavalheiro.
BUENAÇO. adj. O mesmo que buenaço.
BUENO, adj. e adv. Bom, bondoso. Está bem, muito bem, perfeitamente. (Esp.).
BUGRE, s. Índio, silvícola. Nome depreciativo aplicado aos selvagens do Brasil.
BURACADA, s. Porção de buracos, terreno esburacado, buraqueira. O mesmo que buracama.
BUTIÁ, s. Espécie de coqueiro pequeno e sua fruta. Butiazeiro. O butiá é muito apreciado para misturar na cachaça.
BUZINA, adj. Raivoso, irritado, colérico, atrevido, zangado, furioso, brabo, mau, valentão, bandido, estróina, endabrado. || Ficar buzina, encolerizar-se.

C

CABEÇALHO, s. Peça comprida de madeira, ao lado da qual são atrelados os animais de tração.
CABOCLO, s. Descendente de índio. || É também, o nome de uma vespa.
CABORTEIRO, s. adj. Cavalo ou outro animal manhoso, arisco, infiel, velhaqueador, que não se deixa pegar. || Indivíduo velhaco, esperto, manhoso, mau, mentiroso, trapaceiro, tratante, que vive de experiente.
CABOS-NEGROS, adj. Diz-se do cavalo de qualquer pêlo que tem negras as quatro patas.
CABRESTEAR, v. Andar o animal cavalar ou muar conduzido pelo cabresto, sem resistir.
CABRESTILHO, s. Cabresto pequeno. || Correias de couro ou de metal que seguram as esporas aos pés.
CABRESTO. s. Peça de couro que é apresilhada ao buçal ou bracelete para segurar o cavalo ou o muar.
CACHIMBO, s. Pedaço de pau com um fiel em uma das pontas, no qual se enfia o beiço do animal que se pretende sujeitar, e se vai torcendo até que o animal se entregue.
CACHO, s. A cola, o rabo do cavalo.
CACIMBA, s. Fonte de água potável. Vertente.
CACIFE, s. Bandeijinha ou pequeno cofre em que se recolhe o barato no jogo de cartas ou no de víspora. || Por extensão, o barato.
CAIPORA, s. Caapora, curupira. || Indivíduo azarado. || Azar, má sorte, caiporismo.
CAJETILHA, s. Sujeito presumido, pelintra, janota, almofadinha.
CALAVEIRA, s. e adj. Indivíduo velhaco, caloteiro, caborteiro, vagabundo, tonto, tratante.
CALIFÓRNIA, s. Carreira de que participam mais de dois parelheiros. Penca.
CALOMBO, s. Raça de gado bovino, outrora abundante no Rio Grande do Sul.
CAMBÃO, s. Pedaço de pau furado nas duas extremidades, utilizado para unir duas ou mais juntas de bois, umas às outras, de modo que possam puxar ao mesmo tempo.
CAMBARÁ, s. Árvore da família das Compostas, que tem propriedades medicinais.
CAMBULHA, s. Molho de chaves. Porção de coisas.
CAMELADA, s. Grupo de camelos; os camelos.
CAMELO, s. Nome que os republicanos, na Revolução Rio-Grandense de 1835, davam aos legalistas.
CAMORRA, s. Rixa, contenda, provocação, indireta, desafio.
CAMOTE, s. Namoro, paixão, predileção de um pessoa por outra, o namorado.
CAMPEAR, v. Procurar pelo campo. Buscar. Esquadrinhar. || Usa-se também em sentido figurado.
CAMPEIREAR, v. Trabalhar com o gado, no campo.
CAMPEIRO, s. e adj. Pessoa que executa com habilidade os serviços de campo, que monta bem, que vive e trabalha no campo, que entende de tudo o que se relaciona com a criação de gado.
CAMPO, s. Nome dado às extensas pastagens, apropriadas à criação de gado, existentes no Rio Grande do Sul.
CAMPO DE LEI, s. Campo de ótima qualidade.
CANA DE RÉDEA, s. Tira de guasca de cada uma das rédeas.
CANCHA, s. Lugar plano, com várias quadras de comprimento por algumas braças de largura, com duas trilhas, preparado especialmente para corridas de cavalos.
CANCHEIRO, adj. Diz-se do cavalo já habituado a correr nas canchas, treinado, adestrado para correr nas canchas. || Por extensão, aplica-se ao indivíduo que tem prática de determinado trabalho; que executa, com desembaraço e habilidade, determinadas tarefas.
CANDONGUEIRO, adj. Aplica-se ao animal manhoso que foge com a cabeça quando se quer por-lhe o freio, o buçal ou tousá-lo. Diz-se do indivíduo mesquinho, manhoso, arteiro, esquivo, inquieto, que questiona por coisas sem importância.
CANGA, s. Peça de madeira em que se colocam os bois para puxar a carreta.
CANGALHA, s. Peça de três paus, unidos em triângulo, que se coloca no pescoço dos porcos e de outros animais, para que não possam atravessar as cercas que protegem as áreas cultivadas.
CANHA, s. Cachaça, aguardente, canguara, cana.
CANHADA, s. Vale, baixada entre coxilhas ou serras.
CANHONAÇO, s. Fato ou notícia de grande repercussão.
CANHOTO, s. Peça de madeira ou de ferro que, nos engenhos de serrar madeira, adaptada ao mancal de uma polia, transmite o movimento desta.
CANJICA, s. Espécie de sopa de milho descascado e quebrado.
CANZIL, s. Cada um dos dois paus existentes em cada ponta da canga, entre os quais é colocado o pescoço do boi.
CAPA, s. Capadura, capação, castração.
CAPADO, s. Porco castrado. Carneiro ou bode castrado.
CAPÃO, s. e adj. Diz-se do animal capado. || Indivíduo fraco, covarde, vil, pusilânime.
CAPATAZ, s. Administrador de uma estância ou de uma charqueada ou ainda o responsável pela condução de uma tropa.
CAPIM, s. Nome comum às diversas espécies de gramas e ervas rasteiras.
CAPINCHO, s. O macho da capivara. Filhote de capivara.
CARACA, s. Rugas que aparecem na base dos chifres dos vacuns que vão envelhecendo.
CARAGUATÁ, s. Gravatá. Planta filamentosa muito comum em todo o Rio Grande do Sul.
CARAMINGUÁS, s. Arreios velhos, muito ordinários, quase sem préstimo. || Cacarecos, badulaques, coisas de pouco valor. || dinheiro miúdo e escasso.
CARAMURU, s. e adj. Denominação que os republicanos de 1835 davam aos legalistas. O mesmo que camelo e galego.
CARA-VOLTA, s. Volta instantânea para trás, meia volta. Menção de voltar, de tornar para trás.
CARCHEADA, s. Pilhagem, carcheio.
CARCHEAR, v. Roubar, furtar, despojar, apoderar-se indevidamente de animais e coisas alheias, por ocasião das revoluções, pretextando necessidades militares.
CARCHEIO, s. Ato de carchear.
CARGUEIREAR, v. Trabalhar com animais cargueiros. Transportar carga em animais cargueiros.
CARGUEIRO, s. Animal utilizado para conduzir cargas, em geral muar.
CARNEAR, v. Matar, esfolar e esquartejar a rês destinada a consumo imediato ou ao preparo do charque.
CARNIÇA, s. Rês morta, em estado de putrefação, abandonada no campo.
CARONA, s. Peça dos arreios, constituída de uma sola ou couro, de forma retangular, geralmente composta de duas partes iguais cosidas entre si, em um dos lados, a qual é colocada por cima do baixeiro ou xergão, e por baixo do lombilho, e cujas abas são mais compridas que as deste. || Carne magra e dura. || Condução obtida gratuitamente.
CARPETA, s. Jogo, hogatina; casa onde se joga; a mesa do jogo; pano que cobre a mesa do jogo.
CARQUEJA, s. Planta medicinal da família das Compostas.
CARRAPATAR-SE, v. Agarrar-se com toda a força.
CARREIRA, s. Corrida de cavalos, em cancha reta.
CARREIRISTA, s. Proprietário de parelheiros. Pessoa que se dedica a corridas de cavalos ou que as freqüenta e as aprecia.
CARRETA, s. Veículo tosco e pesado, de duas rodas, grande, com uma tolda ou não, puxado por diversas juntas de boi.
CARRETAMA, s. Grande número de carretas. Var.: Carretame.
CARRETAME, s. O mesmo que carretama.
CARRETEIRO, s. Pessoa que tem a profissão de viajar de carreta. || Pescoceiro. || Prato campeiro, constituído de arroz com quisado de charque.
CARTEAR, v. Jogar, dar as cartas no jogo.
CASA-GRANDE, s. Morade de fazendeiro.
CASO, s. História, conto, narração, relato, anedota. Causo.
CASQUEIRA, s. V. a expressão levado da casqueira.
CASTELHANADA, s. Grupo de castelhanos. || Dito, exagero de castelhano.
CASTELHANO, s. O natural do Uruguai ou Argentina.
CATINGA, s. Morrinha, mau cheiro.
CATURRITAR, v. Tagarelar, falar em excesso.
CAUSO, s. Caso, conto, acontecimento, história, narrativa.
CAVALHADA, s. Porção de cavalos.
CERCADO, s. Lugar cercado para lavoura.
CERDEAR, v. Tosquiar. Cortar as cerdas do animal.
CERNOSO, adj. Que tem bastante cerne.
CERRO, s. Elevação, monte, morro.
CHÁ-DE-CASCA-DE-VACA, s. Surra de relho.
CHALEIRA, s. e adj. Diz-se de ou o indivíduo bajulador, engrossador.
CHALRAR, v. Conversar, prosear, parlar, charlar.
CHAPE-CHAPE, s. Terreno áspero e seco; chão duro.
CHARLA, s. Palestra, conversa.
CHARQUEADOR, s. Saladeirista, dono de charqueada, fabricante de charque.
CHASQUE, s. Mensageiro, estafeta, próprio, pessoa que se despacha levando uma mensagem. || Carta, aviso, recado, desafio.
CHÊ, interj. Equivalente a tu aí ou tu simplesmente. Usa-se também, como vocativo: "Como vai, chê?"; para chamar a atenção: "chê, que mulher bonita!". Pronuncia-se tchê à maneira espanhola. O mesmo que ché, tiê e tchê.
CHICO, adj. Pequeno.
CHILENAS, s. Esporas com rosetas muito grandes.
CHIMARRÃO, s. e adj. Mate cevado sem açúcar; é preparado em uma cuia ou cabaça e sorvado através de um tubo metálico, com um ralo na extremidade inferior, ao qual se dá o nome de bomba.
CHINA, s. Descendente ou mulher de índio, ou pessoa do sexo feminino que apresenta alguns dos característicos étnicos das mulheres indígenas. || Cabocla, mulher morena. || Mulher de vida fácil.
CHINARADA, s. Grande número de chinas, índias ou caboclas. O mesmo que chinaredo, chinerio, chineiro, chinedo.
CHINAREDO, s. O mesmo que chinarada.
CHINCHA, s. O mesmo que cincha.
CHININHA, s. Caboclinha, filha de china, china ainda menina, chinoca, chinoquinha, piguancha.
CHINOCÃO, s. Chinoca bonita, vistosa, fornida.
CHIQUEIRO, s. Pequeno curral ou encerra a que se recolhem terneiros mansos, porco, ovelhas, ou outros animais.
CHIRIPÁ s. Vestimenta rústica, sem costuras, usada antigamente pelos homens do campo. É constituído de um metro e meio de fazenda que, passando por entre as pernas, é preso à cintura em suas extremidades por uma cinta de couro ou pelo tirador.
CHIRU, s. e adj. Índio, caboclo, moreno carregado, que tem traços de indígena. Acaboclado, indiático. Xiru.
CHIRUA, s. e adj. Feminino de chiru. China, índia, cabocla.
CHISPA s. Faísca.
CHOCOLATEIRA s. Vasilha de folha usada para aquecer água e para preparar café. O mesmo que cambona.
CHORADA, s. Algazarra que fazem os cães no momento do levante do veado.
CHORADEIRA, s. Lamúrio, pedidos insistentes e humildes.
CHUSPA, s. Bolsinha feita de pele do papo da ema, ou de outro material, destinada a guardar dinheiro, fumo, papel de cigarros, miudezas.
CHUVISQUEIRO, s. Chuva miúda, chuvisco.
CINCHA, s. Peça dos arreios que serve para firmar o lombilho ou o serigote sobre o lombo do animal.
CINCO MANDAMENTOS, s. Os cinco dedos da mão. A mão.
CLINA, s. Crina, cerda, cabelo comprido.
CLINUDO, adj. e s. Animal não tosado, de clinas grandes. || Por extensão, aplica-se ao indivíduo cabeludo.
COCURUTO, s. O cimo de uma coxilha. Saliência do terreno. Montículo. || Corcunda. A giba do zebu. Calombo. Inchaço.
COGOTILHO, s. Tosadura que se faz nas crinas do cavalo, acompanhando a volta do pescoço e baixando progressivamente entre as orelhas e para o lado das cruzes, onde, em geral, ficam algumas crinas compridas.
COGOTUDO, s. e adj. Pessoa ou animal que tem o cogote muito grosso. Pescoçudo.
COIMEIRO, s. O depositário da coima, ou seja, da parada, no jogo de osso. || Indivíduo que explora o jogo, em carreiras.
COLA, s. Encalço, rastro. || A cauda dos animais.
COLA ATADA, s. A cauda do cavalo atada de modo a formar um tope.
COLHERA, s. Peça de couro ou de metal utilizada para prender dois animais, um ao outro, pelo pescoço. O conjunto de animais atrelados pela colhera. || Figuradamente, dois indivíduos que andam sempre juntos.
COLHUDO, adj. e s.Cavalo inteiro, não castrado.
COLMILHUDO, s. Diz-se do animal cavalar de grandes colmilhos, portanto já velho.
COLORADO. s. e adj. Cavalr ou muar de pêlo vermelho. || Encarnado, vermelho vivo. "Baeta colorada"~, significa baeta encarnada, bem vermelha. || É também qualificativo de um partido político do Uruguai, bem como membro deste partido.
COLOREADO, s. O vermelho, a cor vermelha.
COMO, adv. Tanto quanto, coisa de \: "eu vinha como a uma légua quando começou o tiroteio".
COMO QUERA, loc. conj. Como quer que seja, de qualquer modo, seja como for, apesar disso, ainda assim, é bem provável.
COMPANHA, s. Companhia.
COMPROMISSO, adj. Importante. "Negócio de compromisso", isto é, negócio importante. "Carreira de compromisso", isto é, carreira de grande importância, pelo vulto da parada ou por qualquer outro motivo.
CONCHAVO, s. Ajuste de emprego. Emprego doméstico. || Significa também combinação entre duas ou mais pessoas.
CONCHO, adj. Confiante. Empregado na expressão mui concho com o sentido de despreocupado, muito confiante.
CONFIANÇA, s. Empregado, animal, ou pessoa amiga, de confiança, com quem se pode contar em qualquer situação.
CONTINENTISTA, s. e adj. Habitante do Rio Grande do Sul, especialmente o revolucionário de 1835.
CONTRAPONTEAR, v. Contrariar, contradizer, retrucar, atrapalhar, aborrecer.
CORAÇONADA, s. Aquilo que o coração diz ou dita. Pressentimento, palpite.
CORCOVO, s. Pinote, pulo, movimento que faz o cavalo para lançar do lombo o cavaleiro.
CORDEONA, s. Gaita de foles, sanfona, acordeona. Var.: Cordiona.
CORINCHO, s. Topete, bazófia, pimponice, proa, prosa, fanfarronada, arrogância, petulância.
CORONILHA, s. Árvore (Scutia buxifolia, Reiss) cuja madeira é muito resistente. || Em sentido figurado, indivíduo forte, guapo, disposto, resistente, valente. || Avarento.
CORRIDO adj. Diz-se do galo de rinha que, por ter sido vencido, foge dos outros, ressabiado de brigar.
CORTAR, v. Separar, apartar.
COSQUILHOSO, adj. Coceguento. Muito sensível às cócegas. O mesmo que cosquento, cosquilhento e cosquilhudo. || em sentido figurado diz-se de quem é suscetível, de quem se melindra facilmente.
COSTILHAR, s. Parte da carne da rês que cobre as costelas.
COTÓ, s. Indivíduo que tem um braço mutilado. || Faca pequena e ordinária. || Coto, coisa pequena.
COUREAR, v. Tirar o couro do animal, morto no campo, de peste, magreza ou desastre.
COVA DE TOURO, s. Escavação que o touro faz com os chifres e as patas, como provocação, quando se prepara para a luta.
COXILHAS, s. Grandes extensões onduladas de campinas cobertas de pastagens, que constituem a maior parte do território riograndense e onde se desenvolve a atividade pastoril dos gaúchos.
COXILHÃO, s. Coxilha grande, muito extensa, espécie de chapadão.
CRIA, s. Filho, de animal ou de pessoa.
CRIATURA, s. Criança, feto; pessoa do sexo feminino.
CRIOULO, s. e adj. O natural de determinado lugar, região, estado, país.
CRIVADO, s. Árvore de casca grossa como uma espécie de cortiça, incombustível, que vegeta nos campos.
CRUZA, s. Cruzamento de raças; produtos de cruzamento.
CRUZADA, s. Encruzilhada, cruzamento, encruzada, ato de cruzar. || Passagem, travessia.
CRUZADO, adj. Diz-se do cavalo calçado em diagonal. || s. Antiga moeda de valor equivalente a CR$ 0,40.
CRUZEIRA, s. Variedade de cobra jararaca muito venenosa, também chamada urutu.
CUÊ-PUCHA, interj. Exprime admiração, espanto: "Cuê-pucha! Que morena!
CUERA, s. Cicatrizes do lombo cavalar ou do muar, provenientes de feridas ou mataduras ocasionadas pelo uso de arreios defeituosos. Essas cicatrizes, ao contato do serigote ou lombilho, podem transformar-se novamente em feridas. Unheira. Tubuna. || Homem ruim, maleva. || Gaúcho forte, destemido. (Cf. qüera).
CUERUDO, s. e adj. Diz-se do animal que sofre de cueras.
CULATRA, s. A retaguarda de uma tropa de gado. || Parte traseira da carreta.
CULATREAR, v. Seguir na culatra da tropa, conduzindo-a. Sair no encalço ou na perseguição de alguém.
CULO, s. O contrário de sorte no jogo de osso ou tava. Posição em que, caindo o osso, o jogador perde a partida. Má sorte. Estar de culo: estar de caipora.
CUNA!, interj. O mesmo que cuê-pucha!
CUNHÃ, s. Jovem índia. É palavra guarani.
CUPIM, s. O cogote grosso e saliente dos touros das raças zebu e calombo. || Montículo de barro muito duro feito pelos cupins. Cupinzeiro.
CUPINUDO, adj. Diz-se do bovino que tem grande cupim ou giba.
CUSCO, s. Cão pequeno, cão fraldeiro, cão de raça ordinária. O mesmo que guaipéca, guaipeva, guaipé.
CUTUBA, s. e adj. Diz-se de ou o indivíduo forte, valente, respeitado, temível, disposto, destemido, de muito merecimento e valor. Bonito. Taura, torena, toruna.

