sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Danças Gaúchas

Os ritmos executados no baile devem ser originais que preservem a autenticidade do folclore gaúcho de forte influência histórica européia e latino-americana. Quanto ao fandango antigo no Rio Grande do Sul as mais populares são: anu, balaio, queromana, tatu e tirana. No fandango atual são executados preferencialmente os seguintes ritmos do folclore vigente: marchas, vaneras, vanerões, xotes, milongas, rancheiras, polcas, valsas, chamamés e bugios.

Os ritmos de fandango são musicalmente ricos e variados permitindo evoluções belas e harmoniosas na dança, cada ritmo dança-se de um jeito e cada ritmo tem a sua característica própria de ser dançado. Sendo assim recomenda-se que o conjunto musical de fandango execute todos dos ritmos de forma variada e criteriosa sem distorcer um determinado ritmo acelerando-o para um efeito mais ágil e nem repetindo excessivamente o mesmo ritmo musical caindo na mesmice ou ainda descaracterizando-o quanto a sua forma original. Esses ritmos apresentam as seguintes características históricas:

Marcha Polonaise

“A Polonesa ou Polonesie é dança originária da Polônia que foi mencionada após o ano de 1675. Essa dança de conjunto teria se originado de uma marcha triunfal de antigos guerreiros poloneses. Nas áreas de colonização italiana e alemã, no Rio Grande do Sul, a Polonesie continua sendo a dança solene de abertura de bailes ou ponto culminante de festividades como: Festa do Rei do Tiro e Kerbs”.

Marcha

“No Brasil, teve origem nos blocos carnavalescos de rua, pois além de peças musical e coreográfica relacionada com o carnaval, o nome indica um dos passos do antigo 'Quicumbis' (Dança de Igreja)”.

Valsa

“Sua origem mais próxima vem das danças rústicas alpinas (Austria), destacando-se o Lãndler. Do campo a Valsa foi para as cidades, notabilizando-se, inicialmente em Viena. Expandiu-se por toda a Europa, porém, na França a Valsa assumiu feições próprias (lenta, lânguida, sentimental). No Brasil a Valsa foi cultivadíssima no século passado, desde o nível popular até o erudito”.

Rancheira

“É uma versão nacionalizada da Mazurca (Dança de origem polonesa) na Argentina, Brasil e Uruguai. ... No estilo da fronteira dança-se a Rancheira bem marcada com batida de todo o pé no chão, assemelhando-se assim os movimentos dos pares a um valseado. O gaiteiro quando toca segura mais a nota musical, dando mais extensão à nota. Liga (Legatto = ritmo constante). ... Na serra difere do estilo fronteiriço apenas na forma de executar, pois dança-se bem rápido e puladinho com acentuada marcação de todo o pé no tempo forte da música (1º tempo). O gaiteiro serrano faz uma sequência com interrupção da nota musical. (Stacatto = ritmo alternado)”.

Vanera

A Vanera, Vaneira ou ainda Havaneira tem origem na Habanera, ritmo cubano com o nome em referência a capital Havana (La Habana). É uma aculturação dos ritmos afros pelos cubanos, entretanto exportadas aos salões europeus especialmente os de Paris e Madri, foi dança de sucesso muito apreciada, difundida e preferida por compositores franceses e espanhóis. A Vaneira chegou no Brasil por volta de 1866 influenciando ritmos como o samba-canção brasileiro, e outros do fandango gaúcho tais como o vanerão, o limpa-banco e o bugio.

No Rio Grande do Sul a Vanera é um ritmo musical de andamento moderado, a coreografia é de dois passos para um lado (pé esquerdo) e um passo para o outro lado (pé direito), observando-se dois tempos musicais para ambos os lados.

A Vanera conquistou um espaço privilegiado entre os conjuntos musicais de fandango, sendo hoje, presença marcante e obrigatória em qualquer baile tradicional, praticamente sendo o ritmo básico do baile ou o mais executado no evento.

Vanerão

“... é uma música de andamento rápido, mas com acompanhamento e características típicas da Habanera”.