D

DANÇAROLA, s. Bailarico, baileco, dançaleco.
DEBOCHEIRA, s. Grande troça, deboche, zombaria.
DEFUNTAR, v. Morrer.
DEFUNTEAR, v. Matar, assassinar. || Terminar de consumir.
DE JEITO, adv. De forma propícia, de modo oportuno.
DENTE SECO, s. e adj. Diz-se de ou o indivíduo destemido, audacioso, valente, que não tolera desaforo, que não foge à luta.
DERREAR, s. Esmorecer, desanimar.
DESABOTINADO, adj. Insensato, adoidado, estouvado, estourado, valentão.
DESCAMBADA, s. Declive, descida de uma coxilha ou lomba para uma quebrada ou vale. O mesmo que descambado.
DESCASCAR, v. Tirar da bainha a faca ou facão. Puxar a arma branca. Desembainhar, pelar.
DESEMBESTAR, v. Disparar, o anima, não obedecendo ao freio. || Em sentido figurado, significa não obedecer a conselhos, agir obstinadamente.
DESEMBUCHAR, v. Confessar segredos, contar tudo o que sabe.
DESEMPENHO, s. Pessoa muito diligente.
DESENCILHAR, v. Tirar os arreios ou a sela de cima do animal.
DESGUARITADO, adj. Diz-se do animal desgarrado, abandonado, isolado, perdido, separado do rebanho ou dos companheiros.
DESLAVADO, adj. Desavergonhado, cínico.
DESLOMBAR-SE, v. Esgotar-se, extenuar-se, exaurir-se.
DESMANEAR, v. Tirar a maneira do animal.
DESMUNHECAR, v. Cortar o tendão das munhecas do animal para impedi-lo de andar. Quebrar ou decepar a mão de.
DESNUCAR, v. Desarticular as vértebras do pescoço. Matar a rês, fincando-lhe, na região da nuca, um estilete ou ponta de faca até que atinja a medula ocasionando morte instantânea.
DESOVAR, v. Desembuchar, revelar.
DESPACITO, adv. Devagar, pouco a pouco, vagarosamente, devagarinho. Var.: de espacito.
DESPARRAMAR, v. Esparramar.
DESPENCAR-SE, v. Atirar-se, disparar, correr desabaladamente.
DESPILCHADO, adj. Que ou aquele que não tem pilcha, isto é, que não tem dinheiro, jóias, adornos, objetos de valor.
DESTORCIDO, adj. Desembaraçado, ágil, destro, decidido. Var.: Destrocido
DINHEIRAMA, s. Muito dinheiro, o mesmo que dinheiral. "Dei uma dinheirama por essa tropa", isto é, essa tropa custou-me muito dinheiro.
DITÉRIO, s. Mexerico.
DIVISA, s. Limite entre propriedades.
DOBLA, s. Dobra, moeda antiga de Portugal, cujo cunho e valor variaram nos diversos reinados.
DOMA, s. O ato de domar. Ato de amansar um animal xucro. O mesmo que domação.
DOMADOR, S. Amansador de potros. Peão que monta animais xucros.
DORMILÃO, s. e adj. Dorminhoco.