Bugio

O nome desse ritmo e os movimentos executados na dança são inspirados em um tipo de macaco muito astuto e popular que habita as regiões de matas no sul do país, o bugio.

É um autêntico ritmo gaúcho, criado e desenvolvido no Rio Grande do Sul, diferente dos demais que mesmo com suas adaptações são das mais diversas origens (geralmente européias). Não sabe-se ao certo mas, alguns dizem que o bugio surgiu de um erro do gaiteiro, outros dizem que foi da tentativa de imitar o ronco do bugio usando o jogo de fole da gaita.

Era dança da ralé (camada inferior da sociedade) comum nos bailes ´Bragados´ da região rural missioneira e nos meretrícios, mas tornou-se bastante popular passando a ser aceita até mesmo nas festas da alta sociedade. Atualmente o Bugio tem grande aceitação no meio tradicionalista e na maioria das festas populares do Rio Grande do Sul especialmente nas regiões das missões, no planalto médio e nos campos de cima da serra, mas parece perder espaço entre grupos musicais, mesmo sendo a dança de salão mais autêntica e gaúcha entre todas as coreografias e ritmos executados no baile tradicional.

A coreografia lembra os movimentos do macaco, dois passos para cada lado, cada compasso é binário e equivale a dois movimentos para cada lado, sendo que na passagem do segundo para o terceiro movimento no momento em que é dado o jogo de foles da gaita, os pares dão um pulinho lateral.

Xote

Segundo Baptista Siqueira, a Schottisch entrou no Brasil no início da década de 1850, difundindo-se pelo país. O nome da dança (é palavra alemã que significa escocesa) é enganoso, pois conforme o Grove´s Dictionary of Music and Musicians (5ª ed. 1955), do ponto de vista moderno é que essa dança nada tem a ver com a Escócia. É uma dança de procedência francesa com nome escocês. O compasso do Schottisch é binário ou quartenário e o andamento é rápido”.

Milonga

“Dança urbana de Buenos Aires, da mesma geração do Tango, mas com melodia e ritmo brejeiro. O sentido do termo provém da língua ”Bunda” da República dos Camarões, (Melunga = palavra, o plural é Milonga)”.

Chamamé

“Para o folclorista argentino Joaquim Lopez Flores, essa dança correntina (Província de Corrientes) teria nascido justamente da velha “Chimarrita” do Rio Grande do Sul (introduzida pelos açorianos)”.

Polca

“Dança de compasso binário em andamento vivo, originou-se no início do século passado, na Boêmia, fez sucesso na França e difundiu-se daí para outros países, inclusive o Brasil. Há vários tipos de modas coreográficas que deram a denominação à Polca, One Step, Polquinha, Limpa-banco, Arrasta-pé, Gasta-sola, Serrote, Polca das Damas (a moça tira o rapaz para dançar), Polca de Relação ou Meia Canha (os pares dizem versos um para o outro)”.

Danças Gaúchas, suas histórias e origens

Búgio

Tem sua origem reclamada por dois municípios, que tratam de divulgá-lo através de seus festivais: São Francisco de Assis (fronteira oeste) e São Francisco de Paula (região serrana) se consideram pais do Bugio. O processo de criação do Bugio foi inspirado no "ronco" do bugio, macaco que habita nossas matas, correndo sério risco de ser extinto. Da imitação desse ronco reproduzido pelo acordeon foi criado um novo ritmo que teria em São Chico de Assis, São Chico de Paula e de toda a região serrana um solo fértil para seu desenvolvimento. A maneira de dançar o Bugio também é inspirada nos movimentos desse macaco.

Chamamé

Chegou no Brasil pelo Rio Uruguai e sendo difundida pelas rádios argentinas no interior do Rio Grande do Sul, dando a conhecer valores como Ernesto Montiel e Tarragó Ros (pai) e muitas outras "legendas do Chamamé". Na realidade "el Chamamé" foi um feliz "contrabando" que chegou para fazer parte de nossa cultura. A interpretação do chamamé pode ser a solo ou em duo, sendo essa modalidade vocal mais apreciada. Podendo ser dançado aos pares ou sapateado em sua origem, o chamamé no Rio Grande do Sul se diferenciou na maneira que os bailadores daqui deram a este ritmo. Importante ressaltar é a versatilidade deste gênero, que vai desde um calmo chamamé- canção em tom maior ou menor, a um chamamé bem bagual em andamento bastante rápido quase uma polca. Vinculado ao chamamé está essa manifestação denominada "Sapukay" que nada mais é que o grito dado espontaneamente pelos chamameceros no momento em que lhes dá gana ou no final de cada tema.