E

EGUADA, s. Manada de éguas.
EGUARIÇO, adj. Diz-se do cavalo que, na manada, só acompanha éguas; rufião, garanhão, pastor.
EH! PUXA!, interj. O mesmo que Eh! Pucha!
EMBIRA, o mesmo que imbira.
EMBOLAR, v. Cair de repente, como se fosse boleado.
EMBRETADA, s. Apertura, dificuldade, perigo, apuros, enrascada.
EMBRULHÃO, s. e adj. Diz-se de ou o indivíduo que causa confusão, embaraço, atrapalhação, complicação. (Fem.: Embrulhona).
EMBUÇALADO s. e adj. Enganado, logrado, iludido.
EMBUÇALAR, v. Colocar o buçal no animal. || Em sentido figurado: Enganar, iludir com boas maneiras, abusar da boa fé.
EMPACADOR, adj. Diz-se do animal, cavalar ou muar, que tem o hábito de empacar.
EMPACAR, v. Emperrar, deter-se, parar, não querer mais andar, obstinar-se em não seguir.
EMPANDILHADO, adj. Diz-se do indivíduo que anda em pandilhas.
EMPANTUFAR-SE, v. Encher-se, enfurnar-se, mostrar-se orgulhoso.
EMPEÇAR, v. Começar.
ENANCAR-SE, v. Montar nas ancas do animal.
ENCANGALHAR, v. Colocar a cangalha no animar. Colocar coisa em cangalha.
ENCARAPITADO, adj. Amontoado, superposto, trepado.
ENCILHADO, adj. Diz-se do animal que está com os arreios colocados no lombo.
ENCILHAR, v. Colocar os arreios no animal.
ENCONTRO, s. O peito do animal entre as espáduas. Usa-se geralmente no plural.
ENCORDOAMENTO, s. O conjunto das cordas; as cordas.
ENCORDOAR, v. Marchar um atrás do outro formando filas. || Aplica-se a animais e, figuradamente, a pessoas.
ENCOSTAR A MÃO, expr. Esbofetear.
ENFESTADO, adj. Diz-se do pano largo que vem dobrado ao meio na respectiva peça. Reforçado, dobrado, de compleição robusta.
ENFIAR, v. Encalistar, encabular.
ENFORQUILHADO, adj. Preso em forquilha. Montado a cavalo deselegantemente.
ENFRENAR, v. Enfrear. Colocar o freio na boca do animal, cavalar ou muar.
ENGAMBELAR, v. Enganar jeitosamente.
ENGRÓLIO, s. Trapaça, embrulho, embrulhada.
ENOVELAR-SE, v. Emparelharem-se os cavalos na carreira de forma a não se conseguir perceber qual o que leva vantagem sobre o outro.
ENQUARTADO, adj. Diz-se do vacum ou cavalar que tem os quartos bem providos de carne ou de músculos.
ENQUIZILHAR, v. Enraivecer, aborrecer a outrem. O mesmo que enquizilar.
ENRASCADA, s. Trama, embaraço, trapalhada, enredo, confusão, intriga.
ENREDADO, adj. Enleado nas rédeas, no laço, no aramado. Emaranhado.
ENREDIÇA, s. Trama, rede, enredo, emaranhamento, entrançado.
ENRODILHADO, adj. Embaraçado, acanhado, encolhido.
ENTECADO, adj. Enfezado, sem viço, débil, achacado. || Inerte, imóvel, sem ação.
ENTERRO, s. Tesouro enterrado, constituído de moedas de prata e de ouro, alfaias e outros valores.
ENTICADOR, s. e adj. Indivíduo implicante, que tem o costume de escarnecer de outrem.
ENTONADO, adj. Soberbo, arrogante, enfatuado, convencido, que tem entono.
ENTONCE ou ENTONCES, adv. Então, pois.
ENTREVERO, s. Mistura, desordem, confusão, de pessoas, animais ou objetos.
ENTROPIGAITADO, adj. Zambo, tonto, perturbado, confuso, desnorteado, embriagado.
ENTROPILHAR, v. Formar pequena tropa, ou tropilha, de animais cavalares que tenham o mesmo pelo.
ENVIDAR, v. Jogar, apostar, arriscar no jogo.
ENXUGAR, v. Matar, assassinar.
ERMÃO, s. Irmão. É vocábulo largamente usado pela gente rústica da campanha.
ERVA s. V. erva-mate.
ESBARRAR, v. Abancar o cavalo. Parar o animal de repente, riscando a terra com as patas traseiras e quase assentando no chão.
ESCARAMUÇA s. Ato de obrigar o cavalo, por meio de movimentos de rédea e de pernas, a efetuar diversas evoluções, como arrancar para a frente, voltar-se para trás, volver para a direita ou para a esquerda, parar e partir repentinamente, etc.
ESCARAMUÇAR, v. Fazer escaramuças.
ESCARCEAR, v. Levantar e abaixar briosamente a cabeça, curvando, com garbo, o pescoço. || Aplica-se aos cavalos, e, figuradamente, as pessoas.
ESCOTEIRO, adj. Diz-se do cavaleiro que viaja só, sem conduzir cargueiros, sem ser acompanhado de viaturas, sem embaraço ou impedimento de qualquer espécie.
ESCUITAR, v. Corruptela de escutar.
ESMULAMBADO, adj. Tornardo em mulambos. Maltrapilho.
ESPARRAMAR, v. Espalhar, dispersar.
ESPINILHO, s. Árvore que produz uma flor amarela muito apreciada pelas abelhas. Sua madeira é ótima para lenha, prestando-se, também, para a trama da cerca.
ESQUENTADO, adj. Colérico, zangado.
ESSE, s. Parte do facão ou da adaga, entre o cabo e a lâmina, com forma semelhante à da letra "S".
ESTACA, s. Pedaço de pau, fincado no chão, utilizado para amarrar a soga com que se prende o animal.
ESTADÃO, s. Luxo, grandeza. Viver num estadão: viver a la gordacha.
ESTÂNCIA, s. Estabelecimento rural destinado à criação de gado.
ESTANCIEIRO, s. Proprietário de estância. Fazendeiro.
ESTAQUEADO, adj. Esfalfado, abombado, estrompado, rebentado.
ESTICA, s. Aprumo, elegância.
ESTICANTE, adj. Que estica, que se pode esticar.
ESTICAR A CANELA, expr. Morrer.
ESTIVA, s. Ponte tosca sobre um córrego ou arroio, feita de varas ou paus atravessados. || Grande quantidade espalhada. || Grande quantidade.
ESTIVADO, adj. Cheio, repleto.
ESTOURO, s. Dispersão, em todas as direções, dos bois de uma tropa em marcha, tomados de pânico súbito e inexplicável.
ESTRADEIRO, adj. Diz-se da pessoa que anda sempre fora de casa, que vive constantemente na estrada. || Alarife, esperto, conquistador, velhaco.
ESTRAMBÓLICO, adj. Estrambótico.
ESTRANZILHADO, adj. Estafado, esfaldado, extenuado, abombado, abatido, alquebrado. || Diz-se do cavalo, e, figuradamente, pessoa.
ESTROMPADO, adj. Diz-se do animal cansado, estragado, arrebentado, estafado. || Estúpido, bronco, estouvado, quebrado, aleijado, gasto.
ESTROMPAR, v. Estafar, cansar, arrebentar, estragar, tratando-se de animal cavalar ou muar.
ESTROPIADO, adj. Diz-se do animal sentido dos cascos, com dificuldade de andar.
ESTRUPÍCIO, s. Barulho, desastre, estrépito, alvoroço, acidente, briga, incidente lamentável, ocorrência desagradável e inesperada.

F

FACÃO, s. Espécie de adaga que serve tanto para brigar como para o trabalho de mato. Não é aumentativo de faca.
FACHADÃO, s. Boa aparência.
FACHUDO, adj. Diz-se do cavalo de bela estampa ou do cavaleiro que monta com garbo. || Lindo, airoso, elegante, distinto, garboso, belo, bonito, trajado com esmero, que tem ares distintos.
FALARAZ, s. Falário, falatório.
FALA-VERDADE, s. Arma de uso pessoal: facão, faca de ponta, pistola, etc.
FANDANGO, s. Denominação genérica de antigos bailes campestres, constituídos de danças sapateadas, executadas alternadamente com canções populares, com acompanhamento de viola.
FAREJAR CATINGA AGOURENTA NO AR, expr. Pressentir acontecimento desagradável.
FARO, s. Tino, discernimento.
FARRA, s. Bebedeira, troça, divertimento, em geral com licenciosidade.
FARRAPO, adj. e s. Alcunha deprimente que os imperiais davam aos revolucionários de 1835. O apelido aviltante, alusivo à miséria em que se encontravam os farrapos, transformou-se, porém, em vista do civismo e da bravura que sempre demonstraram, em legenda de glória e de heroísmo de que se orgulham todos os seus descendentes.
FARREAR, v. Sair à pândega, à folia, à troça, para divertir-se, passear, beber.
FARRISTA, adj. Diz-se da pessoa que gosta de farras. Folião, divertido, beberrão, turbulento.
FARROMEIRO, adj. Fanfarrão, jactancioso, gabola, braveteiro.
FARROUPILHA, adj. O mesmo que farrapo. Diminutivo de farrapo. O que pertenceu à República de Piratini, de 1835. O revolucionário republicano de 1835. Os nativistas do Rio Grande do Sul, que, antes da revolução de 1835, já se batiam pela brasilidade na administração da província.
FAZER BOCA, expr. Comer alguma coisa para que o vinho fique com melhor sabor. || Fazer alguma coisa como início de uma ação mais importante.
FAZER-SE DE CHANCHO RENGO, expr. Fazer-se de desentendido. Fazer-se de tolo.
FESTO. s. Festa, farra, festejo, divertimento, baile. || Tédio, indisposição, impaciência, aborrecimento.
FIADOR, s. Parte do buçal que cinge o pescoço do cavalo, passando-lhe pela região jugular. || Alça colocada no cabo do relho para se introduzir o pulso, também chamado fiel. || Homem que marcha na frente da tropa do gado para regular-lhe a marcha, além do ponteiro.
FIAMBRE, s. Alimento para a viagem, geralmente carne fria, assada ou cozida.
FIEL, adj. Alça de couro ou de corrente de metal, colocada em uma das extremidades do cabo do rebenque ou do relho, na qual se enfia a mão que vai segurar qualquer daqueles trastes campeiros.
FIGUEIRA, s. Árvore gigante, Urostigma ficus, abundante no Rio Grande do Sul, que dá pequenos frutos comestíveis, de tronco não muito elevado, porém dotada de grande copa esparramada, cobrindo vasta área, e produzindo excelente sombra.
FILA TESTA, s. Fila da testa, da frente, da vanguarda.
FIXE, adj. Fixo, firme.
FLACO, adj. Fraco, magro, desnutrido. (Esp.).
FLETE, s. Cavalo bom e da bela aparência, ecilhado com luxo e elegância.
FLOR, adj. Muito bom, excelente, bonito, belo, lindo, grande, gordo. O mais lindo, o melhor, a porção mais fina, o mais apurado.
FLOREADO, adj. Embriagado, tonto, perturbado; a meia embriaguez.
FLOREIO, s. Embate de arma branca, de pequena duração.
FOGÃO, s. Grande fogo que se acende no galpão das estâncias para o preparo do mate e do churrasco.
FOLHEIRO, adj. Airoso, garrido, alegre, satisfeito, desembaraçado, desempenado, despreocupado, elegante, garboso, vistoso, lindo, taful, loução, bem disposto, de boa aparência. || Que faz ou obtem as coisas com facilidade, sem embaraços.
FORÇUDO, adj. Robusto, vigoros, que tem muita força.
FRENTEAR, v. Atacar a tropa pela frente. Impedir o gado de disparar pelo campo. || Deparar-se, defrontar-se.
FUEIRO, s. Estaca para amparar a carga da carreta ou carro de bois.
FUMACEAR. v. Mostrar-se em bando numeroso, mais ou menos compacto.
FUNGU, s. Bruxaria, feitiço.
FUSCO-FUSCO, s. Lusco-fusco.