Chamarrita

É um ritmo de origem açoriana e madeirense (arquipélagos portugueses no Atlântico). É executado em tom maior, com raras exceções em tom menor. A Chamarrita está entre o ritmos comuns às três pátria gaúchas: Argentina, Uruguay e Brasil. No Rio Grande do Sul, a Chamarrita está bastante identificada com costumes e temáticas campeiros. Além da Chamarrita mais galponeira, temos as versões mais executadas pelos conjuntos de baile, adaptadas a um ritmo mais bailável. A Chamarrita também é conhecida como Chamarra ou Chimarrita.

Milonga Arrabalera

Como o próprio nome diz: Milonga del "Arrabal" (urbana). Esta é a Milonga que mudou-se do campo para cidade, transformando-se em baile, muito apreciada nos bailes riograndenses. Por ser uma milonga de origem urbana, a temática estende-se desde o campo até a cidade, falando de temas de amor e cotidiano. A execução ao violão, já não é arpejada como a Milonga mas rasgueada como no Tango dando assim um ar mais bailável. Milonga "Milonga ritmo que pulsa no coração do Pampa. A palavra Milonga é de origem Bantú (povo que se localiza entre o Congo, parte da Angola e Zaire). Na África designa-se "Milongo" como um feitiço de amor, que as moças utilizam para atrair seus pretendentes. Costuma-se dizer: - Essa menina me fez um Milongo! A apresentação da Milonga em versos é feita de várias maneiras, sendo elas em quartetos, sextilhas, oitavas e décimas. Voltando à origem do ritmo da milonga nos deparamos com a célula rítmica encontrada em Cuba na "Contradanza Francesa", na "Danza Cubana" e na "Habanera". A mesma célula rítmica também chamada "Ritmo de Tango" ou "Tango Congo".

Rancheira

Este ritmo bem crioulo (autêntico) em compasso 3/4 encontra paralelo em vários outros gêneros Latino Americanos deste estilo, tais como o "Pericón" uruguaio ou o "Joropo" venezuelano. Outra característica que o aproxima da América Hispânica é o "Sapateado" que é uma das maneiras de se dançar a Rancheira. A maneira mais comum de se dançar a Rancheira é a marcação dos pares do ritmo como pequenos pulinhos ou "puladinho". Outra modalidade bastante apreciada pelos bailadores á a Rancheira de Carrerinha em que os pares alinhados executam várias coreografias em momento de grande descontração. Como em outros gêneros bailáveis do RGS a gaita (acordeon, cordeona) tem papel de destaque, sendo a solista principal e contando coma participação do violão ou gaita a meio do tema.

Rasguido Doble

Juntamente com o Chamamé, o Rasguido Doble é outro gênero que nos vem "contrabandeado" do litoral argentino, toda essa região compreendida entre os rios Uruguai e Paraná abrangendo províncias como Corrientes, Missiones e Santa Fé. O Rasguido Doble é um gênero bem diversificado. Pode ser executado de maneira bem cadenciada deixando a melodia fluir lentamente ou mais ligeiro. O nome Rasguido refere-se ao "rasgueado" violão que vai dar o acompanhamento necessário para sua parceria, a cordeona (acordeon), soltar-se em inspiradas melodias e acordes, sendo o Rasguido Doble cantado ou instrumental. Os principais responsáveis por trazerem este ritmo musical para as terras Riograndenses foram o missioneiros, cantores e guitarreirros como Noel Guarany, Cenair Maicá e Luís Carlos Borges, que sempre incluíram em seus repertórios vários Rasguidos como "El Rancho y la Cabicha", "Puente Pexoa" e "El Cosechero", este último do criativo compositor Rámon Ayala, da província de Missiones.

Vanera

A origem da Vanera é no ritmo cubano Habanera, que é como era grafado o ritmo. Da Habanera para atual Vanera, várias modificações foram feitas, na grafia e no andamento bem mais rápido, para se tornar bailável. Ao longo de mais de três décadas, os conjuntos de baile gaúchos (fandangos) vêm desenvolvendo com sua experiência e criatividade vários padrões rítmicos em seus instrumentos típicos: acordeon, guitarra, baixo, bateria e pandeiro. Quer em suas apresentações ao vivo ou em suas gravações. A Vanera conquistou um espaço privilegiado nos bailes gaúchos, sendo hoje, presença marcante e obrigatória em qualquer Fandango que se preze.

Vanerão

Também conhecido como limpa banco, tem o andamento mais rápido do que a Vanera. O Vanerão presta-se para o virtuosísmo do gaiteiro de gaita piano ou botonera (voz trocada), sendo assim muitas vezes um tema instrumental. Quanto a forma musical, o vanerão pode ser construído em três partes (rondó), utilizado em ritmos tradicionais brasileiros como o choro e a valsa. Quando cantado, dependendo do andamento e da divisão rítmica da melodia, exige boa e rápida dicção por parte dos intérpretes. O Vanerão com sua vivacidade exige bastante energia, tantos dos músicos, como dos bailadores de fandango.

Xote

O Xote gaúcho tem origem no 'schotis' europeu e sofreu aqui algumas mudanças que são naturais a qualquer manifestação cultural que tenha migrado de um continente a outro com características distintas, porém sem perder a essência de seu precursor europeu dotado de inspiradas melodias. É um dos poucos ritmos de andamento quaternário que se tem aqui no RGS, sendo que a melodia está em divisão de colcheias pode em certas partes dobrar para semi colcheias, o que serve para os executantes demonstrarem todo seu virtuosismo, principalmente o acordeon, o violão ou guitarra. Por seu andamento médio, o xote dá condições a que os pares dancem de maneira figurada realizando as mais variadas coreografias. O Xote com sua vivacidade e alegria é um gênero, cantado ou instrumental indispensável nos bailes gaúchos.

Dança dos Facões

Danças de esgrima, em que, ao invés de porretes ou bastões, se usam espadas ou facas de verdade, são registradas na Ásia, na Europa Oriental, na África muçulmana, em regiões onde se encontram aglomerados predominantemente masculinos. Cada dançarino mune-se de dois facões, afiados, e as evoluções exigem destreza, acuidade, reflexos rápidos.

Chula

A Chula Dança muito difundida em Portugal e também dançada pelos Açorianos. A Chula caracteriza-se pela agilidade do sapateio do peão ou diversos peões, em disputas, sapateando sobre uma lança estendida no salão. A chula era dançada apenas por homens e sempre em desafio. Citada como espécie de jogo típico dos gaúchos por Nicolau Dreys em seu livro "A notícia descritiva da Província do Rio Grande de São Pedro do Sul" é, provavelmente, originária do Minho e do Douro, do folclore português, embora alguns estudiosos relacionem-na com o Lundú ou o Baião, com relação à música.

A chula tradicional era dançada da seguinte forma: Dois dançarinos ficavam frente a frente tendo entre si uma lança de quatro metros de comprimento. Um dos oponentes executava uma seqüência de difíceis passos coreográficos indo até a extremidade oposta da lança e retornando ao seu lugar de origem. Ao segundo oponente cabia, então, repetir o passo do primeiro e fazer um mais difícil, ao que o seu oponente deveria proceder da mesma forma. Perdia a disputa aquele que saísse do ritmo, errasse o passo, perdesse o ritmo ou chutasse a lança. Ultimamente suas regras foram modificadas, adaptando a chula aos campeonatos regionais, os rodeios, mas a idéia de criatividade e difícil execução dos passos como objetivo da disputa foi mantida, o que a tem tornado o concurso individual mais procurado do meio tradicionalista.