G

GADARIA, s. Porção de gado, grande quantidade de gado, o gado existente em uma estância ou em uma invernada.
GADELHUDO, adj. Diz-se de uma pessoa com os cabelos muito crescidos. || Aplica-se também ao cavalo muito crinudo. || Intrépido, audaz.
GADO, s. O gado vacum. Quando o riograndense quer referir-se a outro gado que não seja o vacum, ele o especifica, chamando-o gado lanígero, asinino, muar, cavalar, etc.
GAGINO, s. Galo que tem as penas com aspecto semelhante às da galinha.
GALÃO LARGO, s. Militar de alta graduação.
GALEGO, s. Alcunha que os farrapos davam aos legalistas. O mesmo que absolutista, camelo, caramuru, restaurador corcunda.
GALHEIRO, s. Galhudo, o veado macho, de chifres muito grandes e com diversas pontas.
GALOADO, adj. Agaloado.
GALOPE, s. Cada uma das montadas que se dá ao potro ou redomão com o fim de amansá-lo.
GALOPEADO, s. Diz-se do cavalo que esteve ou está em preparo para corridas.
GALOPEAR, v. Galopar. Montar um potro ou redomão para amansá-lo e ensiná-lo a ser obediente às rédeas. Treinar o parelheiro para a carreira.
GALPÃO, s. Construção existente nas estâncias destinada ao abrigo de homens e de animais e à guarda de material.
GAMBELO, s. Festa, carícia, carinho, no sentido de enganar, iludir. || Gulodice, coisa boa, gostosa, agradável, deliciosa.
GANAS, s. Desejo súbito, vontade. Este termo é usado ordinariamente no plural.
GANDOLA, s. Peça do vestuário, usada por militares em substituição ao capote. Blusão.
GANDOLINA, s. Ameaça de revolução.
GANHAR DE LUZ, expr. Vencer o parelheiro, em corridas de cavalos, atingindo o laço de chegada distanciado do contedor, de forma a haver, para quem observa lateralmente, algum espaço entre a cola do ganhador e a cabeça do perdedor.
GANIÇAR, v. Ganir.
GANJENTO, adj. Vaidoso, presumido, enganjamento, presunçoso, atrevido, que tem ganja.
GARGALEJADO, adj. Diz-se do ruído que lembra o do gargalejo.
GARGANTA, s. e adj. Indivíduo conversador, prosa, mentiroso, jactancioso, fanfarrão.
GARRÃO, s. Jarrete do cavalo, ou de qualquer outro animal ou de pessoa.
GARRAS, s. Arreios velhos, grosseiros, gastos pelo uso.
GARUPA, s. Arbusto cujas folhas, em infusão, são usadas para doenças do aparelho digestivo. || Nome de rio da fronteira, no município de Quaraí.
GATEAR, v. Andar, cautelosamente, fazendo negaças, rastejando, caminhando de gatinhas, usando de ardis, de astúcia, de manhas, para conseguir aproximar-se da caça e matá-la.
GAUCHADA, s. Grande número de gaúchos. || Façanha de gaúcho, cometimento muito arriscado, proeza no serviço de campo. || Ação nobre, impressionante, corajosa.
GAUCHAGEM, s. Grande número de gaúchos.
GAUCHITO, s. Diminutivo de gaúcho.
GAÚCHO, s. e adj. Habitante do Rio Grande do Sul. || Habitante do interior do Rio Grande, dedicado à vida pastoril e perfeito conhecedor das lides campeiras.
GAUDÉRIO, s. Pessoa que não tem ocupação séria e vive à custa dos outros, andando de casa em casa. Parasita, amigo de viver à custa alheia. Denominação dada ao antigo gaúcho, em sentido depreciativo.
GAVIÃO, adj. Diz-se do cavalo arisco, matreiro, que dificilmente se deixa apanhar. Fem.: gaviona.
GENTAMA, s. Reunião de muita gente; multidão; grande número de pessoas. Gentarada, gentalha. Gentinha. Grande quantidade de gente de classe inferior.
GINETAÇO s. Pessoa que monta bem, com firmeza e com garbo. Bom cavaleiro, domador.
GINETEAR, v. Montar a cavalo com firmeza e com garbo; andar em animal arisco ouxucro, fazer o animal corcovear, agüentar corcovos.
GOLA-DE-COURO, s. Soldado, milico, miliciano.
GOLPEADO, adj. Diz-se do indivíduo que toma resoluções irrefletidamente, de golpe, impulsivo, leviano, tonto.
GRAVATÁ, s. Caraguatá.
GRAXAIM, s. Guaraxaim, sorro, zorro. Pequeno animal semelhante ao cão, que gosta de roer cordas, principalmente de couro cru e engraxadas ou ensebadas, e de comer aves domésticas.
GRINGO, s. Denominação dada ao estrangeiro em geral, com exceção do português e do hispano-americano.
GROTA, s. Socavão, furna, gruta, desbarrancado, vale profundo.
GRUDAR, v. Dar, pespegar.
GRUNIR, v. Trabalhar intensamente, afanosamente. || Sofrer muito, ou resistindo a dores, ou esforçando-se para conseguir algo. Suportar incômodos, aborrecimentos; curtir, agüentar. O mesmo que gurnir.
GUAIACA, s. Cinto largo de couro macio, às vezes de couro de lontra ou de camurça, ordinariamente enfeitado com bordados ou com moedas de prata ou de ouro, que serve para o porte de armas e para guardar dinheiro e pequenos objetos.
GUAIPECA, s. Cão pequeno, cuso, cachorrinho de pernas tortas, cãozinho ordinário, vira-latas, sem raça definida.
GUAJUVIRA, s. Árvore (Patagonula americana) que produz excelente madeira de construção.
GUAMPA, s. Chifre, corno, aspa. || Chifre preparado para ser usado como copo ou como vasilha para guardar líquidos.
GUAMPADA, s. Chifrada, guampaço. Golpe dado pelo bovino, com as guampas.
GUAMPUDO, adj. Que tem grandes chifres, chifrudo. || Diz-se também, do homem cuja mulher lhe é infiel.
GUAPEAR, v. Mostrar ânimo, coragem, valor, resistência.
GUAPO, adj. Forte, vigoroso, valente, bravo.
GUASCA, Tira, correia, corda de couro cru, isto é, não curtido. || Denominação dada aos rio-grandenses pelos filhos de outros estados, pelo fato de neste, em vista da predominância da indústria pastoril e da carência de outros materiais, haver sido generalizado o emprego do couro para as mais diversas finalidades.
GUASCAÇO, s. Pancada, golpe dado com guasca. Relhaço, relhada, chicotada, chibatada, correada, açoite, guascada, guasqueada.
GUASQUEAR, v. Surrar, açoitar, espancar, chicotear, fustigar com guasca ou com qualquer outro açoite.
GUASQUEIRO, Pessoa que trabalha com guascas.
GUINCHA, s. Poldra, potranca, égua nova, gueicha. || Mulher despudorada.
GURI s. Criança, menino, piazinho, serviçal para trabalhos leves nas estâncias.
GURIZOTE, s. Guri já um pouco crescido, mocinho.
GURNIR, v. O mesmo que grunir.

H

HARAGANEAR, v. Andar solto o animal por muito tempo, sem prestar serviço algum, tornando-se arisco. || Em sentido figurado, aplica-se às pessoas, significando vadiar, gauderiar, vagabundear, andar sem ocupação, passear de um lado para outro sem procurar serviço.
HARAGANO, adj. Diz-se do cavalo que por haver estado durante muito tempo, sem prestar serviço, tornou-se arisco, espantadiço. || Em sentido figurado mandrião, velhaco, vagabundo, vadio, ocioso, preguiçoso, esperto, vivaracho, matreiro.
HARANGANO, adj. O mesmo que haragano.
HOM!, interj. Hum!
HOSPE, s. Corruptela de hospéde.

I

IBICUÍ, s. Afluente do rio Uruguai que nasce no município de Santa Maria, banha São Gabriel, Rosário, Alegrete e Uruguaina, à esquerda, e São Pedro, São Vicente, São Francisco de Assis e Itaqui à direita.
IBIROCAÍ, s. Arroio, afluente do Ibicuí, da margem esquerda; fica entre os municípios de Alegrete e Uruguaiana.
ILHAPA, s. A parte mais grossa do laço, presa à argola, tendo de quatro a cinco palmos de comprimento.
IMBIRA, s. Arbusto de cuja casca se preparam cordas.
INCHUME, s. Inchaço, inchação, calombo, tumor.
INHÉ, s. Onomatopéia, designativa da voz dos sapos e das rãs.
INTÉ, prep. Até. Significa, também, "até logo", "até outra vista".
INVITE, s. Convite. Convite para jogar. || Oferecimento de uma coisa.
ISQUEIRO, s. Aparelho para acender o cigarro, constituído de pequeno recipiente de guampa ou de porongo dentro do qua é colocada a isca, de pedra-de-fogo e de fuzil. O fuzil é, geralmente, um pedaço de lima.
IXE!, interj. Indica desdém ou ironia.

J

JACUBA, s. Bebida-pirão que se prepara com água quente, farinha de mandioca e açúcar. Às vezes, a água é substituída por cachaça ou leite e o açúcar por mel.
JAGUANÉ, adj. Diz-se do animal que tem o fio do lombo e a barriga brancos e o lado das costelas vermelho ou preto, donde o jaguané-vermelho e p jaguané-preto.
JAGUATIRICA, s. Carnívoro felídeo, também chamado maracajá e gato-do-mato-grande.
JANTAROLA, s. Jantarão, jantar, opíparo, banquete.
JARARACA, s. Nome de uma das mais venenosas cobras do Rio Grande do Sul (Botropus jararacae). || Mulher feia, faladeira, intrigante.
JERIVA, s. Jeribá. Espécie de palmeira existente em diversos pontos do Estado.
JUNTA, s. Parelha de bois mansos que puxam lado a lado.

L

LAÇAÇO, s. Pancada dada com o laço. Relhaço, guascaço, correada. Golpe dado com corda, vara ou qualquer outro açoite.
LAÇAR, v. Atirar o laço e por meio dele aprisionar ou apreender o animal, a pessoa ou o objeto sobre o qual ele é lançado. O mesmo que enlaçar.
LAÇO, s. Corda trançada de tiras de couro cru, de comprimento que varia entre oito e dezoito braças, ou seja, de dezessete a quarenta metros; é constituído de argola, ilhapa, corpo do laço e presilha. || Ponto inicial e final em carreiras de cavalos.
LADEADO, adj. Inclinado, pendido para um lado, de costado.
LADEAR, v. Desviar, contornar, tirar de frente.
LAGOÃO, s. Lagoa grande e profunda que se forma no curso das sangas.
LANÇAÇO, s. Golpe de lança, lançada.
LANÇANTE, s. Descida. Forte declive num cerro ou coxilha; qualquer terreno em declive.
LARGADO, adj. Diz-se do animal que, por muito quebra, por indomável, foi abandonado no campo, imprestável para os arreios. || Por extensão, aplica-se ao homem, com a significação de malévolo, turbulento, animoso, valente, corajoso, desordeiro, desabusado, inculto, irrecuperável, impossível de ser corrigido.
LARGO, adj. Comprido.
LAVORAR, v. Lavrar, desenvolver-se, alastrar-se.
LE, pron. Lhe.
LÉGUA, s. Medida itinerária equivalente a 3.000 braças ou a 6.600 metros. O mesmo que légua ou sesmaria.
LERDO, adj. Vagaroso, lento, pesadão, preguiçoso, molengão.
LEVADO DA BRECA, expr. Travesso, endiabrado, moleque, engraçado, manhoso, jocoso, alegre, divertido, satírico, ardiloso, velhaco, valente, brigão, forte, audaz, respeitável, temível, fértil em expedientes.
LEVADO DA CASQUEIRA, expr. O mesmo que levado da breca.
LEVANTAR, v. Adelgaçar, alevianar, preparar o cavalo para a carreira. || Retirar o gado do campo ou do lugar em que se encontra. || Crescer a pastagem de um campo.
LEVIANO, adj. Leve, de pouco peso.
LIGAL, s. Couro cru de bovino com o qual se cobrem as cargas transportadas por animais, para protegê-las da chuva.
LIGAR, v. Estar com sorte no jogo, nos amores, nos negócios ou em qualquer outro assunto.
LINDAÇO, adj. Muito lindo. Fem.: lindaça.
LIVRETA, s. Livro pequeno ou caderno para anotações ou contas.
LOBUNO, adj. Diz-se do pêlo escuro acizentado, do cavalo ou do vacum. O que tem cor de lobo.
LOMBA, s. Lombada. || Declive ou aclive das fraldas de pequenos morros ou de coxilhas baixas.
LOMBEAR-SE, v. Torcer o lombo, o animal meio arisco, quando é montado. || Retorcer o corpo por motivo de pancada recebida, de qualquer dor física ou de cócega.
LOMBEIRA, s. Preguiça, modorra, moleza no corpo.
LOMBILHO, s. Denominação da peça principal dos arreios. É uma espécie de sela, muito semelhante ao serigote, usada no Rio Grande do Sul.
LOMBO-SUJO, s. Nome deprimente dado aos civis que tomaram parte em revoluções no Rio Grande do Sul, tanto ao lado do governo como contra este. Em 1893, os governistas davam esse apelido aos rebeldes. || Figuradamente, aplica-se a indivíduos reles, desprezível.
LONCA, s. Denominação dada a parte do couro do cavalar ou muar, tirada dos flancos, da região que vai da base do pescoço até às nádegas.
LONQUEAR, v. Preparar o couro, em geral do cavalo ou do muar, limpando-o e raspando-lhes os pêlos, a fim de utilizá-lo depois para a feitura dos tentos, tranças, costuras, retovos. || Courear, no sentido de tirar o couro de animal morto no campo, de peste, magreza ou desastre. || Ganhar no jogo todo o dinheiro de alguém. || Surrar, espancar, esbordoar, ferir. || Matar.
LUNANCO, adj. Diz-se do cavalo que tem um quarto mais baixo do que o outro. || Aplica-se também a pessoas.

M

MACANUDO, adj. Bom, superior, poderoso, forte, prestigioso, inteligente.
MACEGA, s. Arbusti rasteiro que viceja em geral os campos de máqualidade. Pastagem. Capim alto.
MACEGAL, s. Terreno coberto de macegas.
MACETA, adj. Diz-se dos animais cavalares e muares que apresentam os machinhos mais grossos que de ordinário, o que lhes dificulta a marcha.
MACHINHOS, s. A parte fina dos pés dos animais cavalares e muares, logo acima dos cascos. (Também é usado no singular).
MACOTA, adj. Grande, alto, poderoso, influente, numeroso, vultoso, macanudo, bom de qualidade, superior em qualquer sentido.
MADUZÁRIO, adj. Bastante maduro, idoso.
MAIORAL, s. O boleeiro da diligência; o capataz da tropa ou da estância.
MALEVA s. e adj. Bandido, malfeitor, malfazejo, desalmado, perverso, desapiedado, malévolo, mau, genioso, velhaco, cruel, de maus instintos.
MALEVAÇO, s. e adj. Aumentativo de maleva.
MALMEQUER, s. Planta do campo, da família das Compostas, que dá flores amarelas (Aspilla sp).
MALOCA s. Bando de malfeitores, de salteadores, de gente de má vida.
MAL PARADO, expr. Perigoso, difícil, ameaçador.
MAMANGAVA, s. Espécie de grande vespa, muito venenosa, cuja picada produz dor intensíssima, calafrios e febre.
MANADA, s. Magote de éguas ou burras, ordinariamente de trinta a cinqüenta acompanhadas por um garanhão ou um burro-choro, destinadas à reprodução.
MANANCIAL, s. Sumidouro, tremeda, paul, pântano.
MANANTIAL, s. O mesmo que manancial.
MANAPANÇA, s. Espécie de beiju espesso feito de farinha de mandioca e temperado com com açucar e erva-doce.
MANCADA, s. O mesmo que polca mancada.
MANCARRÃO, s. e adj. Cavalo velho, sem valor, quase imprestável. O mesmo que pilungo e matungo. || Cavalo bom.
MANCHADO, adj. Diz-se do pêlo do animal vacum ou cavalar que, sobre determinado fundo, apresenta zonas de outra cor.
MANDA-TUDO, s. Manda-chuva, pessoa de grande influência.
MANEADO, adj. Diz-se, em sentido figurado, de pessoa embaraçada, sem iniciativa.
MANEADOR s. Tira de couro cru bem sovada, de dois dedos de largura por seis braças de comprimento, mais ou menos, que o campeiro conduz no pescoço do animal ou em baixo dos pelegos, para servir de soga durante as paradas em viagem. || adj. Diz-se do que maneia, ou prende o animal com maneia.
MANEAR, v. Prender com maneia ou com qualquer corda.
MANEIA, s. Peça constituída de pedaços de couro, ligados por uma argola, que serve para prender uma à outra as patas do animal, a fim de que este não possa fugir.
MANGA, s. Linha formada de pessoas a pé ou a cavalo para obrigar o gado a passar por determinado ponto ou fazê-lo entrar para a mangueira.
MANGANGÁ, s. O mesmo que mamangava.
MANGUEAR, v. Guiar o gado na travessia de algum rio, flanqueando-o a cavalo ou de canoa. || Conduzir, andando-lhe no flanco, o gado na direção da mangueira, do rodeio, de uma aguada ou do grosso da tropa.
MANGUEIRA, s. Grande curral construído de pedra ou de madeira, junto à casa da estância, destinado a encerrar o gado para marcação, castração, cura de bicheiras, aparte e outros trabalhos.
MANOTEAR, v. Dar manotaços. || Pegar, segurar, agarrar rapidamente qualquer objeto.
MARCA, s. Instrumento de ferro usado pelos estancieiros para marcar seu gado a fim de diferenciá-lo do de outras estâncias.
MARCAÇÃO, s. Ação de marcar os animais de uma estância. Reunião de campeiros para a realização do trabalho de marcar o gado.
MASCAR, v. Mastigar.
MATADURA, s. Ferida no lombo do cavalo, proveniente do mau uso dos arreios. O mesmo que mata.
MATE, s. Infusão de erva-mate (Ilex paraguayensis, St.-Hil.) preparada em cuia de porongo e sorvida por meio da bomba.
MATE-AMARGO, s. O mesmo que mate-chimarrão. Chimarrão, amargo, verde.
MATUNGO, s. Cavalo velho, ruim, imprestável. O mesmo que pilungo, sotreta, urucungo, mancarrão.
MATURRANGO, s. Indivíduo que monta mal a cavalo, que não entende dos trabalhos de campo.
MAULA, adj. Ruim, pusilânime, mau, covarde, tímido, medroso, frouxo, mole, fraco, ordinário, sem préstimo, sem energia.
MECHIFLARIAS, s. Quinquilharias, bigigangas, coisas sem valor.
MEIA-DOBLA, s. Moeda que vale a metade da dobla ou dobra.
MEIA-LUA s. Sinal com forma de um crescente, localizado na testa de alguns animais.
MEIA-RÉDEA, adj. Diz-se da andadura do cavalo com velocidade maior do que a do galope ordinário, porém menor do que a de carreira. Diz-se, ainda, da viagem apressada, acelerada.
MEIO, s. Meio-real. Cem réis, ou seja, metade do valor da moeda oriental que correspondia a duzentos réis, dois tostões.
MELADO, adj. Diz-se do cavalo que tem o pêlo e a pele brancos. Albino.
MEMÓRIA, s. Jóia, anel.
MENEAR, v. Dar golpes com a mão. Executar qualquer coisa com as mãos. Manejar.
MIANGO, s. Pequena porção, pedacinho.
MILES, adj. Milhares, grande quantidade.
MILICAMA, s. Grupo de milicos. Milicada.
MILICO, s. Soldado, militar, policial, miliciano, de qualquer classe ou posto.
MILONGAGEM, s. Dengue, manha, requebro, pieguice.
MILONGUEIRO, s. e adj. Cantador de milongas. || Manhoso, dengoso, labioso, piegas, jeitoso para enganar os outros.
MINIGÂNCIAS, s. Miudezas, tarecos, bugigangas, quinquilharias, ninharias, restos, coisas sem importância.
MINUANO, s. Indígena dos minuanos, tribo que antigamente habitava o sudoeste do Rio Grande do Sul; relativo aos minuanos. || Vento frio que sopra do sudoeste, no inverno. Vem dos Andes, passando pela região onde habitavam os índios minuanos, dos quais tomou o nome. O minuano purifica a atmosfera, dissipa as nuvens, enxuga as estradas, e prenuncia tempo firme e seco. Sua duração é geralmente de três dias.
MIRIM, s. Pequena abelha silvestre da região serrana, que fabrica excelente mel, com propriedades medicinais. É desprovida de ferrão e faz sua colméia em ocos de árvores, em cavidades nas paredes das casas e até em buracos no solo. || Nome do mel fabricado pela abelha mirim.
MIRONES, s. Especuladores.
MISSIONEIRO, s. e adj. Indígena das antigas missões jesuíticas. || Habitante da região Missioneira do Estado. || Relativo às missões.
MITRADO, adj. Esperto, finório, astucioso, manhoso, sagaz, vivo, atilado.
MIUDAGEM, Porção de objetos de pouco valor, de coisas miúdas, de restos de mercadorias que estão em liquidação. Gado miúdo, em geral gado de cria, terneirada. Grupo de miúdos, com a significação de meninos, guris, garotos, crianças.
MIÚDO, s. Menino, guri, garoto, criança. || Animal pequeno.
MIXE, adj. Apoucado, enfezado, pequeno, pífio, ruim, insignificante, ordinário, desprezível, sensaborão, de má qualidade.
MOÇADA, s. Grupo de jovens. Rapaziada.
MOCHO, s. Uma raça de gado bovino, sem chifres ou com os chifres atrofiados. || Rês desprovida de chifres, de qualquer raça.
MOCOTÓ, s. Patas de bovino, sem cascos; o alimento preparado com essas patas.
MOGANGO, s. Fruto do mogangueiro, muito saboroso, que se come cozido ou assado, puro ou com outros alimentos, principalmente com carne ou leite.
MONDONGO DURO DE PELAR, expr. Coisa difícil de fazer.
MONTADO, adj. Diz-se do animal doméstico que se tornou bravio e vive no campo.
MORMAÇO, s. Quentura, calor intenso.
MOROCHA, s. Moça morena, mestiça, mulata, rapariga de campanha.
MORRENTE, s. e adj. Moribundo, que está morrendo.
MORRUDO, adj. Grande, volumoso, corpulento, grosso, bem criado, gordo, avultado, comprido, alto, fora do comum, muito numeroso.
MOTA, s. Presnte que o negociante dá a seu freguês, depois de uma compra feita pelo mesmo.
MUCHACHO, s. Rapaz, moço. || Suporte em que descansa o cabeçalho ou a parte traseira da carreta.
MUÇUM, s. Enguia do Brasil. || Em sentido figurado, pessoa de cor preta, negro.
MULITA, s. Espécie de tatu de pequeno porte, de carne muito saborosa.
MUNDÉU, s. Armadilha para apanhar caça. || Traição.
MUNHATA, s. Batata-doce.
MUSSITAR, v. Murmurar, segredar, cochichar.
MUTUCA,s. Mosca grande, de picada dolorosa, que irrita os animais.

N

NACO, s. Naca. Pedaço de fumo ou de carne.
NAMBI, adj. Diz-se do animal cavalar ou muar que tem uma orelha, ou ambas, caída, cortada, enrolada, atrofiada, murcha, muito pequena.
NEGALHAS, s. Pequena porção, quantidade insignificante.
NHANDU, s. Nome tupi da ema e do avestruz.
NHANHÃ, s. Tratamento que os escravos davam às senhoras, principalmente às meninas e moças.
NINHAR, v. Andar `procura de ninhos para lhes tirar os ovos.
NOMBRADA, s. Heroísmo, rasgo.
NÓ-REPUBLICANO, s. Modo de atar o lenço que os republicanos rio-grandenses de 1835 usavam como distintivo.
NUM VÁ, adv. Num instante, num pensamento, muito rapidamente, num abrir e fechar de olhos, num vu.

O

OCHE!, interj. Expressão usada pelos carreteiros para fazer os bois da carreta pararem ou diminuírem a marcha.
OIGALÊ!, interj. Exprime admiração, espanto, alegria.
OLHADA, s. Ação de olhar, reparo.
OLHO-D'ÁGUA, s. Manancial, vertente.
OMBRUDO, adj. Que tem ombros largos, espadaúdo.
ONÇA, s. Moeda antiga, de ouro.
OOCHE!, interj. O mesmo que Oche!
ORELHANO, s. e adj. Animal sem marca nem sinal.
ORRE DIACHO!, interj. Exprime satisfação por ter acontecido algo de mau a um adversário ou a um inimigo.
OVADO, adj. Diz-se do cavalo que tem ovas ou inchações, proveniente da dilatação de certas membranas entre a pele e os ossos ou cartilagens.