Malambo

O malambo é, assim como a chula, uma dança de desafio, proveniente de nossos irmãos gaúchos platinos. Existem diversos tipos de malambo, de acordo com a região platina em questão. Os mais conhecidos entre nós são o Norteño, com passos curtos e música dividida em seções de quatro compassos musicais e o Sudeño, com passos alternados um pouco mais longos e outros tão breves quanto os do Norteño. Para quem dança, o famoso papito-pá-pá" define muito bem esse estilo de malambo quanto ao ritmo.

Existem variantes dos mais diversos tipos para o malambo, sendo que uma das mais engraçadas aos olhos do público e ao mesmo tempo uma das de mais difícil execução é a simulação da doma pelo peão, onde este finge estar montando "em pêlo" um cavalo bravio, ou caballo cimarrone, e tem que se manter em cima do lombo do animal durante seu corcovo. Quanto mais agitar os braços durante a execução dos passos, maior a habilidade do "domador" em vencer o animal. Mas é claro que essa é apenas uma das variantes existentes para a dança do malambo. O malambo está presente em nosso meio tradicionalista sob a forma de apresentações de alguns grupos de dança, uma vez que não existem concursos dessa modalidade nos rodeios e festivais dos gaúchos Rio-grandenses, pelo menos por enquanto, pois a cada dia, têm sido mais incorporado ao nosso folclore, por sermos de uma cultura irmã proveniente.

Manual das Danças de Fandango Gaúchas

Cada época e cada povo só dança, as danças que refletem seu espírito. O espírito das danças gaúchas é o espírito do lar, da fidalguia e de respeito à mulher. Através das danças o gaúcho extravasa toda a sua teatralidade e desenvolve sua identidade espiritual.

As danças a seguir apresentadas são gaúchas não porque tivessem se originado inteiramente no ambiente campeiro, mas porque o gaúcho recebendo-as de onde quer que fosse, lhes deu música, detalhes, colorido e alma nativa.

: : Giro ou Giro-Saudação : :

Após o rapaz convidar a moça para dançar, oferecendo-lhe um lenço ou sua mão, ele a conduz até o lugar onde iniciarão a dança.

Chama-se giro-saudação ou, simplesmente, giro, o ato pelo qual a moça, tomada pela mão direita de seu companheiro, realiza uma volta inteira em torno do próprio corpo ( girando sobre a ponta do pé esquerdo ou executando passos ), sob o braço esquerdo.

No preciso momento em que a moça completa a volta, o par solta-se das mãos e efetua um respeitoso cumprimento: a mulher realiza uma pequena flexão de joelhos e o homem inclina levemente a cabeça ao mesmo tempo que torna a guardar, entre o cinto e a camisa, o pequeno lenço utilizado para convidar sua companheira para a dança.

: : Marcha : :

A marcha assim como o samba foram produtos do carnaval.

Segundo Paixão Côrtes e Barbosa Lessa em sua obra "Danças e Andanças da Tradição Gaúcha " diz o seguinte: "Marcha além de peça musical e coreográfica relacionada com o carnaval (marchinha carnavalesca) o nome indica um dos passos do antigo Quicumbis".

Os Passos de Marcha são basicamente 1 e 1 e são dados alternadamente, com um pé e outro, um passo para cada tempo da música, como se o dançarino marchasse ou caminhasse. Podem ser dados para a frente, para trás ou em curva. Quando pequenos passos de marcha são dados em curva quase no mesmo lugar, fecham um giro.

: : Polca : :

Esta dança européia, proveniente da Boêmia, tornou-se famosa e dominou os salões na segunda metade do século XIX. No Rio Grande do Sul era tipicamente tocada com o acordeom e serviu para dançar vários tipos de modas coreográficas, entre elas:

Polquinha, Limpa-banco, Arrasta-pé, Polca das damas, Polca das cadeiras, Polca do bastão, Polca de relação ou meia canha.

O passos da polca podem ser dirigidos para frente e para trás, para os lados, em curva ou em diagonal.

A única característica de sua execução é a pausa entre um passo-de-polca e outro passo-de-polca.