P

PABULAGEM, s. Pedantismo, gabolice, vanglória, impostura.
PAGO, s. Lugar em que se nasceu, o lar, o rincão, a querência; o povoado, o município em que se nasceu ou onde se reside.
PAISANO, adj. Do mesmo país. || Amigo, camarada. || Campônes, não militar.
PAJONAL, s. Pantanal, banhado extenso.
PALA, s. Poncho leve, feito em geral de brim, vicunha ou seda, de feitio quadrilátero, com as extremidades franjadas. Usa-se enfiado ou em torno do pescoço, como cachecol.
PALANQUE, s. Esteio grosso e forte cravado no chão, com mais de dois metros de altura e trinta centímetros aproximadamente de diâmetro, localizado na mangueira ou curral, no qual se atam os animais, para doma, para cura de bicheiras ou outros serviços.
PALETA, s. Omoplata ou espádua do animal. O mesmo que pá. Aplica-se também às pessoas.
PALETADA, s. Choque com a paleta. Arremetida, investida, impulso.
PAMPA, s. Denominação dada às vastas planícies do Rio Grande do Sul e dos países do Prata, cobertas de excelentes pastagens, que servem para criação de gado, principalmente bovino, cavalar e lanígero.
PAMPEANO, adj. Relativo ao pampa, pertencente ao pampa. O mesmo que pampiano.
PANDILHA, s. Bando, grupo, quadrilha de malfeitores ou de animais.
PARADISTA, adj. Fanfarrão, blasonador, prosa, presunçoso, pomadista.
PARADOURO, s. Lugar onde habitualmente o gado manso passa a noite, em geral próximo à casa da estância. Var.: Parador.
PARAR PATRULHA, expr. Resistir a uma agressão. Responder a uma ofensa.
PARCERIA, s. Grupo de parceiros de jogo.
PARELHEIRO, s. Cavalo preparado para a disputa de carreiras. Cavalo de corrida.
PARELHO, adj. Diz-se do campo que se estende sem ondulações. Liso, plano, sem asperezas.
PARENTALHA, s. Parentela. Os parentes.
PARRANDA, s. Associação de velhacos organizada para burlar os incautos.
PASSADOR, s. Peça de tentos traçados em forma de anel ou de pequeno canudo, que serve para juntar partes dos aperos de cabeça, do peitoral, de maneia, do rabicho, dos loros, etc.
PASSARINHEIRO, adj. Diz-se do animal de montaria que, andando na estrada, se assusta de qualquer coisa, priscando para os lados. Assustadiço, cheio de sestros.
PASSO, s.Lugar no rio ou no arroio onde costumam passar os viajantes, a cavalo, a nado, a bola pé, ou embarcados.
PASTOR, s. Garanhão. Cavalo inteiro reservado para fecundar as éguas.
PASTOREIO,s. Lugar em que se pastoreia ou pastoreja o gado. O gado submetido a pastoreio.
PASTOREJAR, v. Pastorear. || Em sentido figurado, cortejar, requestar.
PATACÃO, s. Antiga moeda de prata no valor de dois mil réis.
PATALEAR, v.Espernear, patear, dar com as patas.
PATRÍCIO, s. Coestaduano.
PEALO, s. Ato de arremessar o laço e por meio dele prender as patas do animal que está correndo e derrubá-lo.
PEÃO, s. Homem ajustado para o trabalho rural. Conchavado. Empregado para condução de tropa.
PECHADA, s. Choque, encontrão, colisão. Golpe dado com o peito. Embate entre dois cavaleiros que correm em direções opostas. Embate de um cavaleiro com um animal, com uma árvore, com uma cerca, com qualquer coisa.
PÉCORA, s. Moça namorada, rapariga leviana.
PEÇUELOS, s. Espécie de alforje duplo, de couro ou de lona, usado na garupa do cavalo, em que o viajante conduz roupas e outras utilidades.
PÉ-DE-AMIGO, s. Sistema de peia do animal cavalar ou muar que consiste em passar-lhe, pelo grosso do pescoço, junto às cruzes, um laço, maneador ou outra corda, em que se dá um nó pelo qual corre uma laçada que vai prender uma das patas traseiras e levantá-la a um palmo ou dois de altura, deixando o animal apoiado apenas em três pés, o que lhe dificulta os movimentos e o impossibilita de dar coices.
PÉ-DE-CHUMBO, s. Designação depreciativa dada aos portugueses.
PEGADO, adj. Diz-se do animal preso à soga ou cabresto, ou em estrebaria ou piquete, pronto para ser utilizado a qualquer momento.
PELANCA, s. Pele flácida, pelhanca. || Veterano.
PELEGO, s. Pele de carneiro ou de ovelha, de forma retangular, com a lã natural, que se coloca sobre os arreios, para tornar macio o assento do cavaleiro.
PELEIA, s. Peleja, pugilato, contenda, briga, rusga, disputa, combate, luta entre forças beligerantes.
PÊLO, s. Pelagem, pelame. A cor do pêlo dos animais.
PENCA, s. Carreira em que tomam parte muitos animais. Califórnia. || Grande quantidade.
PENDER, v. Mudar a direção da marcha.
PENICAR, v. Pinicar, beliscar, cutucar, ferir o cavalo com a roseta da espora.
PENTE FINO, s. e adj. Indivíduo velhaco, finório, manhoso, ladino, espertalhão, pouco escrupuloso, que de tudo tira proveito.
PEONADA, s. Grande número de peões ou peães. O conjunto de peões ou peães de uma estância, de uma tropa, de uma empreitada de obra.
PEQUENITATE, adj. Muito pequenino.
PERDIDAÇO, adj. Superlativo de perdido.
PERNETEAR, v. Mancar, claudicar, coxear, pernear, espernear, patalear.
PESADO, s. adj. Diz-se do indivíduo importante, poderoso, conceituado, respeitado. || Azarado.
PETIÇO, s. Cavalo pequeno, curto, baixo. || Por extensão, pessoa de pequena estatura.
PIÁ, s. Menino, guri, caboclinho.
PIAVA, s. Piaba. Peixe muito apreciado pelo seu sabor.
PICAÇO, adj. Diz-se do cavalo de pêlo escuro com a testa e as patas brancas.
PICADA, s. Caminho, geralmente estreito, que se faz no mato, para trânsito decavaleiros ou de viaturas rústicas.
PICANA, s. Aguilhada. Vara comprida, com um prego na ponta, usada para conduzir e para ferroar os bois de tração.
PICANHA, s. Parte posterior e lateral da região lombar de rês. Anca do animal vacum ou cavalar.
PICUMÃ, s. Fuligem que se acumula sob o teto dos galpões ou das cozinhas de chão.
PIGUANCHA, s. China, chinoca, caboclinha, moça, rapariga. || Mulher de vida fácil.
PINGAÇO, s. Aumentativo de pingo. Cavalo vistoso, bom e bonito.
PINGO, s. Cavalo bom, corredor, bonito, vistoso, fogoso, árdego.
PIOLA, s. Cordão, barbante, pedaço de corda.
PIPOCAR, v. O mesmo que pipoquear.
PIPOQUEAR, v. Arrebentar, estalar como pipoca. Crepitar. O mesmo que pipocar.
PIQUETE, s. Pequeno potreiro, ao lado da casa, onde se põe ao pasto os animais utilizados diariamente. || Animal que é mantido preso para ser encilhado a qualquer momento.
PITAR, v. Fumar.
PITO, s. Cigarro. || Ralho, carão, advertência.
PLANCHAÇO, s. Pancada dada de prancha com o facão, a adaga ou a espada.
PLANCHADOR, adj. Animal que se plancheia, ou cai de lado com facilidade.
PLANCHEAR, v. Cair o cavalo de lado com o cavaleiro. Levar uma planchada (queda).
PLATA, s. Prata, dinheiro. É termo espanhol.
POBRERIO, s. Porção de pobres. A classe pobre.
PODRE DE MANSO, expr. Diz-se do animal muito manso, de toda a confiança.
POLCA DE DAMAS, s. Polca em que as mulheres escolhem seus pares.
POLCA-MANCADA, s. Antiga polca, dançada principalmente no campo, acompanhada de cantingas.
POLVADEIRA, s. Poeirada, nuvem de pó, grande quantidade de poeira.
POLVARIM, s. Polvarinho, polvorinho, polvorim.
PONCHADA, s. Pancada com o poncho. || Grande quantidade de dinheiro ou de objetos.
PONCHO, s. Espécie de capa de lã, de forma retangular, ovalada ou redonda, com uma abertura no centro, por onde se enfia a cabeça.
PONTA, s. Pequena porção de animais.
PONTAÇO, s. Pontoada, golpe ou ferimento com a ponta da faca, da adaga, do facão, da espada, da bengala, ou de qualquer outro instrumento.
PONTA DE GADO, s. Pequena quantidade.
PONTEIRO, s. O campeiro que vai à frente da tropa para regular-lhe a marcha e guiá-la no caminho a seguir.
PORONGO, s. Cuia.
PORQUERIA, s. Porcaria, coisa nojenta.
PORTEIRA, s. Cancela, portão de entrada para propriedades rurais, mangueiras, lavouras, invernadas, potreiros.
POSTEIRO, s. Agregado de estância que mora geralmente nos limites do campo, o qual é incumbido de zelar pelas cercas, cuidar do gado, não permitir invasão de estranhos, ajudar nos rodeios e executar outras tarefas.
POSTO, s. Local da estância onde mora o posteiro.
POTRADA, s. Uma porção de potros.
POTREIRO, s. Campo de pequena área, cercado, maior que o piquete e menor que a invernada, próximo à estância, com pastagem e aguada, no qual se guardam os animais utilizados diariamente, ou os que estejam necessitando de cuidados especiais.
POTRO, s. Cavalo novo ou não, ainda xucro ou com apenas alguns galopes. Poldro.
POUSADA, s. Pernoite, pouso.
POUSAR, v. Pernoitar. || Descansar o pássaro depois de voar.
POUSO, s. O mesmo que pousada. Pernoite. O lugar onde se pernoita.
POVARÉU, s. Multidão de pessoas.
POVO, s. Vila aldeia, povoação, lugarejo, aglomerado de casas de moradia.
PRA MODE, expr. Para, devido a, por causa de, com o fim de.
PREGAÇO, s. Pregada.
PRENDA, s. Jóia, relíquia, presente de valor. || Em sentido figurado, moça gaúcha.
PRENDISTA, s. Fabricante de prendas.
PREPAROS, s. Aperos, arreios. Peças que formamo arreamento do animal de montaria, de tração ou de carga. Os aparelhos de couro. A presilha é que liga o laço ao cinchador existente na argola direita do travessão da cincha.
PRISCO, s. Ato de priscar. Pulo, desvio, fuga com o corpo, negaça, salto para o lado, para não ser pegado.
PRO CASO, loc. adv. Aliás. Diga-se de passagem. Por sinal. Para encurtar o caso. Finalmente. Para terminar. Para pôr o ponto final na história. O mesmo que pro causo.
PUAVA, s. e adj. Animal espantadiço, arisco, aruá, fuá, indócil, buzina, brabo, mau, manhoso, bravio.
PULPERIO, s. Dono de pulperia. Taverneiro.

Q

QUADRAR, v. Ser apropriado, sentar, servir.
QUADRAR-SE A VOLTA, expr. Propiciar-se a ocasião. Oferecer-se a oportunidade.
QUADRILHA, s. Grupo ou lote de animais cavalares de pêlos diferentes, que costumam andar juntos, acompanhando a égua-madrinha.
QUEBRA, s. e adj. Indivíduo atrevido, xucro, bravio. Aplica-se a pessoas e animais.
QUEBRALHÃO, s. e adj. Aumentativo de quebra.
QUEIMAR CAMPO, expr. Mentir, bravatear.
QUEIXADA, s. Variedade de porco-do-mato existente no Rio Grande do Sul.
QÜERA, s. e adj. Indivíduo destemido, guapo, forte, valente.
QUERÊNCIA, s. Lugar onde alguém nasceu, se criou ou se acostumou a viver, e ao qual procura voltar quando dele se afasta.
QUERENDÃO, s. e adj. Animal que se habitua com facilidade a uma nova querência. || Indivíduo melífuo para com as mulheres, amoroso, afetuoso, alegre, namorador, apaixonado, amante, enamorado, dengoso, mimoso. || Fem.: Querendona.
QUERO-QUERO, s. Ave pernalta caradriídea (Belonopterus cayennensis) que habita os campos do Rio Grande do Sul. Vive aos casais e, às vezes, em bandos de algumas dezenas. Tem essa ave ainda os nomes de téu-téu, tero-tero, teréu-teréu, e outros, que, porém, não são usados no Rio Grande do Sul.
QUINCHA, s. Teto de palha. Pequenos pedaços de coberta de palha que se unem uns aos outros para formarem a cobertura da casa ou da carreta.
QUINCHAR, v. Cobrir com quinchas.