: : Rancheira : :

Derivada da Mazurca, é uma dança Polaca que chegou à França no século XIX, lá ganhou algumas características e assim chegou ao Brasil, Argentina e Uruguai. No Rio Grande do Sul, em certas regiões a Rancheira é denominada "Terol", mas não há diferença musical entre as duas.

Os Passos de Rancheira são compostos de dois passos-de-juntar, um para a esquerda e outro para a direita.

Passo-de-juntar

- para a esquerda: pé esquerdo dá um passo para a diagonal esquerda e o pé direito vem se juntar a ele.

- para a direita: pé direito dá um passo para a diagonal direita e o pé esquerdo vem se juntar a ele.

No final do passo-de-juntar à esquerda faz-se uma marcação no lugar, de toda planta do pé que primeiro se afastou e a seguir faz-se o novo passo-de-juntar `a direita com nova marcação.

E assim sucessivamente.

Um passo de Rancheira corresponde a seis movimentos.

::Rancheira da fronteira::

Dança-se a rancheira com passos bem marcados, isto é, a marcação é feita com forte batida de toda planta do pé e isso faz com que o corpo gingue de um lado para o outro.

::Rancheira do litoral::

Dança-se o Terol, com passos rápidos e largos: uma série de passos para a frente e uma série de passos para trás. É dançado puladinho, bem rápido e faz-se a marcação com forte batida de toda planta do pé.

Tem-se a impressão de que o peão está empurrando violentamente a prenda e de que esta, em seguida, passa a empurrá-lo.

Obs.: Durante a execução da dança, os peões podem vir a sapatear.

: : Chote : :

Trazido pelos imigrantes alemães (1824), o "schottisch" , enraizou-se no Brasil, por volta de 1850, juntamente com a Polca e a Valsa. Em Paris abriu caminho para a renovação da danças de pares enlaçados. Nota-se em seu ritmo um certo parentesco com o da Polca, mas um pouco mais lento. O Chote coincidiu com a difusão da gaita como instrumento musical e se tornou a dança de pares enlaçados preferida do gaúcho, podendo também ser dançado "se largando" em chotes afigurado.

:: Chote tradicional::

Faz-se através de três movimentos iniciados com o pé esquerdo (primeiro movimento), que é dado em dois tempos da música (um compasso), portanto um pouco lento e largo, os segundos e terceiros movimentos são efetuados um para cada tempo da música, sendo assim mais rápidos e curtos, dentro do ritmo do Chote.

::Chote afigurado::

O peão alcança sua mão direita à mão esquerda da prenda, sendo que os dois estão postos face a face.

Peão realiza 3 passos de marcha para a esquerda, movimento de ida e o quarto passo fica elevado no ar. (peão e prenda podem realizar uma batida de pé no chão, mas este logo deverá se elevar, não terão o peso do corpo, pausa musical). O movimento de retorno é iniciado pelo pé que está elevado (quarto movimento), repetindo a mesma marcação da ida.

A figura do chote afigurado é feita ao se iniciar a nova marcação para a esquerda do peão. O número de figuras que podem ser executadas é praticamente infinito, dependendo da criatividade dos dançarinos.

: : Vaneira : :

Tem sua origem na habanera, ritmo dançado pelos negros de Cuba e Haiti. Foi exportada para a Espanha e de lá veio para o Brasil, fazendo muito sucesso depois da Polca, Chote e da Mazurca.

No Rio Grande do Sul, chamou-se Vaneira e com alterações de andamento na execução, surgem diversas variantes: vaneirão, vaneirinha, vaneira grossa...

É dançada uma pouco mais rápido que o chotes e mais lenta do que a vaneirinha e o vaneirão.

Os movimentos dos passos de vaneira são idênticos ao do chote tradicional, cujos pares dançam enlaçados e não fazendo as figuras.

: : Vaneirinha : :

É uma variante da vaneira criada pelos gaiteros rio-grandenses.

Seu ritmo é executado um pouco mais rápido que a vaneira e mais lento que o vaneirão.