R

RABICANO, adj. Rabicão. Diz-se do animal que tem a cauda escura entremeada de fios brancos.
RABICHO, s. Peça do arreamento que é colocada por baixo do rabo do animal e presa à sela, à cangalha, ao serigote.
RABIOSCAS, s. Garatujas, rabiscos, letras mal feitas.
RABO-DE-TATU, s. Relho grosso feito todo de couro trançado, com uma argola de metal ou de ferro na extremidade em que se segura.
RAIA, s. Cancha. Pista de corridas de cavalos. Cada um dos trilhos por onde correm os cavalos.
RAMADA, s. Cobertura de ramas à frente dos ranchos, à sombra da qual descansam os campeiros nas horas de sol ardente.
RANCHO, s. Casebre de pau a pique, coberto de santa-fé, com um couro como porta, onde moram peões ou gente pobre.
RASGADO, s. Toque de viola que se executa arrastando as unhas sobre as cordas, sem ponteá-las.
RASTEIRA, s. e adj. Diz-se da erva que dá rente ao chão.
RASTREAR, v. Seguir a caça pelo rastro.
REATAR, v. Arreatar, atar bem, atar com muitas voltas.
REBENCAÇO, Golpe dado com o rebenque. O mesmo querebencada.
REBENQUE, s. Chicote curto, com o cabo retovado, com uma palma de couro na extremidade. Pequeno relho.
REBOLEAR, v. Dar movimento de rotação ao laço ou à boleadeira a fim de lançá-los sobre o animal que se pretende prender.
REBOLEIRA, Touceira de ervas ou de arbustos.
REBOLQUEAR-SE, v. Rolar o animal pelo chão, fazendo movimentos com a intenção de libertar-se da armada que o prende.
RECAU, s. O mesmo que recaus.
RECAUS, s. Arreios de montaria.
RECAVÉM, s. Parte posterior do leito do carro ou carreta. || Traseiro, bunda, nádegas.
RECOLHIDA, s. Ato de recolher, ou seja, de trazer o gado para o curral ou mangueira.
RÉDEA, s. Este vocábulo, clássico da língua, é empregado nas seguintes expreessões gauchescas: A meia rédea, bancar nas rédeas, bom de rédeas, dar rédea, de rédea no chão, redomão de rédeas.
REDEMOINHO, s. Ato de redemoinhar. Círculo contínuo que o gado inquieto começa a percorrer no rodeio ou em tropa.
REDEPENTE, s. Repente, ímpeto, relance.
REDOMÃO, s. Cavalo novo que está sendo domado.
REFILÃO, s. Raspão. Lance difícil, apertura, agitação.
REFOLHAR, v. Bater com os pés no chão repetidamente.
REFUGAR, v. Escapar-se, esquivar-se, fugir o animal à entrada da mangueira ou curral.
REGALO, s. Presente, brinde. Objeto vistoso, bonito.
REGEIRA, s. Corda de couro que se prende à orelha dos bois de carreta ou do arado, para guiá-los.
REIÚNO, adj. Pertencente ao Estado, antigamente ao rei. Assim, cavalo ou animal reiúno é o que pertence à Nação, e tem, para distingui-lo dos demais, a ponta de uma das orelhas, em geral a direita, cortada.
RELANCINA, s. Relance, repente, rapidez, velocidade. É usado na locução adverbial de relancina, que significa repentinamente, de relance.
RELHO, s. Chicote com cabo de madeira.
RENGO, adj. Diz-se do animal ou da pessoa que manqueja de uma das pernas. Coxo.
REPONTAR, v. Tocar o gado por diante de um lugar para outro.. || Correr, nas carreiras de cavalos, um dos corredores, logo atrás do parelheiro adversário, como se fosse o repontando, isso é, tocando por diante.
RÊS, s. Animal vacum.
RESSOLANA, s. Soalheira. Sol forte que aparece intermitentemente nos dias de chuva.
RESSOLHADOR, adj. Diz-se do animal que respira com dificuldade quando anda, emitindo um som característico nas vias respiratórias. || Diz-se do cavalo que se ofusca com o sol muito forte.
RESTINGA, s. Mato constituído de árvores de pequeno porte, nas baixadas, à margem de rios, arroios ou sangas.
RETAÇO, adj. Diz-se do homem ou animal de pequena altura, porém entroncado e forte. Baixote, atarracado, cheio de corpo.
RETALHADO, s. e adj. Diz-se do garanhão em que foi praticada uma operação que não lhe permite fecundar as éguas. Serve apenas para mantê-las reunidas e despertar-lhes o cio que facilita o trabalho do reprodutor, geralmente um burro-choro.
RETOUÇAR, v. Faceirar, namorar, brincar.
RETOVAR, v. Cobrir, vestir com couro. Envolver com couro objetos de uso campeiro. Assim, diz-se retovar as bolas, um cabo de relho, o cabo de uma faca, etc.
RETOVO, Envólucro, cobertura de couro que é costurada sobre alguns objetos campeiros, como sejam cabos de relho, bolas, cabos de faca, etc.
RETROVIR, v. Recuar, regressar, voltar ao ponto de partida.
REÚNO, adj. O mesmo que reiúno.
REVIRA, s. Agitação, tumulto, barafunda, barulho.
RINCÃO, s. Ponta de campo cercada de rios, matos ou quaisquer acidentes naturais, onde se pode pôr os animais a pastarem com segurança.
RINCONADA, s. Rincão.
RIO GRANDE, s. Antiga denominação do Estado do Rio Grande do Sul.
RISCADA, s. Movimento rápido a cavalo, disparada.
RISCAR, s. Movimento rápido a cavalo, disparada.
ROCINAR, v. Tornar o animal bem manso e obediente à ação das rédeas, em complementação à doma.
RODADA, s. Queda do animal de montaria, para a frente, quando vai a trote ou a galope.
RODADO, s. Conjunto de rodas de qualquer veículo. Um par de rodas de um veículo. || Um queijo circular em forma de roda.
RODAR, v. Cair para a frente o animal de montaria quando a trote ou a galope.
RODEIO, s. Lugar no campo de uma estância onde habitualmente se reúne o gado para contar, apartar, examinar, marcar, assinalar, castrar, vacinar, dar sal, curar bicheiras, etc.
RODELA, s. Mentira, patranha.
RONDA, s. Serviço de vigilância a que se submete a tropa de gado nos pousos ou sesteadas. Vigília, pastoreio.
ROR DE, expr. O mesmo que um rol de.
ROSETA, s. Peça móvel da espora, constante de roda dentada, que serve para picar o animal.
RUANO, adj. Diz-se do cavalo de pêlo alazão-claro, com o crina e a cola de cor amarelo-clara, quase branca, ou branca.
RUFAR, v. Fazer tropel. Correr para dispara em direção a.
RUFIÃO, s. Cavalo inteiro, destinado à reprodução. Garanhão, pastor. || Figuradamente, indíduo dado a namoro, femeeiro.
RUMEAR, v. Rumar, tomar caminho, tomar direção.
RUSGAR, v. Brigar, provocar, fazer rusgas, resmungar.
RUSSILHONAS, s. e adj. Botas de cano comprido, próprias para montaria. || Botas de cano alto, de couro amarelo ou amarelado.

S

SABUGO, adj. Diz-se do indivíduo bajulador, engrossador, capacho.
SACUDIDO, adj. Forte, valente, destro, destorcido, trabalhador, decidido, disposto, perito em alguma coisa.
SALSEIRO, s. Conflito, briga, peleia, rolo, desordem, balbúrdia, barulho, charivari.
SAMPAR, v. Arremessar, atirar, lançar, assentar, chimpar, pespegar.
SANCHO RENGO, s. Ver a expressão fazer-se de rengo.
SANGA, s. Pequeno curso d'água menor que um regato ou arroio.
SANGRADOURO, s. Lugar no lado direito no peito da rês, junto ao pescoço, onde se introduz a faca para matá-la.
SANGRAR, v. Introduzir a faca no sangradouro da rês para matá-la.
SANGUERA, s. Grande quantidade de sangue, sangueira.
Santa-fé, s. Planta da família das Gramíneas, de folhas longas, finas e ásperas, muito empregada em quinchas ou coberturas de ranchos ou de carretas.
SANTO-ANTONINHO-ONDE-TE-POREI, s. Pessoa muito querida, muito mimada.
SÃO PEDRO, s. Antiga denominação do Estado do Rio Grande do Sul. || O santo considerado o padroeiro do Rio Grande do Sul.
SAPECA, s. Sova, tunda, surra, sumanta, descompustura; viagem louca ou estafante.
SARANDI, s. Terra maninha.
SARANDIZAL, s. Terreno coberto de sarandis.
SARAPANTADO, adj. Medoros, assustado.
SARNAGEM, s. Sarna, ronha dos animais cavalares.
SEIÚDA, adj. Diz-se da mulher que possui seios muito grandes.
SENTAR, v. Parar bruscamente, o cavalo, quando vai a galope.
SEQUILHO, s. Rosquinha de farinha de trigo, seca, revestida de açucar cristalizado.
SERENO, s. Assistência externa de um baile. O mesmo que mosquiteiro.
SERIGOTE, s. Espécie de lombilho, com pequenas diferenças na cabeça e nos bastos.
SERRA, s. Mato estreito e comprido, em terreno acidentado, que acompanha as duas margens dos rios.
SESMARIA, s. Antiga medida agrária correspondente a três léguas quadradas, ou seja, a 13.068 hectares. São 3.000 por 9.000 braças; ou 6.000 por 19.800 metros; ou ainda, 130.680.000 metros quadrados.
SESMEIRO, s. Dono de sesmaria.
SESTEADA, s. Sesta, ato de sestear.
SESTEAR, v. Dormir a sesta.
SETE-EM-PORTA, s. Jogo de cartas, variante do monte.
SIA, pron. Senhora.
SINUELO, s. Animal ou ponta de animais mansos ou habituados a serem conduzidos.
SOBREANO, adj. Diz-se da rês com mais de um ano de idade e menos de dois.
SOBRECINCHA, s. Peça de dois arreios, constituída de tira de couro ou sola, utilizada para apertar os pelegos ao lombilho.
SOFLAGRANTE, s. Momento, ocasião, flagrante.
SOFRENAÇO, s. Puxão forte nas rédeas para fazer o cavalo parar ou recuar.
SOGA, s. Corda feita de couro, ou de fibra vegetal, ou, ainda, de crina de animal, utilizada para prender o cavalo à estaca ou ao pau-de-arrasto, quando é posto a pastar.
SOLFERIM, adj. De cor escarlate, ou entre escarlate e roxo.
SOLITO, adj. Só, isolado, sozinho, sem companhia.
SOQUETE, s. Cozido de ossos com pouca carne. Carne cozida. Cozido com pirão.
SORRO, s. Guaraxaim. O mesmo que zorro. || Adj. Em sentido figurado, manhoso, dissimulado, astuto, matreiro.
SOTRETA, s. e adj. Indivíduo desprezível, tolo, covarde, vil, ruim, ordinário, velhaco, de póuco mérito. || Cavalo ruim, arisco, matreiro, sendeiro. || Coisa sem valor, imprestável.
SOVAR, v. Amaciar, tornar flexível o couro cru para o preparo do arreamento comapeiro.
SOVÉU, s. Laço grosseiro e e muito forte, feito com duas ou três tiras de couro torcidas.
SUMANTA, s. Sova, surra, tunda, sapeca.
SUMIDOURO, s. Atoleiro profundo.
SURO, s. Rabão, sem cauda.
SUSPENDER, v. Roubar, furtar, raptar.

T

TABA, s. O mesmo que tava.
TACURU, s. Montículo de terra, às vezes com quase dois metros de altura, feito pela formiga cupim, geralmente em terrenos alagadiços e banhados.
TACURUZAL, s. Terreno onde há abundância de tacurus.
TAFONA, s. Atafona.
TAFULEIRA, adj. Diz-se da moça taful, garrida, que gosta de divertir-se, amante do luxo.
TAFULONA, adj. O mesmo que tafuleira.
TALA, s. Nervura do centro da folha de jerivá. Chibata improvisada com a tala do jerivá ou qualquer vara flexível.
TALHO, s. Ferimento. || Em sentido figurado, aparte, "Dálicança a um talho?"
TALUDO, adj. Crescido, grande, desenvolvido.
TAMBEIRA, s. e adj. Novilha mansa, ou filha de vaca mansa.
TAMBEIRO, s. e adj. Diz-se de ou o animal vacum manso, aquerenciado perto da casa, ou filho de vaca mansa das de tirar leite. Boi novo destinado a ser amansado para o trabalho da lavoura.
TAPADO, adj. Diz-se do animal cavalar ou muar de pelame escuro, sem nenhuma mancha.
TAPEAR, v. Guiar o cavalo, quando montado, sem freio, por meio de tapas dados ora em um, ora em outro lado do pescoço.
TAPEJARA, s. e adj. Vaqueano, conhecedor de caminhos, guia; prático, perito, conhecedor de determinado assunto.
TAPERA, s. Casa de campo, rancho, qualquer habitação abandonada, quase sempre em ruínas, com algumas paredes de pé e algum arvoredo velho.
TARCA, s. Pedaço de pau ou de couro no qual se assinala, com pequenos cortes, o número de reses marcadas durante o dia.
TARUMÃ, s. Árvore do campo (Vitex montevidensis), de pouco desenvolvimento, de cerne muito rijo e de bela copada.
TATA, s. Papai, papá, tatá.
TAURA, s. e adj. Diz-se de ou o indivíduo valente, arrojado, destemido, valoroso, forte, guapo, resistente, enérgico, folgazão, expansivo, perito em algum assunto, que está sempre disposto a tudo.
TAVA, s. O mesmo que jogo do osso. O osso com que se pratica esse jogo. Diz-se também, taba.
TEATINO, adj. Diz-se do cavalo, ou de outro animal, ou de objeto, que não tem dono, ou de que se desconhece o dono. || Aplica-se à pessoa que anda fora de sua terra, longe de sua querência, como animal sem dono.
TEMPÃO, s. Muito tempo. Longo período de tempo.
TENÊNCIA, s. Cuidado, precaução, perseverança, cautela, prudência, jeito, tino, costume, hábito.
TENTEIO, s. Ato de tentear, de economizar. || A direção, o governo das rédeas do animal de montaria.
TENTO, s. Tira fina de lonca que é empregada para costurar couro, para fazer botões e passadores, para atar alguma coisa, e para muitos outros fins. Tira de couro cru utilizada para a feitura de laços, sovéus, tamoeiros, relhos, qualquer aparelho trançado, e inúmeros outros usos.
TERCEROLA, s. Arma de fogo usada pelos soldados de cavalaria, a qual é um terço mais curta do que a carabina.
TERNEIRA, s. Vitela, a cria da vaca até dois anos de idade. Fem. de terneiro.
TERNEIRO, s. A cria da vaca até a idade de um ano. Bezerro, novilho.
TERNO, s. Grupo de três campeiros que nos rodeios ou mangueiras fazem o serviço de marcação do gado.
TERREIRO, s. Local sem vegetação ao redor das casas de campanha.
TESO, s. Terreno mais alto junto à barranca do rio. || (Gir.) Pronto, sem dinheiro.
TESTAVILHAR, v. Tropeçar, escorregar, quase cair.
TIÇÃO, s. Denominação pejorativa dada às pessoas decor.
TIRADOR, s. Espécie de avental de couro macio, ou pelego, que os laçadores usam pendente da cintura, do lado esquerdo, para proteger a roupa e o corpo do atrito do laço.
TIRANA, s. Cantiga e dança popular, acompanhada de viola. Variedade do fandango. || Descompustura, xingamento.
TIRANTE, Peça de madeira, maior do que o caibro, empregada para a construção de casas e pontes. || adj. Semelhante a, parecido com, com jeito de: "O pêlo baio é tirante à cor do linho encardido", ou seja, semelhante à cor do linho encardido.
TIRÃO, s. Puxão brusco, golpe repentino, empuxão. Golpe inesperado que se dá no animal puxando bruscamente o laço ou o cabresto.
TIRIRICA, s. Planta do banhado, com folhas como as do capim, porém mais largas e ásperas.
TIRO, s. Distância a ser percorrida pelo cavalo em uma cancha de carreiras.
TIRO-DE-BOLAS, s. Ato de atirar as boleadeiras sobre o animal.
TIRONEADO, adj. Abalado, maltratado, perseguido.
TIRONEAR, v. Dar puxões ou tirões nas rédeas do animal para obrigá-lo a obedecer.
TOBIANO, adj. Diz-se do cavalo cujo pêlo escuro apresenta grandes manchas, em geral brancas, com ele formando contraste.
TOCADA, s. Corrida de experiência a que se submete um parelheiro que está para correr. A tocada serve para se tirar o tempo do animal, ou seja, medir-lhe a velocidade. || Ato de tanger o gado.
TOCAR, v. Conduzir, repontar, levar por diante: "Tocamos o gado até perto do coxilhão".
TOPADOR, s. e adj. Indivíduo que topa qualquer parada, que aceita qualquer desafio.
TOPAR, v. Aceitar proposta, convite, desafio. Concordar.
TOPE, s. Espécie, qualidade, jaez, laia.
TOPETUDO, s. e adj. Diz-se de ou o animal que tem grandes crinas que lhe caempela testa. || Diz-se de ou o indivíduo arrogante, audacioso, rústico, grosseiro, poderoso, valente, destemido.
TORA, s. Conversa breve. || Sesta, cochilo. || Briga.
TORCICÃO, s. Torcedura, torção.
TORDILHO, adj. Diz-se do cavalo cujo pêlo tem a cor do toldo, ou seja, fundo branco encardido salpicado de pequenas manchas mais ou menos negras.
TORENA, s. e adj. Homem elegante, bem trajado, guapo, valente, forte, audaz, destemido, hábil em algum mister.
TORENADA, s. Porção de torenas. Os torenas.
TORUNO, s. e adj. O mesmo que touruno.
TOSA, s. Tosquia, toso, esquila.
TOSAR, v. Submeter o animal ao toso.
TOSO, s. Ato de cortar a crina do cavalo.
TOSTADO, adj. Diz-se do cavalo cujo pêlo é semelhante ao alazão, porém mais escuro.
TOUREAR, v. Provocar, desafiar, desconsiderar, insultar, afrontar, zombar. || Namorar.
TOURO, s. Bovino macho, não castrado, plenamente desenvolvido.
TOURUNO, s. e adj. Boi castrado depois de adulto, que conserva o aspecto do touro. Boi mal castrado que ainda procura as vacas. || Valentão, destemido, corajoso, respeitável, taura, cutuba.
TRABUZANA, s. Indivíduo destemido, valente, brigador, audaz, desabusado, alarife, ventana, torena, taura, sacudido, disposto, capaz de tudo, sem temer a coisa alguma.
TRAGADA, s. Chupada de fumaça do cigarro que é levada até o pulmão. Ação de tragar.
TRAGO, s. Pequeno copo de aguardente.
TRAGUEAR, v. Tomar bebidas alcoólicas.
TRAÍRA, s. Faca, facão.
TRANÇA, s. Maneira de tratar o cabelo, a crina, os tentos e outros materiais.
TRANÇAR, v. Fazer trança. || Contratar, atar, ajustar, alinhavar. || Intrigar, enredar.
TRANCO, s. Andadura natural do animal de montaria, não apressada. Passo largo, firme e seguro, do cavalo ou do homem.
TRANQUITO, s. Diminutivo de tranco.
TRAQUITANDA, s. Porção de coisas misturadas, em desordem.
TRAVESSÃO, s. Parte da cincha, constituída de peça retangular de couro, com uma argola em cada extremidade.
TREMEDAL, s. Atoladouro, brejo, pântano, manancial.
TREPADA, s. Terreno em aclive, subida. Ato de subir.
TRÊS-MARIAS, s. Boleadeiras.
TREVAL, s. Terreno onde há trevo em abundância.
TRINQUE, s. Bebida. || Requinte, elegância, esmero.
TRIPA GROSSA, s. O grosso intestino da rês, apreciado como assado. É usado, também, cozido com feijão.
TRISTE, adj. Ruim, ordinário.
TRISTURA, s. Tristeza, abatimento. É termo muito usado em relação a animais que estão doentes, mas também se emprega em referência a pessoas.
TROCAR ORELHA, expr. Mover o cavalo as orelhas para diante e para trás, trocando-as de posição, por desconfiança de que há algum perigo iminente ou vai ocorrer alguma coisa estranha, que ele procura descobrir o que é mantendo-se atento ao menor ruído.
TROMPETA, s. Indivíduo ruim, ordinário, desprezível, safado, velhaco.
TRONAR, v. Troar, atroar, retumbar.
TROPA, s. Grande porção de animais em marcha de um ponto para outro. A tropa pode ser de gado bovino, éguas, de mulas, de cargueiros, e de outros animais.
TROPEADA, s. Ato de tropear. Caminhada com a tropa.
TROPEAR, v. Exercer a profissão de tropeiro.
TROPEIRO, s. Condutor de tropas, de gado, de éguas, de mulas, ou de cargueiros.
TROPILHA, s. Conjunto de cavalos do mesmo pêlo, que acompanham em uma égua-madrinha.
TROTE, s. Maçada, incômodo, vaia, trabalho, logro.
TROTEADA, s. Ato de trotear, caminhafa a trote, viajada, jornada.
TROTEAR, v. Trotar.
TROTE LARGO, s. Trote apressado, quase galope, do animal de montaria.
TRUCO, s. Jogo de baralho.
TUCO-TUCO, s. Pequeno mamífero roedor. Seu nome é onomatopéia do ruído que ele faz quando cava o chão ou quando anda espairecendo. Também diz simplesmente tuco. || O buraco ou toca feita pelo tuco-tuco.

U

UÉ!, interj. Exprime admiração, espanto.
UM, s. Uma pessoa, a gente. Corresponde a on, no francês, e a man, no alemão. "Quando um se enamora", isto é, quando a gente ou quando a pessoa se enamora.
UMBU, s. Árvore da família das Fitolacáceas, de grande tamanho, cujas raízes saem à flor da terra, muito copada, de folhagem espessa, que produz excelente sombra. É, como o pinheiro e a figueira, uma das árvores simbólicas do Rio Grande do Sul.
UNHEIRA, s. Ferida difícil de curar.
UNTURA, s. Remédio feito com sebo, carvão moído e outros ingredientes, usado para curar as matas dos animais de montaria ou de carga.
URUBU, s. Corvo.

V

VACARIA, s. Grande número de vacas. || Grande extensão de campo que os jesuítas reservavam para a criação de gado bovino.
VANCÊ, pron. Você. É, no Rio Grande do Sul, tratamento usado superior para inferior..
VAQUEANO, s. Pessoa que conhece perfeitamente os caminhos e atalhos de uma região podendo servir de guia aos que precisam percorrê-la. Pessoa que tem prática, habilidade, destreza, para qualquer trabalho ou arte. Tapejara.
VAQUILHONA, s. Vaca nova qua ainda não pariu. Novilha.
VARADO, adj. Diz-se da pessoa ou animal que se encontra delgado por falta de alimentação ou de água.
VARAR, v. Atravessar, bandear, cruzar.
VAREIO, s. Susto, sova, surra, repreensão. Diz-se dar ou tomar um vareio.
VAREJAR, v. Arremessar, atirar, jogar fora.
VAREJEIRA, s. Mosca que deposita seus ovos nas feridas dos animais, produzindo bicheira.
VASILHA, s. Indivíduo ruim, desprezível, imprestável, ordinário. O mesmo que vasilha ruim, vasilha ordinária, má vasilha.
VASQUEIRO, adj. Minguado, raro, escasso, difícil de conseguir.
VEADO-VIRÁ, s, Cervus coassus nemorivágus. Habita os capões e capoeiras. É muito ágil. Também é chamado veado-catingueiro ou apenas catingueiro.
VEIA-ARTÉRIA, s. Carótida do bovino, que é seccionada por ocasião do abate.
VELHACO, adj. Diz-se do animal que não perde o costume de velhaquear, dar pinotes, corcovear.
VELHAQUEAR, v. Corcovear, pinotear.
VELÓRIO, s. Ato de velar com outros um defunto, ou seja, passar a noite em claro na sala em que o defunto está exposto.
VENTANA, s. e adj. Indivíduo mau, desordeiro, turbulento, brigão, venta-furada, venta-rasgada, ventania.
VERDEAR, v. Matear, chimarrear, tomar um verde. || Dar ração de pasto verde ao animal.
VEREDA, s. Ocasião, vez.
VERTER ÁGUA, expr. Urinar.
VIAJADA, s. Viagem, jornada, caminhada.
VIVARACH0, s. e adj. Indivíduo muito vivo, sagaz, esperto, perspicaz, astucioso, atilado.
VIVENTE, s. Pessoa, caricatura, indivíduo.
VOLTA E MEIA, expr. Seguidamente, freqüentemente, a dois por três.
VOLTEADA, s. Ato de percorrer o campo para trazer os animais para a mangueira ou para o rodeio. Ato de apanhar o gado de surpresa.
VOLTEAR, v. Fazer uma volteada. Conduzir uma ponta de gado para a mangueira ou para o rodeio. || Passear, dar um giro. || Derrubar, atirar no chão.
VOZERIO, s. Vozearia, vozeria, vozeada, clamor de muitas vozes juntas.

X

XERENGA, s. Faca velha, ordinária, ruim. O mesmo que xerengue.
XERETA, s. Conversador, intrometido, bisbilhoteiro, importuno, novidadeiro, leva-e-traz, bajulador, engrossador.
XERETEAR, v. Adular, engrossar, bajular, bisbilhotar, importunar, intrigar.
XÔ-MICO, interj. Exprime desprezo.
XUCRO, adj. Diz-se do animal ainda não domado, chimarrão, bravio, esquivo, arisco. Diz-se da pessoa ainda não adestrada em determinada tarefa, ou grosseira, mal educada, sem trato social.

Z

Zarro: Incômodo, difícil de fazer, chato.
Zunir: Ir-se apressadamente.
ZAINO, adj. Diz-se do animal cavalar ou muar de pêlo castanho escuro.