Os passos da vaneirinha são idênticos aos da vaneira, dançados um pouco mais rápidos.

: : Vaneirão : :

É uma variante da vaneira. Sua música é executada num rítmo rápido que é o que o distingue da vaneira e da vaneirinha.

Os passos de vaneirão sãoiguais aos passos da vaneira, apenas com andamento mais rápido.

: : Bugio : :

O Bugio é essencialmente brasileiro. Nasceu no Rio Grande do Sul, nos braços do gaiteiro Wenceslau da Silva Gomes, conhecido como Neneca Gomes, nas serras do Mato Grande, distrito de São Francisco de Assis em 1928. Neneca com uma gaita de botão começou a imitar o som emitido por um macaco, conhecido como bugio. Nasceu o ronco do bugio.

O tema desenvolveu-se mais em função da dança, tendo por inspiração o caminhar do Bugio. Foi considerada como dança de pessoas de baixo nível.

Hoje, seccionadas os aspectos sensuais, é muito executada nos bailes tradicionalistas.

O Bugio foi incorporado ao repertório musical do Rio Grande do Sul e teve inúmeras gravações, sendo que em 1955 os Irmãos Bertussi levaram o primeiro Bugio ao disco, gravando "o casamento da Doralícia".

Quanto aos passos do Bugio, sua movimentação é idêntica a da vaneira. A diferença está na passagem do segundo para o terceiro movimento do passo, onde os dançarinos dão um pulinho e tiram os dois pés do chão.

Este movimento se dá justamente quando ocorre a puxada característica do Bugio que é o jogo que o gaiteiro faz na baixaria e com o fole da gaita, tirando um som que lembra o ronco do bugio. O bugio é dançado meio de lado, imitando o caminhar típico desta espécie de macaco.

: : Milonga : :

Ritmo de origem provavelmente africana, com passagem pela Espanha. Há registros de seu aparecimento, na Argentina, por volta de 1870, sendo que popularizou-se também no Uruguai e Rio Grande do Sul, desrespeitando fronteiras. Caracteriza-se pela marcação no terceiro tempo da música.

Seu ritmo assemelha-se ao tango argentino.

Passos de milonga: conhecido normalmente como o 2 e 1.

O pé esquerdo avança para o lado esquerdo, tocando o solo (um passo).

O pé direito avança para se juntar ao pé esquerdo, tocando o solo (um passo).

O pé esquerdo avança para o lado esquerdo, tocando o solo (um passo).

Pausa, durante a qual o pé direito faz a marcação, avançando para o lado direito e dando um passo. E assim sucessivamente.

: : Chamamé : :

A polca européia sofreu modificações nos países do Prata (em especial na Argentina), passando a Ter compasso ternário e andamento mais lento. Com o passar do tempo, chamou-se "polca correntina" e após recebeu o nome guarani - chamamé - que significa "improvisação".

O chamamé faz parte do grupo das danças de pares enlaçados, no Rio Grande do Sul foi ganhando forma, moldando-se através dos tempos.

Os Passos do chamamé se assemelham ao passo de polca e de rancheira, apenas num ritmo um pouco mais lento.

: : Valsa : :

Originada das danças rústicas Alpinas da Áustria; foi soberana na Europa. A valsa veio abrir caminho para uma última geração coreográfica, que chegou até nossos dias: as danças de pares enlaçados.

Há uma hipótese de que a valsa brasileira sofreu influência da valsa francesa, ganhando aqui feições próprias.

Tradicional: é formado por dois passos-de-juntar, dados num sentido e noutro, alternadamente. Um passo de valsa é composto de quatro movimentos, dados para um e outro lado, mas na sua forma tradicional faz-se em giro ou em curva.

Clássico: é executado mediante três movimentos, sempre em giro, para um lado e outro. São feitos três passos em três tempos musicais, um para cada tempo.

Campeiro: na sua execução são utilizados os dois passos acima descritos. Seu andamento é mais rápido e a sua movimentação pode ser para a frente, para trás, no lugar e em giros para um lado e outro.

Fonte: Apostila da Academia de Danças Gaúchas Calhandra de Ouro

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